Ratinho leal

Em várias oportunidades Ratinho Junior se alinhou com o presidente, a mais recente a de um manifesto de 13 governadores contra o decreto que facilitou acesso a armas no país e que não assinou, como também não criticou os cortes nas universidades federais. Tenta - e o faz com algum sentido - em posicionar-se sobre o tema ao não adotar restrições na área das universidades estaduais, posto que se saiba tratar-se de assunto vulcânico que agrava o orçamento público em R$ 2,5 bi. Identificações no estilo são muitas, ainda que o governador seja mais articulado no convívio, entre elas a queda de ministérios e secretarias, ambas até aqui mal resolvidas, uma com o abacaxi estadual de ajustar fusões e transfusões de órgãos e evitar paralelismos e superposições, e outra com a urgência da Medida Provisória que está para caducar e mexe com a estrutura ministerial.

Quem, porém, está mais solidário ao governo no embate com os parlamentares é o presidente da Fiep, Edson Campagnolo, que acusa o Congresso pela crise na resistência, centrada em absurdos, contra as reformas. Lembre-se que a uma certa altura da pré-campanha esteve na cogitação de figurar na chapa vencedora. Tem uma restrição ao governo federal na investida contra o sistema S, cujas virtudes não são compensadas pelo fisiologismo corporativo. Essas restrições têm sempre justificativa no interesse do estamento, seja industrial ou comercial.

Do ovo ao milk-shake

Nas turbulências de ruas melhora pelo menos o nível do instrumental empregado para agredir adversários: pedras e paus foram substituídos por símbolos ligados à produção, antes os ovos, tomates e agora os milk-shakes e isso pintou no Reino Unido por conta das controvérsias insolúveis do Brexit. Lançar o produto nos que apoiam a saída do país da União Européia é moda e a vítima foi Nigel Farage, que comanda o Brexit em Newcastle.

Se na Inglaterra, fundadora das instituições, lá nos anos mil e poucos com a primeira Carta Magna do Rei João sem Terra (não confundir com os nossos cada vez mais esquecidos), há um cenário desses dá para imaginar o tamanho da nossa comédia-pastelão quando, por exemplo, à maneira das cenas hilárias do cinema, partirmos para o lançamento de tortas, uns nos outros, que parece mais apropriado e educado do que se vê nas redes sociais.

Ironia

Discute-se agora se o governo estadual pode intervir nos acordos de leniência feitos ou em andamento nas pedagiadas e o Ministério Público Federal alega não haver propósito e que se a administração pretende ressarcimento deve buscá-la na justiça. É muita cara de pau: governo se omite ou se compromete e depois quer levar algum. Aliás, se há alguma instituição que tem vivido o tempo todo de leniência é o governo, seja de qualquer nível.

Moderação

Como lecionava Horácio, o clássico, com a moderação nas coisas, "modus in rebus", embora a direita como a esquerda com a cultura de rebanho dificultem sua transmissão, há mediação entre bolsonaristas no sentido de aplacar, o quanto possível, o radicalismo nos protestos do fim de semana. Muitos, inclusive, acham um tiro no pé um apelo desses logo em início de governo. Havia, como se sabe, uma orquestração antiinstitucional, e pelo meio preferencial das redes sociais, agredindo o Congresso e o STF, e isso é o ponto mais crítico no enfoque atual por seu indisfarçável autoritarismo. Um oceano amarelo nas ruas das principais cidades é a imagem desejada pelos mais pacíficos, o silêncio ruidoso dos tambores silenciosos do passado integralista. O que não se pretende é poupar o centrão.

Cerveja de novo

Finalmente a justiça decidiu pela volta da cerveja nos estádios de futebol e isso já pode se dar hoje na Baixada, no jogo entre Athletico e River Plate. Quinze desembargadores votaram a favor e quatro contra o que prevalecia desde o ano passado. A preocupação parecia superdimensionada e sem reduzir índices de violência. A tolerância com as organizadas é demais e por vezes com apoio direto das diretorias que as utilizam para suas ações eleitorais. O que precisamos é de mais famílias e crianças nos estádios e de experiências como a dos jogos aos domingos em arenas superlotadas. Faz bem ao espírito.

Mobilidade

Um dos problemas de acessibilidade urbana é o dos catadores de lixo, que com seus carrinhos (às vezes pirâmides de tosca engenharia) também vagam pelos espaços das bicicletas e agora de patinetes, patins e skates. O ex-prefeito Gustavo Fruet cortou-lhes a ascensão social ao proibir o uso de carroças sob o fundamento de que havia maus tratos com os animais. Quem mais anda nas cidades é o pedestre, e um paranaense, de Ponta Grossa, dirige entidade nacional em sua defesa, Eduardo José Daros, que presidiu inclusive o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, Ipea, como integrante das equipes de economistas de Ney Braga para cá, toda uma geração de discípulos do coronel Alípio Ayres, introdutor do planejamento na terra. Daros estudou nos Esteites com Paul Baran, marxista, mas de Marx preferia Grouxo, aquele que não admitia ser sócio de clube que o aceitasse.

Folclore

Fala-se muito na habilidade de Paranaguá em apelidar pessoas, rivalizando-a com Floripa, mas entre frequentadores de bares próximos da Praça Osório na capital havia um cidadão chamado de juiz substituto porque vivia com uma viúva de magistrado.

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