Resposta correta
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de julho de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Resposta correta
No momento em que os vazamentos afetam a imagem da Lava Jato, uma frase de Deltan Dallagnol ganha o mais profundo sentido: o fluxo judicial segue com pleno vigor. Mostrar determinação, a essa altura, é a resposta adequada, o que de forma alguma altera o nível de desgaste sofrido, que pode operar como fator de resistência e não de recuo.
Como o processo se dá em vários estados como o de Minas Gerais com a quebra do sigilo telefônico do ex-governador Fernando Pimentel na investigação que apura beneficiários de desvios de R$ 40 milhões da Cemig, a Copel de lá, é indispensável essa vitalidade, como se dá em São Paulo e Rio com maior frequência.
Para compensar esse fato positivo, mais um negativo do ministro Sergio Moro ao sugerir a destruição dos dados até aqui colhidos nos vazamentos. Faz lembrar uma anedota que o criminalista Renê Dotti conta dos seus tempos de ator teatral: numa cena é preciso queimar uma carta, e como falta um fósforo o documento é rasgado e o personagem que deveria dizer sentir um cheiro de papel queimado fala em odor de papel rasgado. Ou triturado, no caso.
Paradoxos
Numa ordem em que se reforçam o poder de polícia e a segurança, soa irônico pegarem num avião da FAB um componente da comitiva presidencial com três quilos de cocaína e haver um assalto de viaturas clonadas com roubo de 720 kg de ouro no aeroporto de Guarulhos. Seria demais que tivéssemos ações preventivas contra hackers.
Lúdico
Essa alegação do hacker Walter Delgatti Netto de que teria repassado o conteúdo a Glenn Greenwald de forma anônima, voluntária e sem cobrança financeira foge ao estilo e ao escopo do grupo que agia como Gerson no anúncio do cigarro empenhado em buscar vantagens. Essa generosa doação criou toda a tensão política atual do Brasil e dá a impressão do exercício de um ato lúdico, de jogo, do autor como se estivesse em disponibilidade existencial.
Previdência
Há um plano B no governo estadual se a reforma previdenciária, no Senado, não absorver estados e municípios: implantará a sua por imposição dramática de um deficit de R$ 8 bi ao ano e que cresce de R$ 700 milhões a R$ 1 bi por exercício, registros de 2019 e 2020. Como é que o ex-governador Beto Richa sugeria que o estado se encontrava com saúde de vaca premiada é que não dá para entender. O Paraná está um pouco melhor nesse particular do que Minas e Rio Grande do Sul em que os déficits previdenciários anuais chegam a R$ 18 bi e R$ 12 bi.
Reação
O governo federal não festejou, mas discretamente destacou o melhor resultado para junho em número de carteiras assinadas, e isso desde 2013, de 48.436 pelo Ministério da Economia. É verdade que de 2002 a 2013 a média para junho era de 175,1 mil e que em 2008 atingiu o pico de 309 mil. Ocorre que saímos de uma recessão (2016) e caminhamos para outra. O Paraná fechou junho com saldo positivo de 158 vagas decorrente de 90.992 admissões e 90.834 desligamentos. O total de janeiro a junho no estado é de 629.437 admissões e 589.419 desligamentos. No Brasil o saldo no ano é de 408.500, superior ao primeiro semestre do ano passado, com 392.461 empregos.
Nuvens carregadas
No radar do governo estadual a maior bronca, que era a dos salários represados há mais de três anos para servidores estaduais, é substituída pelo conflito com as universidades estaduais, quatro delas em greve quanto à identificação de sua autonomia a ser anulada por nova mensagem governamental para gerir o setor, transformadas em autarquia dependente do poder central. A linha de argumentos oficiais é a mesma da manutenção do congelamento salarial: a de o governo haver ultrapassado o permissível em gastos crescentes com pessoal, conforme os ditames da LRF, Lei de Responsabilidade Fiscal. O projeto implica em fim de cursos, que não tenham a frequência proposta na relação proporcional entre professores, funcionários e alunos e há perspectiva de perda de empregos, conforme alegação dos reitores. É a batalha do segundo semestre, do qual a minoritária oposição buscará espaço. Não há a perspectiva de conflitos em função do recente enfrentamento com a greve e a acomodação dos sindicatos à realidade de que não haveria recursos. Isso ficará claro agora com a retomada dos trabalhos legislativos e a sanção da mensagem com os 2% em janeiro. Dá para imaginar o escândalo que haveria se o governo pagasse, em meio a tantos sacrifícios, por ato judicial ou administrativo, o que se pretende quanto às obras do estádio da Arena da Baixada.
Folclore
Houve um tempo, até os anos sessenta, que os universitários eram o fator de vitalidade social de Curitiba com suas disputas desportivas, o Chá de Engenharia (segundo Dalton Trevisan as moçoilas aprendiam de tudo menos a fazer chá) e especialmente o Trote, que era mais forte, muito mais do que o carnaval da cidade. Num show anunciavam a Tomada da Bastilha, sarro com a revolução francesa, em que um calouro tomava uma drágea e um copo d'água. Ou então a apresentação do coro (coral) da Medicina em que vários estudantes desfilavam com um coro de animal selvagem. Hoje tudo se resume ao banho de lama.


