Com a ofensiva da Vaza Jato – e da carga exagerada de interpretações no sentido de desmontar a operação - a força tarefa de Curitiba viveu momentos de aparente paralisia. Aos poucos, porém, tivemos a retomada da ofensiva e isso ficou claro nos últimos dias com a investigação sobre afretamento de navios pela Petrobras em que os mesmos personagens aparecem no comando das denúncias.

De outro lado foram retomadas ações da polícia judiciária relativamente ao senador Flavio Bolsonaro e ao seu assessor, quando deputado estadual, Fabrício Queiroz, com movimentação atípica de mais de R$ 1,2 milhão detectada pelo Coaf. A rotina se restabelece e o ciclo punitivo recupera, pelo menos aparentemente, a sua vitalidade.

O Brasil não mudou muito, tanto que na pesquisa Datafolha houve o ceticismo de boa parte dos entrevistados com relação aos níveis de corrupção. Há um clima novo no processamento e até prisão de desembargadores na Bahia e episódios incomuns como a cana de 19 dos 27 vereadores de Uberlândia, tradução de um país que inova e isso precisa continuar.

Segunda época

A reprovação aos congressistas brasileiros subiu de novo, segundo pesquisa do Datafolha: em agosto estava em 35% e agora alcança 45%, em que pese o fato de as duas casas se encontrarem em momento de aguda participação. Para que se tenha noção do grau de deterioração dos parlamentares basta lembrar que após a eleição a expectativa positiva chegava a 56%.

Tudo isso num momento em que tanto a Câmara como o Senado assumem, e mais que o Executivo, a paternidade das reformas.

CPMF ainda cogitado

Enquanto se discute a reforma tributária, por iniciativa parlamentar, já se sabe que persiste no governo a tese da adoção de um imposto do cheque, uma CPMF filtrada, para fazer face aos problemas fiscais. O presidente Bolsonaro já se manifestou contrário, mas o seu Posto Ipiranga, o ministro Paulo Guedes, não consegue que parte dos quadros da pasta ministerial cogite da hipótese.

Difícil contenção

Ninguém poderia esperar que a entronização das redes sociais, além de tudo que houve na eleição, gerasse problemas tão graves no Judiciário. E não se trata das fake news apenas, mas sim de problemas comportamentais graves como o de críticas abertas entre juízes. Isso levou o Conselho Nacional de Justiça a aprovar normas de conduta entre os magistrados. Bastou porém que se buscasse regular a questão deontológica, ética, para que entidades de classe se queixassem de censura. O país vive um momento excepcional que esgarça o tecido institucional nos choques entre Judiciário e Ministério Público, tudo em decorrência desse liberou geral que está vivo na batalha intrapoderes.

Beto aprovado

As contas do governo Beto Richa relativas a 2016 foram aprovadas, dias passados, na Assembleia. E provavelmente isso se dará com as dos anos subsequentes, posto que nesse tempo tenham ocorrido os fatores que levaram o ex-governador à prisão nos inúmeros processos que responde. É uma solidariedade pela metade com o risco de na sequência dos acontecimentos haver o choque de decisões judiciais possíveis que agravem o quadro e gerem constrangimento aos apoiadores. Da mesma forma que a carreira política do ex-governador se tornou dramática, inclusive com a sua surpreendente derrota para o Senado, esse elo entre a base parlamentar e o governo vai acabar afetando os parlamentares.

A tradição é a de aprovar as contas e quando muito com recomendações que acabam desconsideradas. No Tribunal de Contas, à exceção de sua retaguarda técnica, raramente se tem um caso de desaprovação, a não ser o voto isolado de conselheiro como se deu com Cândido Martins de Oliveira num dos governos de Roberto Requião.

Folclore

Houve um tempo em que o Tribunal de Contas chegou a trazer a Curitiba alguns dos integrantes do Mãos Limpas da Itália para conferências e não se sabe bem como a instituição vê a Lava Jato.

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