Silêncio embotado
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de fevereiro de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
O silêncio das pessoas diante das pressões autoritárias é nutriente do obscurantismo. O Ministério Público Federal, se não reagir em defesa de sua autonomia (e isso houve, de forma clara, na escolha de Augusto Aras e no desrespeito à lista tríplice e mais ainda agora com os incidentes da escola da corporação), se atrofia e perde espaços. No Conselho do MP houve quem pleiteasse a suspensão das medidas, mas decidiu-se que o procurador terá 15 dias para dar as explicações sobre as mudanças na escola e em seu conselho.
No âmbito cultural é que se observam sinais mais fortes dessa inversão de valores em nome de um novo ordenamento ético voltado aos valores familiares. Consequência dessa deformação tivemos uma apologia nazista que pelo menos foi enfrentada com a demissão do mau ator que decalcou Goebbels e agora tivemos a barbárie da secretaria de Educação de Rondônia, que botou no index 43 livros para serem recolhidos e que felizmente houve recuo face à reação de alguns inconformados. Anuncia-se que a 34ª Bienal de São Paulo, diante desse cenário, decidiu apostar na politização e exporá obras sobre cicatrizes coloniais, entre elas a da negritude.
Se a sociedade se ligar e der respostas o momento brasileiro será de expectativas fartas e nunca de atraso como por vezes aparenta. Caso houvesse resposta mais contundente à ideia de mexer nos radares das estradas não teríamos o aumento absurdo da mortandade.
Ambientalismo
Uma das áreas sob constante provocação é a do ambientalismo. Agora o governo autorizou pesca esportiva em áreas de conservação ambiental. Até pode ter seu lado bom, desde que adotadas cautelas e normas equilibradas. Por exemplo, é impensável no Parque de Vila Velha abrir a Lagoa Dourada para a pesca indiscriminada por tratar-se de um refúgio. Temos na região do Capivari um exemplo de comportamento pesqueiro diferenciado: pesque-solta com os pescadores se limitando ao registro de fotografias antes de devolver o peixe à água. Trata-se do "black bass", uma espécie de truta de águas lênticas (barragens, lagos) exótica e há décadas aclimatadas em hidrelétricas de Curitiba. Por sinal que essa cultura, a do pesque-solta, é evidenciada em alguns programas de televisão.
Poupança externa
País que não tem poupança interna não cultua o hábito, depende da externa e nesse sentido há uma boa iniciativa do governo ao elaborar medida para que empresas estrangeiras disputem licitações e se tornem fornecedoras do Estado sem exigência de filial brasileira. Visa atrair obras de infraestrutura em rodovias, ferrovias e aeroportos.
Autocrítica
Afinal pintou no PT alguém com a tese correta: Aluizio Mercadante entende que o partido não pode fugir à autocrítica, ainda que procure evitar que seja "autoflagelante" ou "autocomplacente". Há um sinal forte de soberba e arrogância na reação em fazê-lo diante dos enormes e frequentes desvios da corrupção facilitada pela tal da "governabilidade".
Ruptura impositiva
O rompimento do contrato de obras atrasadas no Mercado Quebec e no Moringão é um meio de restaurar a normalidade nos serviços públicos de Londrina. Correta igualmente esta FOLHA no compromisso em publicar mensalmente o balanço das obras públicas em andamento. Acompanhá-la é uma obrigação da cidadania .
Folclore
Sergio Cabral repete a sina de Palocci: sua delação, rejeitada pelo MP, acabou aceita pela Polícia Federal.


