Criou-se uma expectativa de que o STF ratificaria a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado pelos primeiros votos da bancada garantista. Para o bem do povo e das instituições tudo se deu em campo aberto e metabolizado por todas as linhas de opinião. Felizmente a manobra inconstitucional, apesar do remendo retórico, não passou e isso porque houve densa discussão a cada voto revelado.

Não se trata de democracia direta, algo que está no texto de 1988 e ainda mal regulado, já que a elaboração da chamada lei de iniciativa popular não a definiria integralmente. O fato é que o debate desencadeado, ele sim, foi democrático, preservado o espaço representativo.

O contraditório

Vivemos intensamente o processo contraditório com o livre jogo da correntes em conflito e aí se insere muito bem a resistência do ministro Alexandre de Moraes questionando o direito que o Ministério Público Federal e a Advocacia Geral da União reconhecem numa resistência do presidente da República de comparecer a um depoimento na Polícia Federal sobre a sua alegada intervenção na corporação acusada pelo ex ministro Sergio Moro. Lembre-se que o primeiro voto, do ex ministro Celso de Mello, obrigava o presidente a comparecer em sessão presencial sem poder fazê-lo por escrito. Parecia que o desconforto de Bolsonaro estaria superado, mas agora quem opina sobre o tema é o colegiado da Corte. Nos dois eventos, o da reeleição de Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, e esse do depoimento presidencial, nem sempre por vias adequadas, revelam sobretudo vitalidade institucional.

Na marra

Tanto o governador do Estado como o prefeito de Curitiba perceberam que o enfrentamento da Covid-19 não pode ser levado na base do fair play com as taxas ascendentes de contaminação e é indispensável botar forças tarefa no combate às aglomerações como se viu domingo (em que estava interditado o funcionamento do comércio) no fechamento de uma churrascaria das mais populares e que estava lotada. Ainda ontem se discutia outros tipos de sanção à base de multas aos infratores. Países com níveis civilizatórios superiores ao nosso estão adotando com naturalidade medidas de restrição mais agudas e aqui se nota essa tendência pela flexibilização. O Paraná está, há uma semana, ao lado dos estados do sul e do sudeste com níveis elevadíssimos de casos e de mortes. O Brasil (com média móvel de 588 óbitos) registrou 321 mortes entre sábado e domingo, o que já supera 177 mil mortes, mais 26.241 infecções em 24 horas e a somatória de 6,6 milhões de casos, Curitiba com 1.137 novos casos, 17 óbitos e ocupação de 92% das UTIs.

Inflação

A alta de preços de matérias primas e insumos, segundo a Fundação Getúlio Vargas, é a maior captada no país desde o fim da hiperinflação no Plano Real. Preço das matérias primas brutas como soja, milho, carnes e minério de ferro acumula alta de 68% nos 12 meses em outubro.

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