Persiste a queda de braço entre o ministro Luiz Henrique Mandetta, da Saúde, e não apenas o presidente da República como também de grande parte do ministério, isso desde a entrevista à Rede Globo, quando as críticas a Bolsonaro se tornaram mais nítidas. Para a ala militar, habituada à disciplina e hierarquia, a coisa extrapolou. Ocorre que as partes são condicionadas a variáveis políticas e a demissão cogitada não evitaria o martírio e suas sequelas, dando a Mandetta o halo de heroísmo sacrificado, daí as hesitações que certamente ampliariam a cotação do ministro, que tem mais do que o dobro da atribuída ao presidente.

Espera-se o momento apropriado para que isso ocorra e com menor ônus possível, o que é tão vago como imaginar, sem vacina, distanciamento e quarentena até 2022, como sugere estudo da Universidade Harvard.

Retorno

Em ritmo ainda lento indústria e construção civil retomaram ontem suas atividades em Londrina: estimativas no setor metalmecânico indicam a reativação de 400 empresas e 15 mil trabalhadores e na área da construção civil 800 construtoras e 10 mil funcionários. Adotadas com o rigor possível as medidas de profilaxia nesses casos e na abertura do comércio programada para o dia 20 enfrentarão dificuldades decorrentes da longa fase de distanciamento para que retomem o ritmo normal.

Números contidos

Não há rigor nas estatísticas tanto na incidência de casos como na mortalidade específica ante a ausência de melhor coordenação e das subnotificações. Comparações daí com a situação em outros países se torna impossível. O pico da letalidade pela Covid-19 de 204 vítimas no dia 14 expressa 6% da média diária em período anterior à pandemia. Analogia inviável com o quadro de países como Espanha, Itália e Estados Unidos em que nos piores dias de mortes pela doença alcançam 82%, 52% e 27% da média anterior ao surto, respectivamente. Não é motivo para acalmar, mas sim colocar em prova as nossas frágeis estatísticas.

EUA contra a OMS

Há uma indisposição desde o início do governo Trump de restrições e afastamento dos órgãos multilaterais (ONU, Unesco, etc) e que agora ganha tom dramático ante a Organização Mundial de Saúde acusada de privilegiar a China e por isso alvo de interrupção de contribuições, as maiores dos consócios. É a perplexidade diante do flagelo levando à ideologização, uma versão atualizada de Guerra Fria, com o presidente americano acusando a OMS pela expansão do vírus por acreditar nos dados passados pela China. Haverá eleições nos Esteites e tudo o que se der agora entra em avaliação por seus efeitos. No Brasil há também esse tipo de influência, consideravelmente menor porque envolverá apenas municípios, cogitada até de adiamento.

Outra polarização forte é o divisor médico entre adeptos da cloroquina e o rigor do afastamento no enfrentamento da pandemia. Ideologizada como está, afasta-se cada vez mais da racionalidade, posto que grupos de estudos tenham desaconselhado dosagem alta do produto encampado pelo presidente e até produzido em escala industrial pelo Exército.

Folclore

Nessa questão da terapia a melhor definição e a mais bem humorada foi a do cientista que a comparou a um BBB, a medicina julgada e decidida em auditório.

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