Sempre a barriga

Empurrar com a barriga sempre foi o jeitinho brasileiro. E é o que se anuncia justamente quando tanto se fala em enfrentar o mundo real na questão previdenciária: prorrogar de 2024 a 2028 para que estados e municípios tenham fôlego enquanto se pactua (quantas vezes isso se repetiu?) moratória no pagamento de precatórios. Foi essa mentalidade, a de burlar o sentido da Lei de Responsabilidade Fiscal de forma sistêmica, que levou a situações como as do Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

E tudo isso ganha um nome altamente técnico: são contrapartidas no pacto federativo para dar suporte à reforma da Previdência. Os golpes seguidos nos credores decorrentes desse tratamento gerou na Carta de 1988 um debate intenso e aureolado, mais tarde, numa CPI que tratou da temática, e o senador paranaense, Roberto Requião, figurou como relator.

A busca por saídas do gênero se de um lado nega a possibilidade de soluções mais eficazes como a que esperava com a efetiva inserção de estados e municípios no quadro reformista fixa soluções em parcelas bem ao estilo de tratamento aos governos encalacrados, o que afinal reduz tudo à nossa esperteza clientelística, algo de que não abrimos: empurrar soluções com a barriga e ganhar tempo para fingir que enfrentamos o caos.

Há gente aguardando pelos depósitos desde os anos oitenta e a Ordem dos Advogados do Brasil calcula em mais de um milhão os credores na fila.

Veto esperado

Nunca acumulamos tanta temática para ir às ruas como a questão irresponsável dos incêndios florestais e agora a reação contra a Lei de Abuso da Autoridade. A forma como o governo trata as questões ambientais é de um desleixo que chega a chocar na medida em que sugere que ONGs poderiam estar por trás das manobras criminosas. Não bastassem a tentativa absurda de pretender contestar uma área de excelência científica como o Instituto de Atividades Espaciais e, sem qualquer base, afrontá-lo, o que se tornaria mais grave com a ratificação pela Nasa da delinquência ambiental, o governo só se mexeu quando viu que países menos pacientes defendiam aberta retaliação contra nossos produtos de exportação enquanto persistisse uma postura de não dar bola às agressões e agarrar-se num tosco nacionalismo em que a questão da soberania fica sob o jugo da paranoia persecutória como forma de implantar pressões colonialistas.

Percebe-se que há agora, em função do revide do Intercept Brasil, transformado na trincheira de muitos delinquentes apanhados pela Lava Jato, que boa parte da sociedade percebeu que o fluxo judicial precisa ser fomentado para evitar um esmaecimento daquilo que expressou, como em tempo algum, uma esperança bem fincada de combate infatigável à impunidade dos ladrões do colarinho branco e de enfrentamento da corrupção.

O lado mais positivo das manifestações foi a defesa não apenas de Sergio Moro, hoje numa situação constrangedora no governo, como também do procurador Deltan Dallagnol, alvos permanentes das degravações. O fato é que as mobilizações tiveram menor destaque do que as anteriores, o que indica fadiga do material.

Vulnerável demais

Uma das maiores fragilidades de segurança na fronteira foi exposta pelo batalhão de polícia da área na constatação de que existem 300 portos clandestinos no trecho entre a Tríplice Fronteira e Guaíra. Esses ancoradouros são empregados para contrabando de armas e drogas. E percebe-se na existência tão comum dessas unidades a vulnerabilidade que faz do represamento de Itaipu um ponto de operação corriqueira de ações criminosas.

Mais promessa

Quantas vezes Beto Richa fez referência à modernização da Rodovia dos Minérios, inclusive de uma suposta participação da cimenteira via parceria público privada. Pois bem, apesar da forte discurseira nada aconteceu além dos acidentes que na semana passada tiveram crescimento, que levou a população a protestos. Aí o Departamento de Estradas de Rodagem afirmou que a duplicação da PR-092, código da Rodovia, estaria prevista par sair até o início de setembro.

Mais denúncias

Há uma convicção entre os defensores da Lava Jato e de sua força-tarefa no sentido de que a retomada do ciclo punitivo, como está acontecendo ainda que de forma discreta, é mais importante para manter a imagem do processo do que confiar em manifestações públicas como as do fim da semana. Isso é visto como continuidade num momento em que cresce o desgaste da operação. Os alvos recentes como Guido Mantega e Antonio Pallocci, ex-ministros, trazem cargas contra Lula, que de tão esquecido leva vantagem nos acontecimentos pelo vitimismo.

Folclore

Uma situação inusitada foi vivida pelo Departamento de Água e Esgotos, que ficava numa das esquinas na Praça Zacarias: intoxicações de seus funcionários através da água utilizada no prédio. Parece incrível, mas aconteceu, como pegou fogo a fábrica de gelo em Paranaguá.

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