O que ocorreu em Londrina se dá em todo o país: os números de casos de infecção e de mortes ditam o retorno do endurecimento. Houve o mesmo na Região Metropolitana da capital: depois de uma reunião, seus prefeitos decidiram fortalecer medidas de isolamento. A verdade é que o povo não está colaborando, e ao contrário, infringindo todas as normas.

Enquanto isso se capta, em termos nacionais, a queda tanto no número de casos como no de óbitos. Entre terça e quarta tivemos 1.136 mortes (total é de 128 mil) e com novas infecções, 34.208 em 24 horas, já temos 4,2 milhões de casos. O fechamento radical dos bares levou a Abrabar a ir à justiça pleitear que seja concedida aos estabelecimentos a mesma regulação dos restaurantes. O prefeito de Londrina, Marcelo Belinati, vinha sustentando a defesa do comércio, mas 208 casos, recorde em um dia, mais 200 mortes, o obrigaram a endurecer.

Moratória

A questão da tarifa da água e esgoto, aumentada em quase 10%, foi submetida a adiamento por mais de três meses. E agora a mesma terapia é dada às custas judiciais, com a retirada da matéria da pauta legislativa. Não resolve, mas abranda.

Guerra crônica

Impelido por decisão judicial a recontratar os professores PSSs demitidos, o governo se vale da redistribuição de aulas para dificultar a vida desses profissionais, segundo a APP.

Geopolítica

A ideologização tenta recriar os fundamentos da guerra fria na questão das vacinas, e tanto que a Rússia se valeu de um trunfo daquela época, o Sputinik, para consagrar o seu produto. Com a suspensão momentânea dos testes da Oxford, os russos fazem provocações aos concorrentes e vemos de novo a ciência submetida aos exercícios primários da política. A chinesa Sinovac se comprovou segura e produziu resposta em idosos, ainda que mais baixa do que em adultos mais jovens.

É evidente que disputa por vacina é melhor do que no espaço nuclear e da beligerância ou na das disputas em torno de planetas. De qualquer forma soa mal para a verdade científica.

Memória

Mais um ato de desleixo da memória nacional: o acervo do arquiteto Paulo Mendes da Rocha deixa o Brasil, em 9 mil dos seus itens, para ser abrigado em Portugal. Aqui no Paraná, anos 60, perdemos o acervo de Adir Guimarães para a Universidade de Camberra, na Austrália: trata-se de um conjunto de jornais, revistas, livros sobre o Paraná abrangendo da época colonial ao início dos anos sessenta. Assim, quem quiser notícias da terra já aproveita para conhecer o canguru e o ornitorrinco.

Folclore

A postura do governo diante dos problemas de abastecimento nega o seu alegado apego liberal pela intervenção no mercado para evitar a alta do arroz. Essas variações acontecem, pois no New Deal norte-americano, pós estouro da Bolsa em 1929, dos tempos de Roossevelt tivemos justamente um dos maiores liberais da época, John K. Galbraith, cuidando da questão de preços e seus tabelamentos.

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