Relação forte
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
Luiz Geraldo Mazza 
O meu convívio com esta FOLHA é de 1970, época em que tinha dificuldades para trabalhar em jornal em função de ser atingido desde 1964 pelo Ato Institucional. Devo a João Milanez a ruptura dos bloqueios que animou Cunha Pereira, da RPC, a me convidar para um programa de esporte e, na sequência, me levar à condição de editor do jornalismo do Canal 12. De 70 a 80 escrevi a coluna "Curitiba Especial" e retornei em 1992 e até agora aí permaneço.
Dá para captar o quanto de emoção eu guardo por esse engajamento num jornal que mantém um dos maiores níveis de liberdade entre os mais de 20 em que trabalhei, inclusive na "Folha de S.Paulo", onde escrevi, durante quase dois anos, semanalmente na coluna da página dois, reservada ao Paraná e que tinha como destaque Claudio Abramo a encabeçá-la. Ontem, no meio das celebrações dos noventa anos, dentre as quais aquele destaque de capa foi motivo para relembrar tanta coisa afirmativa nessa relação densamente profissional e afetiva.
Origem laboratorial
A missão que estuda a origem da pandemia da OMS entende como improvável que tenha ocorrido um descuido laboratorial. E isso me fez lembrar de uma ocorrência aqui no Paraná no Instituto de Biologia e Pesquisas Tecnológicas, origem do atual Tecpar, num dos segmentos um pesquisador soltou pelo ralo caramujos transmissores da esquistossomose com vida e que acabaram levados para um braço de rio e houve uma luta imensa para eliminar esses focos, inclusive se apurando que a solução empregada concentrava mais cálcio nas carapaças e não eliminava o tapius glabratus.
Aulas
Há insegurança na questão do retorno das aulas presenciais ou híbridas e o exemplo é o da decisão do TJ ao suspender a volta às aulas em Londrina. Já a APP-Sindicato chegou a colocar especialistas (Jesem Orellana e Lucas Ferrante, que operam na Amazônia) nas redes sociais para falar sobre os riscos das aulas em meio ao quadro pandêmico. Também pais e mães num encontro virtual manifestaram preocupação e até apoio a eventual greve.
Doença infantil
O ministro Edson Fachin, derrotado na questão do acesso de Lula às conversas entre Moro e os procuradores (4 a 1), valeu-se de metáfora clássica para um ensaio de autocrítica sobre a operação, chamando os transbordamentos inegavelmente havidos de "doença infantil do lavajatismo", como tratadistas da esquerda mundial denominaram suas deformações como "doença infantil do socialismo". Criticou o autoritarismo, a militarização, a intimidação dos poderes e disse que a Lava Jato chegou ao andar de cima e que a operação não só não acabou como teria "mal começado". O fato é que a naturalização da corrupção, como se fosse tempero da nossa forma de praticar a democracia, carece de outras etapas de combate.
Desmatamento
O vice Hamilton Mourão anunciou ações contra o desmate na Amazônia e agora só falta Jair Bolsonaro tirá-lo do conselho amazônico da mesma forma que o afastou da reunião ministerial.
Folclore
Estava pronto um "jaboti" para o auxílio emergencial no retorno da CPMF. Nosso caráter é fogo.


