Quem policia a polícia


A existência de órgãos como a Corregedoria visa de forma tradicional encarar nas instituições a ocorrência de desvios, seja na polícia, no judiciário, no legislativo. Fica visível a amarra de nível corporativo para dificultar sua atuação. Foram os corregedores – especialmente os primeiros - do Conselho Nacional de Justiça que pareciam inovar, tantos os impactos que provocaram. 


A tradição no serviço público não é boa e houve extrema dificuldade em fazer o controle externo no Judiciário, como se dá também em outras instituições. Tenta-se atribuir ao Ministério Público o controle da polícia judiciária, mas os conflitos entre polícia e MP ficaram bem visíveis na disputa pelas delações premiadas nos casos de Palocci e Sérgio Cabral e sob contestação no STF. Agora estamos com uma investigação em andamento contra policiais, inclusive da hierarquia, em Londrina, e a cada ocorrência como essa há a esperança de se encontrar um ponto seguro nesse tipo de intervenção. 




Redundância 

O que se pode esperar do praticante de informes nas redes sociais quando chamado a depor numa CPMI: justamente isso, a redundância do hábito das fake news, nada mais. Resta que o poder legislativo aplique o que manda a lei, conforme o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, está cobrando pelo falso testemunho, difamação e sexismo. 


Compartilhamento

Prefeituras da região metropolitana de Londrina pleiteiam que a Guarda Municipal aja de forma compartilhada nas cidades polarizadas. É o anverso do desejado fim de municípios que não se sustentem e sejam extintos ou absorvidos pelo maior, tese em exame no Congresso, contra a qual a maioria dos deputados paranaenses assinou manifesto em audiência pública num encontro de 26 parlamentares e 110 municípios. Na região metropolitana da capital, mesmo cidades mais novas como Fazenda Rio Grande têm guarda municipal, o que parece difícil em Londrina, daí a primeira consulta de Ibiporã. 


Há serviços com timbre metropolitano como o do transporte, mas o compartilhamento da Guarda Municipal é prova da dificuldade de implantá-la por município em Londrina. Falta mais dado técnico do que político no conceito de metropolitanismo. 


Varejo falhou 

A associação de lojistas de shopping errou ao afirmar que as vendas em dezembro subiram em 9,5%, quando o que se deu foi justamente o contrário: uma queda de 0,1% em relação a novembro que as projeções indicavam alta de 0,2%. Isso foi uma interrupção de sete meses seguidos de êxito. Atribui-se a esse fato a decolagem do dólar a R$ 4,35. Não esquecer a queda forte na indústria, na qual o Paraná teve o maior desempenho do país, com crescimento de 5,7% e afinal o melhor desde 2011 puxado pelas montadoras. 


A farda 

Havia uma tradição em passado distante de militares ocupando postos civis, não na proporção atual e muito menos na dos anos de chumbo, o que mudou com a redemocratização. Bolsonaro quer um militar, Braga Netto, chefe do Estado Maior, na Casa Civil, mas é evidente que não designará um civil para Casa Militar. Braga esteve no comando da intervenção militar na polícia do Rio sob Michel Temer e detém perfil técnico. 


Folclore 

Quando se discute a questão civil-militar há extremado preconceito e esquecemos que nos governos recentes a pasta da defesa foi ocupada por civis e em passado distante tivemos um civil como Pandiá Calógeras no comando do Exército, e outro, Salgado Filho, na Aeronáutica.    

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