Porto sob vigia
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 05 de novembro de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
O derradeiro feito da Polícia Federal em nosso estado coloca em evidência, mais uma vez, o uso do porto como escoadouro do tráfico internacional. A tonelagem de cocaína apreendida ao longo dos dois últimos anos pela Receita Federal leva ao raciocínio de que tais perdas, ainda que imensas para seus operadores, compensam tais riscos pelo retorno obtido, o que leva tudo ao alarme. Isso impõe a necessidade de aperto na fiscalização com a força que empenhamos na luta contra a pandemia e que precisamos de mais feitos como o de ontem.
Recuperação
Por falar em pandemia, um registro do IBGE é animador: em setembro houve ganho de 2,6% na atividade industrial, e com isso a recuperação de tudo que havíamos perdido. Este jornal mostrou ontem as consequências no plano interno desse súbito aquecimento na escassez e consequente alta de materiais de construção, justamente no segmento dos que mais empregam, e ontem, afinal beneficiado, junto a outros, pela derrubada do veto de liberação da folha. Matérias primas e insumos - tijolo, ferro, areia - desapareceram e criaram dificuldades extremas para o restabelecimento das rotinas do mercado: segundo dirigentes da área, pedidos que levavam de duas a três semanas para serem entregues chegariam agora a 60 e 90 dias. Isso não teria ocorrido na Ceasa com os alimentos, mas o boom do agronegócio camufla a queda de contêineres nos portos, aí o desempenho pelos sólidos a granel (soja, milho, açúcar).
Suspeição
Toma posse hoje o novo ministro do STF, Kassio Nunes Marques, e cuja presença altera a correlação de forças que vai muito além do reforço da linha anti-Lava Jato na suspeição de Sergio Moro e conforme as regras do regimento interno deve ser o revisor dos casos que estão com Alexandre de Moraes, como os que avaliam as fake-news, a organização dos atos de caráter antidemocráticos e a investigação sobre a interferência de Bolsonaro na PF. Tudo na linha atual do governo. O cenário está aí: ontem o Ministério Público denunciou o senador Flavio Bolsonaro e Fabrício Queiroz no caso das "rachadinhas" do Rio de Janeiro.
Estupro
O estupro é sempre doloso, mas no caso de Mariana Ferrer, que acusa o empresário André de Camargo Aranha de tê-lo consumado em Santa Catarina, levou o promotor a falar em caso de culpa, sanção sempre mais leve. Ora, os elementos de sustentação da culpa são a imprudência, a imperícia e negligência que sempre foram usados em favor dos autores em crimes de trânsito por exemplo e que modernamente são vistos como dolo eventual, na teoria do crime preter intencional, com dolo no antecedente e culpa no consequente. O juiz do caso, Rudson Marcos, absolveu o acusado e a matéria deve chegar ao CNJ em função da revolta provocada nas redes sociais.
Folclore
Para muitos, a morte de Tom Veiga que fazia o Louro José é a preocupação maior e depois das rememorações do ator haverá o debate se o papagaio volta a ser o contraponto de Ana Maria.


