Potencial agressivo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de maio de 2021
Luiz Geraldo Mazza 
Quando houve a prisão de Lula, a presidente do PT, Gleisi Hoffman, fez advertência dramática de que haveria mortes. Não houve e deu para perceber que a agressividade das massas não compunha aquele cenário. Dá para captar hoje que a milícia bolsonarista está mais apta ao uso da violência pelo fato de estar há menos tempo no poder e cultivar com mais empenho a figura do chefe, isso tudo apesar das pesquisas negativas quanto à posição do povo, de um modo geral, relativamente ao presidente. Como jogam tudo nas redes sociais, quando Jair Bolsonaro se dirige a pequenos grupos está se comunicando com uma falange aguerrida e com máxima disposição. O clima beligerante está visível nas carreatas e desfiles agregados aos símbolos nacionais. A ameaça aos senadores da CPI é um exemplo como tantos outros para expor os níveis de engajamento. Está aí uma direita mais instintiva, anti-intelectual, disciplinada no credo e, sobretudo, fanática. Há muito não víamos isso no Brasil. O que está sendo contestado é o nível de consenso social, como se vê na questão das armas e no negacionismo sistemático do maior problema do momento com a pandemia.
Retomada
Como haviam noticiado, voltaram as restrições, ampliação do toque de recolher, comércio interditado e até o lockdown, como está havendo em Guarapuava. O fato é que o isolamento caiu de 72% há um ano para 30% e a população insiste em não seguir as medidas preventivas, daí também a inevitabilidade dos surtos de alta de mortes e casos novos. O negacionismo de Bolsonaro é predominante e de certa forma apoiado por empresários. A Abrasel, inclusive, está cobrando coerência da prefeitura da capital por haver promovido aglomerações com atos inaugurais. O país registrou 1.039 óbitos, 35.888 infecções e tem 438 mil mortes e perto de 16 milhões de casos. A falta de coordenação das medidas, a suspensão dos insumos no Butantan e Fiocruz, temas candentes ontem durante o depoimento do ex-chanceler Ernesto Araújo na CPI da Covid como responsável ao lado do presidente pelas provocações contra a China, causa do transtorno com a vinda dos insumos.
A carga mais forte por certo se dará na inquirição de Eduardo Pazuello a despeito de estar protegido de autoincriminar-se, mas obrigado a dizer o que sabe sobre outros integrantes do governo.
O mapa
O Paraná volta a aparecer no mapa da Covid com a incidência de mortes e casos em queda, como se dá, neste momento, com a maioria. Essa aparente melhora não tem correspondência com a alta efetiva de casos, razão pela qual no decreto de Ratinho Junior há alusão a ação suplementar dos municípios. Espera-se para a próxima semana a chegada dos insumos para a Coronavac.
Folclore
O Conselho do Ministério de Saúde que condenou a cloroquina e outras indicações sistemáticas feitas pelo presidente abrange também a vitamina D. Como se vê o presidente não dá a mínima bola para indicações técnicas, científicas. E foi mais longe ao mostrar-se como garoto-propaganda com a indicação aberta da cloroquina.


