Quebremos o termômetro
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sexta-feira, 05 de abril de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
O pais está febril (o que se deu também com Pelé em Paris, vítima de infecção urinária), e a solução, segundo Jair Bolsonaro, é quebrar o termômetro. É que o nosso presidente botou em dúvida as análises do IBGE e de sua Pnad Contínua, assentadas em normas e protocolos internacionais, sobre desemprego no país. Já o Ministério da Economia levou a sério registros sobre o crescimento negativo do PIB e montou um pacote para tentar destravar a economia. Dentre eles há o Simplifica, complexo de medidas para desburocratizar nossas instituições, algo já tentado e com a maior abrangência por um especialista, o ministro Helio Beltrão, que chegou a tocar uma pasta com o nome de Desburocratização, e apesar do empenho e força de um regime forte como a ditadura militar, não venceu a deformação cultural, que é, como dizia a música popular, “coisa nossa”.
Ao lado do “Simplifica” teremos o “Emprega Mais”, com nova estratégia nacional de qualificação do pessoal na base de vales (“vouchers”) para empresas e trabalhadores investirem em qualificação. O tal Pronatec, tão exaltado pelo lulopetismo, só conseguia empregar um em cada dez alunos. Enfim teremos ainda “Brasil 4.0” e “Pró-Mercados”, linguagem um tanto quanto tecnocrática, mas um sinal de reação à conjuntura perversa.
Os fundamentos fogem aos padrões consagrados do nosso estatismo visível claramente na circunstância de que o Brasil é um dos piores países no ranking de barreiras à competição interna, o velho e conhecido capitalismo sem risco. Vivemos um novo populismo, mas ele precisa entrar em campo, mostrar serviço e sair do palanque, fervedouro de mero fanatismo.
Descentralização
Incidindo na mesma pauta de governos anteriores – isso afinal se faz desde Lupion nos anos quarenta, século passado - Ratinho Junior deslocará para o interior suas decisões políticas e administrativas e Londrina sediará uma das primeiras nos próximos dias. Por sinal que pega sequência da abertura hoje da 59ª ExpoLondrina, motivo sempre de bom humor acalentado ainda pelo Tubarão no futebol nas semifinais do Campeonato Paranaense e sobretudo na classificação à quarta fase da Copa Brasil. E a cidade tem muito a elencar suas reivindicações, entre elas a que foi destacada em primeira página deste jornal nessa quinta-feira (4) quanto às melhorias do aeroporto, discutidas há duas décadas e que não andam mesmo depois das desapropriações e aguarda estudos do governo federal que o inclua no pacote de concessões. Um bom papo sobre a Sercomtel e sua destinação seria adequadíssimo.
Greca no DEM
Como o PMN estava mais murcho do que maracujá de gaveta, ao não ultrapassar a cláusula de barreira, Rafael Greca, prefeito da capital e candidato à reeleição, retornou ao Democratas num momento em que a agremiação ganha intenso protagonismo no país, inclusive mantendo a presidência das duas casas do Congresso. A eleição vai ser duríssima e reprisa a anterior com ele e Ney Leprevost mais Gustavo Fruet e Fernando Francischini, recordista de votos para deputado estadual.
Força
Na Marcha a Brasília os prefeitos do Paraná, sob o comando de Frank Ariel Schiavini (Coronel Vivida), pretendem comparecer com mais da metade dos 399 municípios de 8 a 11 de abril. O que não falta aos municípios, estados e a União é reivindicação. Acomodá-las, pra dizer o mínimo, não será nada fácil. Mais fermento nesse nível de governo nada tem de ruim.
Economia
No legislativo estadual o tema dominante é a aposentadoria dos ex-governadores e a tramitação da reforma administrativa. Nessa persistem as dúvidas quanto aos números da economia proporcionada, na redução de pastas, de pouco mais de R$ 10 milhões. Dispêndios com aposentadorias de ex-governadores mal ultrapassam R$ 4 milhões, fortes como exemplos de conduta; fracos, porém, em resultados. O gigantismo estatal e a ineficiência das respostas ao problema se mede em bilhões, e algo, além da reforma previdenciária, precisa ser feito.
Bate boca
A ida do ministro da Economia, Paulo Guedes, à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal na quarta-feira (3) é bem um símbolo da radicalização do momento, ingrediente nefasto para o clima da reforma da Previdência. Apesar da boa iniciativa do presidente da República em dialogar com dirigentes partidários, muito será preciso fazer para que se criem condições menos adversas na questão. No barraco, um deputado paranaense, Zeca Dirceu, afrontou o ministro dizendo que ele é “tigrão” com os pobres e “tchutchuca” com banqueiros e rentistas, que afinal acabaram perdendo algum com a queda da Bolsa. Guedes perdeu a estribeira e respondeu “Tchutchuca é a mãe”. Clima, enfim, de torcida organizada no futebol.
Folclore
Amaral Neto, um dos maiores direitistas do pré-1964, dirigia o Ibad, Instituto Brasileiro de Ação Democrática, e na oratória decalcava um pouco o Carlos Lacerda, mas esse, um dia, ao entrar em conflito com ele, castigou-o com o apelido de “amoral nato”, que ficou como um estigma.


