Reformas em crise
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sexta-feira, 13 de setembro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Reformas em crise
A derrubada de Marcos Cintra, secretário especial da Receita, não é uma garantia de sepultamento da CPMF, ora com matizes diferenciados. Ocorre que o ministro da Economia, Paulo Guedes, também a defendia, mas afastá-lo seria como tirar Neymar da seleção, porque é dele que se espera o sinal de destravar o mercado. Mesmo na recuperação da cirurgia que enfrentou, Bolsonaro agiu teatralmente ao sugerir que Marcos Cintra fosse exonerado.
Como há três projetos de reforma fiscal, percebe-se que o trauma adie a tal proposta oficial que viria de uma fusão dentre as até agora colocadas. Dentre as 114 emendas na Câmara, quatro delas ressuscitam a CPMF. O presidente havia dito que se houvesse um ganho significativo para a população o imposto hostilizado seria palatável face à expressão da compensação estabelecida. Nenhum gênio apareceu para imaginar o ganho compensatório. sugerido por Bolsonaro, e sobrou para aquele que mais doutrinava sobre a CPMF.
Agora se confia nas soluções emergenciais no sentido de ativar a economia e é claro que essa tarefa é de Paulo Guedes, cuja equipe se debruça sobre o tema há muito tempo.
Embora os liberais estejam comemorando a queda do tributo sobre transações financeiras, recomenda-se vigilância porque já havia um clima de percepção menos furiosa. E como ensinava o Clube da Lanterna nos tempos da direita inteligente de Carlos Lacerda "o preço da liberdade é a eterna vigilância."
Coaf de novo
O Ministério Público do Rio de Janeiro está com um relatório do Coaf indicando movimentação atípica de R$ 2,5 milhões na conta do deputado David Miranda abrangendo o período de abril de 2018 a março de 2019. O parlamentar alega que os valores são compatíveis com sua renda. Em sua defesa, ele disse que além dos R$ 33,7 mil como parlamentar é sócio do marido jornalista Glenn Greenwald, editor do The Intercept Brasil. Os mil olhos do doutor Mabuse são a rotina dos nossos dias. Vejamos as coincidências: o relatório foi enviado ao Ministério Público em 11 de junho, dois dias após a publicação da primeira reportagem do Intercept sobre a Lava Jato.
Por falar em Lava Jato, se anunciam para outubro no STF alguns julgamentos que dizem respeito à operação no exame da constitucionalidade das prisões pós decisão de segunda instância, e o caso da sentença de Moro a Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras, revista recentemente pela corte. O ativismo da Lava Jato como ações desencadeadas contra o governo de Dilma Rousseff mostra que procura dar respostas aos questionamentos ao manter a linha punitiva.
Dengue
Até 24 de agosto foram diagnosticados no Brasil 1,43 milhão de casos de dengue, uma elevação estatística de 599,5% sobre igual período de 2018. O Ministério de Saúde antecipou em dois meses nova campanha para deter a marcha da doença. Aqui também a doença é uma prioridade pela incidência em vários municípios. E temos ainda, em escala nacional, o sarampo, com o que revelamos descuidos na questão profilática.
Privatização
O governador de São Paulo, João Doria, está empenhado nas privatizações: já conseguiu a extinção da Dersa, foco de corrupção de governos tucanos, na Assembleia Legislativa, e agora pretende o mesmo com a estatal de remédios. Parece uma corrida contra o mesmo objetivo do governo central, que ameaça, ameaça, mas não faz. Ocorre que tanto a Dersa como agora a Furp, maior fabricante pública de remédios do país, essa inclusive objeto de Comissão Parlamentar de Inquérito, levam a oposição a afirmar que o governador quer jogar anomalias para baixo do tapete. Com maioria folgada parlamentar e muita submissão, as conquistas deixam de parecer milagre.
Aqui no Paraná fala-se muito em desestatizar e investigar, mas a CPI recente da JMK, o caso da frota pública, revela descrença em seus resultados e deputados se queixam de que há demora demais em apurar anomalias. A preocupação em identificar culpas do governo anterior como também do atual dificultam acertos parlamentares.
Correios
Embora com apoio parcial, tanto em Curitiba como em Londrina (20% aderiram), a greve dos Correios vai mudar de rito porque a empresa entrou no Tribunal Superior do Trabalho com pedido de dissídio coletivo. Reposição pleiteada é de 3,8% para cobrir a inflação e a empresa ofereceu apenas 0,8%. No meio de tudo a discussão sobre a privatização.
Folclore
Quem inventou a carne de onça, petisco curitibano, está em discussão de novo. Versão oficial é que quem o criou foi Cristiano Schmidt, que tinha um boteco perto da praça Tiradentes e que o goleiro Duia é que teria sacado o nome ao dizer que aquela carne crua nem onça aceitaria. O dono do bar era dirigente do Britânia, que chegou a ser seis vezes campeão de futebol. Outra versão é que o criador foi o Onha, dono de restaurante popular. De carne de onça a melhor foi de um cronista social que ao ver o reclame exposto no balcão se dispunha a denunciar crime ambiental.


