Respiro na economia

Se na política não há espaço para respiro, como se vê na canibalesca disputa do PSL, na economia isso é possível com o registro do Caged de 157,2 mil vagas de trabalho com carteira assinada em setembro, melhor desempenho desde 2013. Para o Ministério da Economia, um feito que o setor político, neste momento, não pode apresentar pelo racha conduzido pelo próprio presidente no partido que o consagrou.

Esse feito se repetiu em todas as unidades federativas e o Paraná consolidou o melhor ano na geração de empregos: 59.925 novas vagas, melhor feito desde 2014. No ranking de todo ano o Paraná aparece em quarto lugar: 939.611 admissões contra 880.316 rescisões. Envolvido nas teias da confusão que criou no PSL, Bolsonaro assistiu à derrota parcial do seu grupo no racha partidário e nem pode celebrar o dado importante da melhora na economia. As pulsações da economia são mais duradouras do que as da política, ainda mais quando o cenário indica uma briga de navalha em quarto escuro

Incontinência

Quando a incontinência verbal atinge níveis sublimes como os do dia 17 no PSL, todos se igualam e dentre as coisas marcantes vimos o Delegado Waldir anunciando que detonaria o presidente, o que depois, mais equilibrado, não repetiu. Houve ameaças de lado a lado de gravações comprometedoras e retaliações como a destituição de Joyce Hasselmann do posto de líder no Congresso e com o repique do outro lado com a suspensão de cinco bolsonaristas.

No levantamento do divisor entre Bolsonaristas e bivaristas a coisa está meio empatada, mas no momento não há o mínimo clima para que haja mediação a não ser que haja consciência do risco real ao partido e ao governo e com prejuízo visível na tramitação das reformas e da maquiagem ou cirurgia plástica na administração.

A tentativa de substituir o Delegado Waldir por Eduardo Bolsonaro motivou o grupo contra o presidente a ganhar força e a ver na manobra uma tentativa de assegurar a embaixada dos EEUU até a sabatina no Senado. Enquanto nos disputantes havia clima de cenhos cerrados quem sorria era a oposição, que se mostra incapaz de criar dificuldades com 10% do impacto gerado pelo racha.

Grampos

O pedido de Jair Bolsonaro para que apoiassem o seu filho em lugar do Delegado Waldir foi grampeado e usado como chantagem. É tempo de renovação da sacanagem em níveis jamais ocorridos. É tempo de gravação de som e imagem e do voyeurismo como norma. A baixaria caminha para expressões estéticas inimagináveis.

Temerização

A absolvição do ex-presidente Michel Temer da acusação de obstruir a justiça é algo claro para mostrar que o ciclo punitivo da Lava Jato perdeu força. Afinal, por duas vezes Rodrigo Janot, hoje também desgastado com a publicação de suas memórias e da tentativa de homicídio contra o ministro Gilmar Mendes, foi contido em suas representações pela maioria parlamentar da Câmara. Julgamentos de agora não ignoram as revelações do Intercept Brasil e até aquela gincana do Rocha Loures pelas ruas de São Paulo com toda a bufunfa é vista com outros olhos e mesmo com pena de todo aquele nervosismo e de repente até aqueles R$ 50 milhões num apartamento emprestado não parece prova suficiente de criminalidade contra Geddel, a mãe e o irmão. É por isso que o Lula insiste em apenas ser inocentado e com a anulação de todos os processos. Para completar o quadro tivemos o Ministério Público Federal pedindo a absolvição sumária de Lula e Dilma (mais Antonio Palocci, Guido Mantega e João Vaccari Neto) no processo do quadrilhão do PT.

FHC no gol

No quarto e derradeiro volume dos "Diários da Presidência", Fernando Henrique Cardoso se descreve como um goleiro de Lula contra a desconfiança da comunidade internacional. Ele se sentia assim diante da reação externa que pretendia meter a bola entre as pernas do ex-presidente. FHC se converteu em defensor de Lula, mesmo depois de meses tendo os mesmos temores que depois buscou dissipar. Do governo Bolsonaro, FHC tachou como reacionário e antiquado.

Borra de óleo

Em passado distante, lá pelos anos 70, era comum ver placas de borra de petróleo nas nossas praias. Depois essa anomalia sumiu para ressurgir agora como uma tragédia ambiental, e com dimensões bem maiores, pelas manchas que disparou no Nordeste ameaçando fauna e flora marinhas. Admirável o trabalho de voluntários na limpeza das praias, mas a não explicação do fenômeno é inquietante, ainda mais depois que houve aquela precipitada acusação a Venezuela como causadora do desastre.

Folclore

De futebol há aquela de um Atletiba no Couto Pereira que mal durou meia hora. O coxa abriu a contagem e o rubro-negro empatou. Na hora do gol o ponta-esquerda Cireno arrancou o boné que protegia a cabeça inteiramente calva do goleiro Belo, que saiu correndo atrás do atacante. O juiz expulsou o goleiro e os dois times não continuaram o jogo num clima anticlássico, já que todos ficaram no gramado batendo papo, enquanto persistia a paralisia.

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