O argumento de Lula é o mesmo de Bolsonaro: são vítimas da perseguição. E como se somaram os fatos adversos nas últimas 24 horas - ações contra parlamentares aliados com quebra de sigilo fiscal, mandados de busca e apreensão e agora a prisão de Fabrício Queiroz, ex assessor de Flavio Bolsonaro - a retórica do presidente condenado e do atual pressionado é a mesma. E as coisas não param aí: o STF dá andamento ao processo das fake news ao mesmo tempo que nega habeas corpus ao ministro Weintraub e o mantém nos processos, ele que está para sair, mas antes disso negou cotas a negros, indígenas e deficientes em pós-graduação.

Quem está mais pressionado é o povo brasileiro com a pandemia, embora a desaceleração por três semanas do contágio seja um bom sinal, a transmissão permanece fora de controle. Também o que sai de controle é a política, endemia aparentemente mais fácil de encarar.

Um milhão

Neste fim de semana chegaremos a um milhão de infectados pela Covid-19 no país, já que na quarta-feira o registro era de 955.377 casos e 46.510 mortes. No Paraná há 11.085 casos e 386 óbitos, dos quais 529 casos e 22 mortes no meio da semana. O governador Ratinho Junior e prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba acertaram protocolos no enfrentamento da doença. Não é desprezada a adoção do lockdown em Curitiba. No afrouxamento da quarentena observa-se que pelo menos seis estados passam de 80% de ocupação em UTIs.

Londrina e olavismo

Era de Londrina o primeiro ministro de Saúde de Bolsonaro, colombiano apoiado por Olavo de Carvalho, e um dos indicados para substituir o atual é Carlos Nadalin, secretário nacional de Alfabetização, também olavista e igualmente com vínculos com a cidade. É uma evidência que há em Londrina um núcleo expressivo de seguidores do guru do presidente e deu para percebê-lo no primeiro e segundo turnos da eleição.

Ajuste

Em simetria com a crise vivida, a decisão do Conselho de Política Monetária do Banco Central, o corte da taxa básica de juros em 0,75 ponto percentual a 2,25% ao ano. O estímulo é ajustado aos impactos econômicos da pandemia.

Racismo

A eclosão dos movimentos antirraciais mexe até com as marcas dos produtos, e aqui a esponja de aço da Bombril denominada Krespinha, há 70 anos no mercado, aboliu o estereótipo de uma negrinha e seus cabelos e informa que vai tirar a marca do seu portfólio. Vários casos semelhantes se deram em outros países. Solução é a diversidade, adotada como linha geral nos anúncios. Há casos afirmativos e históricos como o chocolate "Diamante Negro", alusão ao Leônidas, inventor da bicicleta no futebol, artilheiro da Copa de 1938.

Folclore

Empenhado em melhorar o carnaval de Curitiba, Lerner trouxe um trio elétrico. Estou na praça Zacarias e converso com o popular Esmaga, mordedor oficial. Quando o trio passou com sua farra de som e cores, abraço o meu companheiro e ensaio uns passos com ele. O cara se retrai e pergunta com estilo curitibano: "Será que fica bem pra nós?"

mockup