Nem Alexandre, o Grande, teve a força do nome tão enroscada numa crise: o ministro Alexandre de Moraes, do STF, vetou a designação de Alexandre Ramagem, alegando vínculos familiares com Bolsonaro, para a direção da Polícia Federal. Agora temos a continuidade da novela que domina o Brasil e se coloca mais prioritária que o enfrentamento da pandemia com a designação de Rolando Alexandre, subordinado de Ramagem na Abin, para a diretoria da PF, na qual tomou posse.

A despeito da tensão que envolve o tema a circunstância de haver tantos Alexandres na disputa só permitiria piada em versos alexandrinos. Em desgraça não há graça.

Incerteza

O cenário, depois de nova manifestação na Praça dos Três Poderes, outra vez apoiada pelo presidente da República, com palavras de ordem contra o Judiciário e o Congresso, é de total incerteza e o pêndulo entre a estabilidade e o descontrole mantém posições em conflito. A designação de Rolando Alexandre foi precedida de reuniões com chefias das forças armadas e com os militares do ministério e isso expressa um possível desafio ao STF, o que foi colocado nas falas de Bolsonaro como sólido apoio não apenas dos militares, mas também do povo que ele via representado nos seus seguidores. A expressão "chegamos ao limite, não tem mais conversa" aparenta liquidar a parada a seu gosto. E aí as frases ganham interpretações de algo que está ainda distante de configurar, de fato, uma situação-limite. O fato é notório de que boa parte da população age como se estivesse numa desobediência civil extrema contra o distanciamento social desejado pelas autoridades sanitárias mundiais e não bastasse a quebra de todos os protocolos no agito de domingo temos em Londrina a Associação Comercial e Industrial disposta a reabrir o comércio ante decisões controversas do Judiciário. Um vale tudo tomou conta das cidades e isso tende a manter o país como mau exemplo de intervenção com mais de 100 mil casos, mais de 7 mil mortos e o Paraná se aproximando de 100 óbitos e com mais de 1.500 casos. Diante disso o agito político é pura autoflagelação e aberto escapismo.

Pichadíssimo

O comportamento do Brasil na pandemia não é pichado apenas por Trump, como exemplo de absoluto descontrole, agora os presidentes vizinhos, da Argentina e Paraguai, temem justamente as consequências em seu território dessa proximidade. Se for atribuído a Bolsonaro o alinhamento do povo à sua postura contra o confinamento, ele, pelo jeito, ganharia a eleição hoje no primeiro turno, tal o desapreço das massas pelos cuidados.

Intimidações

Há um clima de intimidação com a presença reiterada de Bolsonaro em manifestações contra os poderes legislativo e judiciário. Não há outro caminho se não um novo pedido de investigação ao STF por parte do procurador Augusto Aras na configuração da reincidência genérica e específica ou apensar o fato ao procedimento original, cuja denunciação não teve o sentido pedagógico da contenção.

Folclore

Estou na redação da TV Paranaense e o setor comercial me informa que a apresentadora Marma numa reportagem acentuou a última sílaba da palavra semáforo como semafôro. Isso, de fato, repliquei, não passa de um "desáforo".

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