O que mais se discute no mundo hoje é a questão da desigualdade e o Brasil, que é fortemente expressivo na modalidade, não foge à regra. Uma das medidas mais comuns é justamente a de apontar, no rigor das estatísticas e da econometria, a frequência dos desníveis. Na verdade, as intervenções nessa causa são mais doutrinárias do que efetivas e o fato é que já nos acostumamos com as nossas castas como aliás são perceptíveis nesse instante em que vemos tantas projeções sobre a previdência.

Fica nítido que o problema gera mais discursos, apropriados aos demagogos, do que soluções, ainda que se atribua um forte sentido ideológico aquilo que não se está fazendo que é de fato melhorar os níveis de acomodação dos estratos sociais. A mobilidade social é tão rica no país que dá a impressão de que se faz o trabalho de casa e que temos isonomia muito mais do que imaginamos. Esse ilusionismo é que sustenta o aparente equilíbrio social e a pior de todas as ameaças é a frequência entre nós dos impulsos populistas, mormente quando guardam teor de suposta austeridade quando apenas precariza fundamentos sociais.

De novo a estrada

Justamente num mau momento para a ecologia, patrocinado pelo governo e visível em casos como o das derrubadas na Amazônia e na perplexidade para enfrentar o mistério do derramamento de petróleo na costa brasileira, é retomada, agora no legislativo e em fase final, a questão da Estrada do Colono no parque nacional do Iguaçu. Corre-se o risco de perder a reverência da área como patrimônio da humanidade pela Unesco, ameaça feita da última vez que tentaram reabrir aquele caminho.

Argumentou-se à época, inclusive, que o fechamento da via favoreceu a ação de caçadores contra a fauna, ainda rica, da região. Foi uma sentença histórica do juiz federal Milton Luis Pereira que deu como encerrado o assunto, que manteve, no entanto, as comunidades ali interessadas em sustentar a mobilização política, ora traduzida em projeto com chances de aprovação. Mesmo que adotadas as cautelas para o tipo de rodovia que ofereça o mínimo risco à devastação e ao sacrifício dos animais o debate se intensificará.

Massificação praieira

Cálculos indicam que teremos até o fim da temporada cerca de 2 milhões e 800 mil turistas no estreito litoral paranaense. Acredita-se que esses números rotativos possam até ser superados nas condições atuais. O governo cumpre razoavelmente sua parte na chamada operação verão fortalecendo as bases de segurança e as condições de balneabilidade da área. E é justamente quando se intensifica a migração em massa que se volta a falar sobre a ponte, aquela que consta até nas disposições transitórias da Constituição paranaense, e que chegou a ser incluída em projetos de logística da região. Por sinal que ela aparece como inevitável no planejamento feito no governo Paulo Pimentel pelo escritório de arquitetura de Luis Forte Neto.

Resta saber se no conjunto das aspirações mais imediatas do estado teria o senso de prioridade alegado. De resto para comprovar que a imaginação é escassa, voltaram a falar no engordamento da praia de Matinhos, prova visível de que, ao longo do tempo, avançamos pouco na atualização dos nossos balneários, ainda inconfrontáveis com os de Santa Catarina, embora Guaratuba se constitua, por sua expressão urbana, em bloqueio a evasão para Camboriú e outros espaços vizinhos.

Outros sinais

Principalmente nos shoppings se notou alta de 9,5% no faturamento em relação ao ano anterior, melhor desempenho desde 2014, véspera da recessão, segundo associação que reúne nacionalmente 400 empresas. Em Curitiba a expressão mais forte foi na mais recente central do antigo Jockey Club que bombou para valer.

Esperava-se uma alta de 6,5% e houve um ganho de mais 3%. Quanto ao faturamento do setor ao longo do ano se elevou a 7,5% numa receita de R$ 168 bilhões. É mais um sinal de melhora na situação da economia que com o pagamento do 13º salário, liberações do PIS-Pasep e FGTS, queda no desemprego e baixa na taxa de juros geraram um cenário que reaquece a expectativa de reativação do mercado.

Choque do momento

O embate da hora é a questão do juiz das garantias no pacote anticrime. O presidente é a favor e o ministro Sergio Moro, juntamente com entidades de magistrados, contra. É um pega para ninguém botar defeito, mas mexe com a estrutura do Poder Judiciário que se expressa na existência de um só juiz na maioria das comarcas. Conflitos dessa natureza acabam expondo tais fragilidades e difíceis de enfrentar face à situação fiscal. O que surpreende é a expressão dos abusos no pagamento de férias acumuladas posto em confronto com tanta precariedade.

Folclore

A sanção por Bolsonaro do juiz de garantias abre caminho para tirar das mãos do juiz Flávio Itabaiana a hipótese de ação penal contra o senador Flávio Bolsonaro. O presidente mantém sua postura beligerante contra o governador e o ministério público do Rio de Janeiro e como é do seu estilo faz provocações diretas. "Vocês perguntaram" - disse ele - "para o governador Witzel por que a filha do juiz Itabaiana está empregada com ele? E pelo que parece, não vou atestar aqui, é funcionária fantasma. Já foram em cima do Ministério Público para ver se vai investigar o Witzel?" Emerge aí o homem comum levado à presidência e disposto a enfrentar desafetos reais ou imaginários, algo impensável nos rituais.

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