Retaliação à vista
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de outubro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Retaliação à vista
O cenário circense concluiu o movimento de prestidigitação: os que eram vistos como heróis agora não passam de vilões. E a cada momento um torniquete sobre a força tarefa, o último deles do ministro Gilmar Mendes, apoiado por vários colegas, pede a perícia das mensagens vazadas para apurar responsabilidade e eventuais desvios funcionais. Na verdade, se busca uma forma de validar juridicamente as mensagens envolvendo o pessoal da operação. Acionada, a PGR, Procuradoria Geral da República, verificaria a autenticidade dos arquivos.
O quadro se adensou com as declarações de Rodrigo Janot, primeiro Procurador, e mais ainda com a divulgação de trechos do seu livro que visava fechar um ciclo de ouro de conquistas e acabou afundando ainda mais a força tarefa. De repente quem se sente restaurado é o time da corrupção comprovada, posto que seja inviável reabilitar um Sergio Cabral e um Eduardo Cunha, isso sem levar em conta o empresariado habituado a conseguir feitos com propinas, isso de forma endêmica, tradição brasileira.
Pela comemoração dos colarinhos brancos só faltaria a anistia a beneficiários do Caixa 2. E pelo grau de ceticismo em torno daquilo que era visto como cruzada percebe-se que no país esse tipo de luta já nasce morto, a esperança prestes a ser sepultada.
Prensa
Dois bancos oficiais, Caixa Econômica e Banco do Brasil, estão intervindo na recuperação judicial da Odebrecht. A Caixa pediu a liquidação do conglomerado de construção e no mesmo dia o Banco do Brasil solicitou à Justiça que anule o plano de recuperação da empreiteira. A Caixa quer também que o juiz permita a credores novos nomear administradores para o conglomerado e suas subsidiárias. Segundo se apurou Banco do Brasil, BNDES e Santander estão mais expostos a perdas quando os papéis da Brasken se desvalorizam, enquanto Itaú e Bradesco têm preferência na hora de receber. Esses e mais o BNDES não se manifestaram perante a Justiça.
Entrega
Tanto a Polícia Federal como o Ministério Público investigam se a cúpula do Banco BTG Pactual obteve informes das reuniões do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central.. Tudo isso vem da delação premiada do ex-ministro Antonio Palocci (Fazenda e Casa Civil), que relatou como teriam funcionado entre 2010 e 2012 vazamentos sobre taxa básica de juros. Detalha ainda como se davam as negociações entre o ex-ministro Guido Mantega e o banqueiro André Esteves. Como se recorda, o Ministério Público rejeitou a delação de Palocci por achá-la inconsistente e quem dela se valeu foi a Polícia Federal, que teve reconhecido pelo Judiciário o direito a obter a confissão.
O BTG afirma que nunca foi gestor do fundo investigado.
Mais surreal
Juízes de Goiás, com base na lei de abuso da autoridade, que ainda nem está em vigor, soltaram nove pessoas. Esses réus respondiam por homicídio qualificado, tráfico de drogas, roubo, furto qualificado, desobediência, resistência e ameaça. Na Bahia, em Capim Grosso, um juiz da comarca relaxou uma prisão com base na nova legislação.
Rossoni denunciado
O Ministério Público estadual acaba de denunciar à Justiça o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Valdir Rossoni, pela suposta contratação de funcionários fantasmas entre 1992 e 2010. Nesse tipo de demanda, pelo menos até agora, a responsabilidade era do Diretor Geral, o Bibinho, e em dezenas de casos não houve citação de algum membro da Comissão Executiva. Nesse a denúncia é direta contra o ex-presidente da Casa, num esquema que teria lesado os cofres públicos em mais de R$ 20 milhões. Em 2018 o MP federal acusou-o de peculato por 15 vezes na nomeação de servidores fantasmas.
Isonomia
É estranho saber que o salário de um delegado de polícia em São Paulo seria o segundo pior do país, na base de R$ 10,1 mil, superior aos de Mato Grosso do Sul e Pernambuco, entre R$ 9,1 mil e R$ 9,9 mil. O mais elevado seria o de Goiás, com R$ 24,5 mil. No Paraná, durante bom tempo os delegados tentaram isonomia com a remuneração dos procuradores. Segundo a lista dos sindicatos no Paraná a média salarial seria de R$ 18,1 mil.
Folclore
No jogo de bolinha de gude se admitia como normal que uma brusca ruptura das regras do jogo fosse burlada em favor de um cara mais forte que declarava, em altos brados, a palavra "recolutação", que era um aviso de que iria fazer a limpa das bolinhas casadas e também aquela que estavam no bolso ou na sacolinha, levando inclusive as jogadeiras. Essa palavra recolutação é uma deformada noção de recolutar, uma versão de recrutar, algo que no dizer dos mais velhos vinha da guerra do Paraguai em que se afirmava que o recrutamento era impositivo. O fato é que conjugamos o verbo recolutar de todas as formas e modos.


