A decisão da Câmara Municipal de Londrina de mexer no horário do comércio, sem ouvir sindicatos, a partir de uma alteração no Código de Posturas, não é fato isolado. Expressa um ciclo que vem com a reforma trabalhista de Michel Temer e se aprofunda com as ações do governo Bolsonaro visando a desregulação em nome da livre iniciativa. Tudo isso feito com o sentido de coibir excessos como os da CLT, realmente existentes, mas reclamando equilíbrio para evitar o aprofundamento da precarização do trabalho.

A fragilização do poder sindical é uma das consequências, como se vê na greve petroleira (por causa do fechamento da unidade de fertilizantes de Araucária e demissões decorrentes) com a decisão do TST mandando a volta de 90% ao trabalho em função de uma ação de dissídio coletivo da Petrobras e também nas dificuldades dos sindicatos de servidores do Paraná nas negociações sobre o recadastramento para o desconto em folha do funcionalismo.

O pior é que centrais sindicais, com a perda do Imposto Sindical, se mostram fragilizadas, quadro que se estende às bases. Algo precisa ser feito para evitar o obscurantismo.

Também na ecologia

A retração oficial com respeito ao meio ambiente é outra das marcas dos nossos dias e isso não está só nas agressões à Amazônia como a frouxidão expressa no Paraná no caso da Mata Atlântica com as polêmicas obras de infraestrutura em Pontal do Sul. É preciso lutar para que a "inovação" não extrapole.

Dengue é pior?

O ministro da Saúde, na GloboNews, disse que a dengue, como realidade imediata, é mais grave que o coronavírus: em 2019 houve mais de 1,5 milhão de casos com 782 mortes. No Paraná se aproximam de 15 mil o número de casos, com sete mortes, e temos já mais de 50 municípios em situação epidêmica.

Conflito

A pendenga entre o PSL e os bolsonaristas segue: a Executiva suspendeu 17 parlamentares governistas, na qual figuram dois paranaenses, Aline Sleutjes e Filipe Barros. Pelo vulto da punição será inevitável a provocação da justiça eleitoral, caso o diretório nacional da legenda ratifique essa orientação.

PIB muda

Queda de 1,1% no ano passado da indústria, bem distante do seu pico de 2011 (2,5% em 2017 e 1% em 2018), muito distantes dos 10,2% de 2010, em função da retração no setor extrativo (tragédia de Brumadinho na Vale) cortou embalo otimista das previsões sobre o PIB para este ano em razão do surto na China do coronavírus e suas implicações na economia global que devem contribuir fortemente para a desaceleração de atividades no Brasil no primeiro trimestre. Em função disso economistas revisam para baixo as estimativas. Essa lentidão, admitida como inevitável, reforçava a hipótese de o Copom adotar o corte ontem da taxa básica de juros.

TJ e Flávio

A Polícia Federal deu ganho de causa ao senador Flávio Bolsonaro nas investigações, mas logo em seguida o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro decidiu ontem por 2 votos a 1 manter a decisão de quebra de sigilos bancário e fiscal do parlamentar. O Ministério Público do Rio apura a prática de "rachadinha" no antigo gabinete do então deputado estadual de fevereiro de 2003 a janeiro de 2019. Essa mais recente decisão é da 3ª Câmara Criminal, e valida a decisão do juiz Flávio Itabaiana que era contestada pela defesa.

Agora uma incumbência delicada para a Polícia Federal: investigar o chefe da Secom, Fábio Wajngarten, em função de solicitação do Ministério Público Federal sobre supostas práticas de corrupção passiva, peculato e advocacia administrativa. O acusado afirma que provará inocência. Mais um complicador na tensão intrapoderes: esforçavam-se deputados ontem para derrubar decisão do STF que cassou o mandato de Wilson Santiago (PTB-PB).

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