Privatização impositiva
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sábado, 25 de maio de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Privatização impositiva
Não há, sequer residualmente, uma postura de intervencionismo e sua manutenção, no caso específico da experiência londrinense com a Sercomtel. Mesmo sob gestões petistas já se admitia a hipótese, ainda que submetida a plebiscito imposto por saudosistas. Ameaçada pela Anatel de um ato de caducidade, mobiliza as forças passíveis para salvar os dedos, já que os anéis se foram, daí a decisão de 18 votos favoráveis na Câmara Municipal pela privatização.
Primeiro é preciso tentar reduzir o estrago para depois, aí sim, fazer as reflexões históricas em torno dos erros cometidos, no qual acabou embarcando nossa maior estatal, a Copel, como minoritária com apreciáveis 45% do capital e isso em cima de um processo eleitoral levado a segundo turno na cidade. Houve momentos de euforia com o fato de a segunda maior cidade do Paraná ter uma operadora em telefonia, o que poderia constituir-se em definição de um rumo na economia local pelo apuro tecnológico face ao intercâmbio que geraria.
Londrina precisa de referenciais como esse e no máximo possível de atividades, entre as quais aposta – e essa é uma demanda antiga - num esforço de industrialização, daí o entusiasmo com que recebeu a decisão judicial, que preservou a mata dos Godoy, mas criou condições para um novo enclave de desenvolvimento.
Homofobia é crime
Apesar da discussão em torno da aplicação da analogia na interpretação de atos criminais, sob resguardo do princípio da anterioridade legal, "não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal", já há maioria para o enquadramento da homofobia e transfobia na lei dos crimes de racismo com os votos dos ministros Rosa Webber e Luiz Fux, do STF, que formam maioria de seis. Dificilmente se operará aí um novo 6 a 5 no caso do ensino religioso em escola pública, e o mais recente da restrição à prisão de deputado estadual sem audiência legislativa. Também poderá não render a unanimidade havida no casamento homoafetivo, mas de qualquer forma representará novamente, como na greve de servidores públicos, uma atitude indispensável ante a letargia legislativa.
Avanços no Brasil têm como exemplo o caso do divórcio, que tramitou em décadas, face ao empenho de Nelson Carneiro, e teve que passar por etapas, como a que estabelecera os direitos da companheira. Até hoje não houve solução bem ajustada para o aborto, o que se dá também em países mais avançados e em numerosos estados americanos, como se vê nas batalhas de rua desta semana diante de leis restritivas.
Voto luminoso
O que artistas, sejam os do showbiz ou da literatura e da pintura, cantores e jogadores de futebol, têm demais para expressar opiniões políticas? Essa é uma questão relevante pelo que possam expressar no mundo da celebridade e da intelectualidade. O fato é que se deu extremo destaque ao fato de Lobão romper com Jair Bolsonaro, como tanto se evidencia o vínculo entre Chico Buarque, glória do país, muito antes do prêmio Camões, a Lula.
O ideal é que todos, se possível, tenham algum nível de politização decorrentes da cidadania, mas tais apoios não podem elidir os atos praticados, tanto por Bolsonaro com seus seguidos repiques como os relativos aos crimes comprovados de uma das maiores lideranças do pais, Luiz Inácio Lula da Silva.
Calígula poderia ser um poeta ou um músico, mas nem por isso sua opinião política seria de maior valia. O pior é que por vezes a política é que acaba projetando até supostos filósofos e doutrinadores, tal qual se dá agora com o Olavo de Carvalho, orquestrador da epistemologia dominante na condição de guru oficial.
Radares proibidos
Obstina-se o presidente da República em sua cruzada contra radares móveis nas rodovias como o demonstrou em entrevista em Cascavel, vistos como armadilha para motoristas quando não a "fábrica de multas" a que principalmente os infratores se referem. O Paraná é o terceiro estado que mais mata no trânsito no país, e entre 2008 e 2016 registrou 28.426 óbitos. Aliás, o custo com acidentes no Brasil chega a R$ 50 bilhões por ano.
Atritos
A MP que reestrutura o governo é causa de atrito, visto como programático e ideológico, na questão da transferência do Coaf para a pasta da economia. Porém, o presidente apoia o texto acertado com o centrão na Câmara Federal. Adversários da alteração tentam virar o jogo no Senado e isso pode se transformar em crise.
O imaginário
Muitos anos passados do seu bercinho, minha filha mais velha, Grace Maria, então com dois anos, olha da janela do apartamento em direção à rua e vê elefantes. A mãe fez um breve comentário sobre o imaginário infantil. Fui olhar e lá estavam dois elefantes de um circo das proximidades placidamente à nossa porta.
Folclore
O professor de Geografia do Ginásio Paranaense, hoje Estadual, José Carlos Figueiredo, tinha o hábito de, ao fim de cada frase, incluir a pergunta "viu?", e o fazia com tal persistência que os alunos, afinal diabólicos como sempre, faziam um concurso para ver quem acertava o número de vezes em que repetiria o seu tique didático voltado à preocupação obsessiva com o entendimento em torno do que lecionava. E entre rios, montanhas e vales o sinal "viu?".


