Recuo óbvio
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quinta-feira, 23 de maio de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Recuo óbvio
Pegaria mal o presidente Bolsonaro envolver-se nas manifestações programadas para domingo próximo, daí parecer sensata a decisão de não fazê-lo. Seria um caso extremo de culto à personalidade e, sobretudo, redundante. Aconselhou aos membros de sua equipe postura equivalente e acentuando que o evento, apropriado à democracia, deve evitar agressões de traço institucional como as que apareciam nas redes sociais contra Congresso e STF, até porque dificultavam o andamento da reforma e num momento delicado em relação às Medidas Provisórias.
O acordo do centrão com o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, para votar nesta semana a MP que reorganiza a estrutura ministerial provocou o isolamento do líder do governo, Major Vitor Hugo, e houve bate- boca pesado no encontro de lideranças. Um pouco de lubrax é indispensável na mecânica parlamentar.
Universidades
O fato de o governo paranaense não fixar cortes nas universidades não significa que a situação é tranquila e o governador Ratinho Junior foi enfático em relação ao peso orçamentário dessa área, mas que envida todos os esforços no sentido de solucioná-la. Ocorre que há uma espécie de doutrina, cultuada inclusive pela hierarquia funcional dos reitores, em torno da tal da "autonomia", com a pretensão absurda de desvinculação de tais normas relativamente à receita, ainda mais com o império da Lei de Responsabilidade Fiscal. É possível ganhos de gestão e lembro que num desses embates no governo José Richa, o mais intensamente democrático que tivemos por força da arregimentação das partes, que Belmiro Valverde Castor Jobim, do Planejamento, detectou numa das universidades centenas de peões em serviços de jardinagem e paisagismo.
Reitores se defendem corporativamente e reagem a qualquer tentativa de aprofundamento na investigação com gastos de pessoal, gratificações, no que expressam o sentir da comunidade. Ao governo cabe o papel de persuasão de seus propósitos, mantendo, o quanto possível, o diálogo que nunca poderá ser tido como ocioso. Afinal, são todos parceiros na crise.
Intragável
Nosso amadurecimento institucional, sabidamente precário, é ainda insuficiente para que se cogite como rotina ações indenizatórias da indústria tabagista o ressarcimento com terapias, das menores às heroicas, o que a Advocacia Geral da União estaria pretendendo. No mundo civilizado já é comum, mas a resistência do setor, grande contribuinte da União, sempre se impôs, tanto que levamos meio século para abolir a propaganda do produto e chegar hoje ao refinamento até de expungir referências de merchandising no cinema, no teatro e na televisão. Nos Esteites, por exemplo, nos últimos vinte anos, a indústria tabagista já pagou mais de R$ 500 bi de reparações.
Das tímidas advertências em letra imperceptível até o uso da mensagem falada para apoiá-la nos anúncios de televisão levamos décadas. Como temos o "lobby" das armas (vide a confusão atual) com a sua bancada da bala, o do tabaco está meio sem força, às voltas, no entanto, com o mercado paralelo dos produtos de pirataria.
Beto & Azeredo
Com a decisão do PSDB de investir pesado na questão ética ao ex-governador e ex-senador mineiro Azeredo, aquele do mensalão, que precedeu o do PT, não restou alternativa se não a de retirar-se do partido, até porque se encontra preso devidamente condenado em segunda instância, ainda que acreditando em recurso. Derrotado na eleição senatorial, Beto Richa, ainda não condenado, mas sob vários processos, não revela empenho em retomar atividade política, na qual é um dos recordistas como prefeito de Curitiba e governador, eleito e reeleito no primeiro turno, hoje visivelmente abatido com os acontecimentos e a carga processual tanto em nível federal como estadual.
Surpreendente no caso de Beto Richa o esgotamento de capital político em tão pouco tempo, embora a anomalia da avalanche que arrastou o sistema e levou junto o seu adversário, governador e senador varias vezes, Roberto Requião de Mello e Silva, mas que ainda manda no MDB com a força de espírito apegado à matéria.
Mais fermento
A assessoria técnica do deputado estadual Homero Marchese, PROS, fez estudos econométricos das planilhas da Sanepar e procedeu recontagem mostrando que o valor de reajuste deveria baixar de 12,15% para 5,58%. O documento foi enviado ao Tribunal de Contas, que recentemente decidiu pela suspensão do reajuste ao detectar incongruências. Precisamos estimular, cada vez mais, investigações desse porte em todas as áreas, a democracia agradece.
Folclore
A Boca Maldita de Curitiba deixou de ser o palco preferencial da política. Quando estava em seu apogeu o então deputado de Apucarana Valmor Giavarina, para tirar sarro de derrota dos coxas para o time de sua cidade no Couto Pereira, botou um passarinho numa gaiola na calçada diante dos cafés. Era uma referência ao ponteiro direito Passarinho, que iria para o Coritiba e conquistar títulos. Naquele jogo ele fez todos os três gols do Apucarana.


