Semana quente
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terça-feira, 17 de setembro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Semana quente
O legislativo estadual se obriga a sair da inércia habitual nesta semana com dois temas picantes: "escola sem partido" e o fim da licença-prêmio, um coquetel molotov. É pauta para agregar ideologia e participação. E o tema está na moda, pois um dos auxiliares do novo Procurador da República tem posição firme a favor do escola sem partido. Os dois temas operam como uma provocação e isso significa que teremos as galerias abarrotadas.
A questão da licença-prêmio, ainda que se garanta aos servidores atuais esse direito, é vista como uma violência, já que consta das perspectivas de qualquer funcionário e abrir mão de um ganho dessa ordem é de fato uma deserção, por mais justificável que seja para governos ameaçados pela implosão fiscal.
O escola sem partido já mostrou que é fator de mobilização principalmente de uma área atingida – a dos professores, e bandeira da APP sindicato. Já a questão da licença-prêmio com o governo pagando o residual, o que aparenta um aceno, vai ser tão difícil como é qualquer embate reivindicatório.
Mais cerco
A Lava Jato busca atingir Dilma Rousseff, animada com as delações, agora homologadas pelo STF, do presidente da OAS, Léo Pinheiro. Mas há também, além do caso do tríplex, em que o delator aparece em destaque, as ações de Lula no plano internacional, inclusive de rodovia na Bolívia de 340 km, iniciada e abandonada pela Queiroz Galvão e tocada pela OAS e trancada com Dilma. No meio das declarações há uma de referência a palestras de Lula na Costa Rica e no Chile para influenciar em negócios da empresa. Como sempre Lula negou tudo, acusou a Lava Jato de persegui-lo e negou acertos indevidos.
De qualquer forma é o ativismo da força tarefa, mesmo com os ônus que anda enfrentando em função das revelações do Intercept Brasil e do julgamento que se aproxima das ações de Sergio Moro e que pode culminar com sua culpa e saída do Ministério.
Prejuízos
Levantamento mostrou que as bolsas de estudos no caso da Universidade Estadual de Londrina injetam R$ 2,2 milhões por mês na região. Dá para imaginar o impacto dos cortes anunciados em todo o país, além do prejuízo imediato à ciência e a pesquisa.
Divisão
Persiste a divisão interna do bolsonarismo ante a CPI que pretendem contra o STF, a popularmente chamada Lava Toga. Há manifestações marcadas para o dia 25 pela direita lavajatista em defesa da apuração. Não há sinais de maturação dessa iniciativa pois o pragmatismo da maioria percebeu que dificilmente emplacará, até por suas consequências inevitáveis na imagem do Judiciário. Além do mais, a ligação estreitíssima do presidente Davi Alcolumbre, do Senado, com Bolsonaro será um fator para frustrar a CPI. O presidente do Senado é além de tudo um dos trunfos governistas para a aprovação do filho do presidente, Eduardo, para a embaixada americana.
Hobby de luxo
Lancha avaliada em R$ 6 milhões de uma empresa de fachada acabou indicando o paradeiro do chefe do tráfico internacional de drogas dentro do PCC, André de Oliveira Macedo, preso domingo num condomínio fechado de Angra dos Reis. Pagava R$ 20 mil mensais de aluguel para uma casa cheia de empregados. O homem capturado se dizia empresário e é tido como elemento de ligação com a máfia italiana. Seria correspondente da máfia calabresa 'Ndrangheta na América do Sul. O hobby de luxo, a lancha, facilitou a prisão.
A bola
Há a bancada da bala e a da bola. Essa estava empenhada no projeto de clube-empresa para os times de futebol. O deputado relator, Pedro Paulo (DEM-RJ), colocou emenda que fixava benefícios fiscais, e o Ministério da Economia interveio para se opor ao refinanciamento das dívidas desejado pelos cartolas.
Greve
Docentes das universidades federais ligados ao sindicalismo da área marcaram greve de 48 horas nos dias 2 e 3 de outubro, militância dura contra os cortes orçamentários. Em princípio as bases sindicais entendem como tudo encaminhado, mas aguardam o posicionamento da entidade nacional, a Andes.
Mineração
A Justiça Federal cancelou na Amazônia 96% dos pedidos de mineração em terra indígena com a negativa a 1072 requerimentos de pesquisa e lavra. Esses pleitos estavam numa fila de espera, suspensos no aguardo de uma lei que regulamentasse o assunto. A expectativa é a de que com os últimos acontecimentos e seus efeitos internacionais não será fácil qualquer decisão sobre o tema tão cedo, apesar das posições do governo em sua política ambiental ou até ausência dela.


