Queda de braço
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sexta-feira, 22 de março de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Persiste o confronto intrapoderes, embora certas jogadas aparentem encenação: o Judiciário tem duas frentes no Ministério Público, que tenta acuar, e no Senado com a “Lava Toga”. Foi expressiva a assinatura de toda a bancada paranaense da Câmara Alta num expresso apoio, até por motivações de raiz regional, à Lava Jato. Aliás Alvaro Dias, que hoje desfruta com o seu partido de boa posição no parlamento, manteve sempre apoio aquele fluxo judicial.
Há uma torcida dos bem intencionados para que essa nuvem escura saia do horizonte, mas de qualquer forma se reconhece a gravidade da anomalia para a higidez institucional. Já a prisão do ex-presidente Michel Temer e do seu ministro Moreira Franco, nesta quinta (21), indica que a normalidade dos processos judiciais se desenvolve apesar dos incidentes de percurso. Posto que um assunto nada tenha a ver com o outro, recoloca o País na esteira da luta contra a corrupção, o maior fenômeno da história brasileira como expressão de ruptura ao conformismo diante das variadas formas de impunidade.
De outro lado isso fortalece o sentido da prisão do ex-presidente Lula, que não detinha como sua sucessora Dilma Rousseff, cordéis para manter sob controle o parlamento e subjugar seus algozes como fez Temer por duas vezes. É que com as trombadas entre STF e a República de Curitiba a esquerda se sentiu ora fortalecida para insistir no choramingas de que seu líder maior é perseguido.
As duas representações do Ministério Público Federal contra Michel Temer, além de outras em curso como a do acerto nos portos, são bem consistentes da mesma forma que as futuras, já encenadas, contra Lula.
Ainda é pouco
Institucionalmente a Coreia do Sul não é inferior ao Brasil, que só desponta agora na luta persistente contra a corrupção, mas dá para uma analogia: botamos um ex-presidente na cadeia, há agora outro em perspectiva, todavia aquele país já prendeu quatro ex-presidentes. Aqui isso raramente havia com governadores e agora, além de Beto Richa, do Paraná, que quase sempre acaba solto, temos o caso recordista de Sergio Cabral e o seu sucessor Pezão.
Aposentadoria em queda
Pelos debates inaugurais da Comissão de Constituição e Justiça dá para perceber que Ratinho Júnior leva facilmente a melhor na derrubada da aposentadoria dos seus antecessores e que se houver o auê das emissoras de rádio e TV em cima da situação comparada à do homem comum ter-se-á um clima de execração que poderia até, por suas consequências imediatas, levar muitos beneficiários à desistência de tal direito. Todos, no entanto, têm o direito de contestar sob alegação do privilégio adquirido. A judicialização é inevitável.
Ibope & redes sociais
O Ibope, como poderia ser o Datafolha, indicou que Jair Bolsonaro perdeu, desde o início do ano, 15 pontos de popularidade. Para quem curte a ideia de que a verdade está nas redes sociais, por sua prevalência sobre a mídia e instrumentos formais, isso dá para tirar de letra como afinal houve na eleição, tanto a dele quanto a de Trump, onde a bronca é bem maior. A convicção dos fanáticos não é suficiente para acalmar a galera, tanto que a análise desse impacto nas classes socioeconômicas, que se identificaram desde o início com o projeto ideológico-cultural surpreende e pede cautela. As taxas são piores do que as de FHC, Lula e Dilma em começo de primeiro mandato.
Um dos governos paranaenses, na interpretação de pesquisas, tinha o hábito de somar o ótimo-bom com regular e se isso se fizesse com o desempenho de Bolsonaro daria 68%, com sobra para manter suposta hegemonia.
Negociação complicada
Os alegados benefícios aos militares na reforma previdenciária, mal recebidos pela sua base no Congresso, estabelece um patamar distorcido para futuras negociações com outras categorias e gerará maiores impasses como se já não existissem generalizadas dificuldades nessa articulação. A economia é de R$ 10,45 bilhões em uma década, 1% do valor previsto com as mudanças na Previdência dos civis.
O rombo na Previdência dos militares, por pessoa, é de R$ 111,6 mil, na do INSS é de R$ 7,9 mil e na dos servidores federais R$ 60,1 mil. Para dizer o mínimo - uma pedreira.
Folclore
A aula de Medicina Legal na Direito Federal, anos 50, era de tal interesse que provocava a atração de alunos de outros cursos, inclusive os de Medicina. O professor era o médico-psiquiatra Napoleão Lirio Teixeira. Suas aulas eram permeadas por referências a filmes e livros, normalmente clássicos. Dedicou-se ao tema “fetichismo sexual” e mesmo o romântico “Pata da Gazela”, versão da Cinderela, era apontado como tal na efusão com que o mancebo se deliciava diante do sapatinho da amada desconhecida. E nesse ritmo vai citando outros casos até que afirma com tom dramático “Doutores: há pessoas que só sentem a plenitude do gozo sexual se a parceira estiver vestida com determinada cor!” Nesse momento o aluno mais velho da turma, tomado pela catarse gerada na fala do mestre, irrompeu com um grito teatral: “preta, professor, preta!”


