Até aqui o governo estadual fez ar de paisagem para a greve dos servidores públicos , face à fragilidade pelo menos já demonstrada com a baixa adesão. Impõe condição para negociar a suspensão de qualquer hostilidade, enquanto se acerta com as polícias civil e militar que suspenderam a operação padrão que desmoralizava o governo com extrema eficácia.

Como o Fórum sindical entende que manter a greve é indispensável às negociações, e isso é rejeitado pela parte decisória, podemos ter cruzamento de retaliações na sequência com a hipótese de o governo pela primeira vez botar em aplicação um plano de desconto dos dias parados que também tem lá suas complicações com o quadro funcional intermediário, e que se incumbiria de apurar presenças e faltas, ser solidário aos grevistas ou pelo menos não dar o apoio logístico à administração. Se a greve crescer, no que o governo não acredita, pode fechar acordo com policiais e deixar mal os sindicalistas no princípio de que só negocia sem o constrangimento da parede. Persiste a amarra e já dá para imaginar os prejuízos severos ao calendário escolar como sempre tem acontecido no tumulto da reposição de aulas, embora dessa vez tudo indica que não será tão demorada. .

Reverso estatístico

Radiografia do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) no mês de maio mostrou o Paraná como único do sul com 1.431 postos, enquanto Santa Catarina perdia 1.159 vagas e os gaúchos 11.207. Dois segmentos –comércio, que sempre é referencial estratégico e indústria - revelam piores índices da década com a queda de empresas nos dois ramos, algo residual da fase recessiva mas também de um ciclo iniciado em 2009. O governo, da mesma forma que o seu antecessor, acena com investimentos de até R$ 20 bilhões. Até os números da promessa são parecidos, mas a confiança é na dinâmica de nossa economia. Por sinal que os indicadores do Caged são insuficientes para detalhar bem os números do mercado de trabalho alternativo, que afinal acabam compensando o baixo desempenho de carteira assinada.

Laranjal abalado

Complicou-se de novo a situação do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, com a prisão de um assessor especial da pasta (Mateus Von Rondon) e mais dois ex-auxiliares por envolvimento no laranjal de Minas Gerais na campanha eleitoral do ano passado. Devassado o esquema de candidatas de fachada, com mais ricos depoimentos, isso pode até ser fichinha perto do sargento que levava cocaína em avião da FAB, mas é mais uma no colo do presidente. Dificilmente o ministro escapa da faxina que foi como Dilma Rousseff chamou a varredura ministerial em seu agitado e combalido governo em sua fase mais moralista.

As desventuras – queda de propostas no parlamento como a da liberação de armas e situações vividas agora no G20 com as grandes potências criticando o trato do Brasil ao meio ambiente e a confusão reinante na falta de coordenação política- explicitam o mau momento de Bolsonaro que teve a aprovação no último Ibope de 32% empatada com a rejeição. E mais: 48% do público condena a forma de Jair Bolsonaro tocar o barco, se é que toca.

Meta inflacionária

Com os registros possíveis de até deflação, como apurado recentemente, é normal a decisão do Conselho Monetário Nacional em reduzir para 3,5% a meta de inflação para 2.022 com intervalo de tolerância mantido em 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Por ora o fantasma está sob controle, o que tem sido um fator positivo em meio a tantos negativos.

Pequenas trombadas

O ministro Paulo Guedes, da Economia, empenhado a curto e médio prazos em ativar o mercado, falou em expandir o crédito privado e com a liberação de R$ 100 bilhões de compulsórios e a autoridade monetária, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, declara em não ter o valor definido por seu empenho em reduzir o compulsório de forma gradual para tornar o mercado bancário mais eficiente.

Password

A operação Password do Gaeco investiga nesse momento se há ligação entre assassinatos do empresário Carlos Azarias e da servidora pública Daniela Pergo com a investigação no esquema de fraude do IPTU em Londrina. Azarias era réu na operação e foi morto diante de sua casa nessa semana da mesma forma que a funcionária. Apesar da agudeza das operações do Ministério Público estadual são incomuns situações como essa, daí a necessidade de fazer as apurações.

Folclore

Nos anos de chumbo a paranoia imperava na Boca Maldita em Curitiba: qualquer figura nova que tentasse entrar na roda era olhada como um possível agente do SNI ou da Delegacia de Ordem Política e Social. Numa manhã eu conversava sobre pescarias com Orlando Carlini, um dos companheiros de aventura, e notamos que quando falamos no poço do Sargento no Rio da Várzea um cidadão se curvava para ouvir o que conversávamos. Foi o suficiente para que o meu companheiro o puxasse para trás, num tranco, quase o derrubando, tão irritado que vivia com esse tipo de intromissão ou até mesmo de simples suspeita.

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