Paraná resistente

Uma lei de iniciativa popular que elencava medidas para combater a corrupção foi fraudada, em desrespeito aos dois milhões de signatários, e transformada em texto contra abuso de autoridade, ora aprovada no Senado com amplo repúdio da bancada paranaense, fiel, afinal, ao fato de que foi aqui que se deflagrou a maior e mais bem coordenada ação de repressão à praxe brasileira do banditismo político-partidário. Ficou nítido desde o início, na transfiguração do projeto, um ato retaliatório às ações da República de Curitiba, que apanhava a fauna dos políticos e mostrava que tal atividade no Brasil era inseparável dos chunchos, pelo menos no entendimento da sua esmagadora maioria.

Consolida-se a resistência com esse texto, ainda que amainado, à Lava Jato e sua força tarefa, razão pela qual não há outra alternativa se não a continuidade das apurações e condenações e a retaliação se vale, no momento, da fragilidade decorrente da troca de mensagens entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol, manipuladas e superdimensionadas. No domingo haverá resposta a tudo isso em manifestações públicas, porém é indispensável o acirramento das medidas contra os indiciados como o pleito do Ministério Público Federal no TRF-4 pelo aumento da pena de Lula no caso do sítio de Atibaia. Esse é o confronto maior do Brasil, prejudicado por sua intoxicação ideológica, mas incontornável.

Cocaína pela FAB

Não é a primeira vez que um militar é preso com drogas em avião da FAB. Em 1999 um coronel da reserva foi apanhado com 32kg de cocaína em malas de viagem a Las Palmas, Ilhas Canárias. Dessa feita foi 39kg, e o autor, um sargento da equipe de apoio presidencial em Sevilha. Portanto, não há como ver isso com espanto, posto que afete gravemente a questão da segurança, ponto de maior apego doutrinário do governo Bolsonaro.

Temos aqui em nossa cara a evidência da ousadia do tráfico nas sucessivas descobertas e apreensões de cocaína, e isso em toneladas, no porto de Paranaguá. Afinal, se há tanta droga no principal terminal, imagine-se a quantidade do que não é apreendido e por isso mesmo já se transformou numa commodity enrustida. O caso da FAB é mais grave, mas o do porto não pode ser subestimado e visto como acidente de percurso.

Cautela

O recuo da UEL na questão da greve é cautelar, posto que a UEM já a tenha deflagrado e o mesmo pode se dar em outras universidades. O governo mantém pendência antiga com as universidades estaduais, que insistem em defender um tipo de autonomia inaplicável em ordem pública devastada pelo desequilíbrio fiscal. Porém, ao não dar resposta a um funcionalismo sem reajuste há três anos concede razão aos rebelados e às suas mobilizações e esse dado pontual, ainda que a perspectiva de alta inferior a 5% pareça ínfima, mexe com outras pautas, algumas delas já históricas.

Há muito a relação é tensa, já que o governo faz acusações de abusos e inclusive ameaça puni-los e há um entendimento solidário entre reitores, um óbice hierárquico aparentemente menos emocional que lidar com o magistério e os alunos. O governo Ratinho Junior vai ter atritos mais qualificados do que os habituais com a APP Sindicato, isso sem considerar a atuação agora da polícia civil, cada vez mais atuante nesse particular e na busca da mesma reivindicação. Essas duas áreas são sensíveis, mas as questões com a polícia mexem mais diretamente com o conjunto do governo, sabendo-se que ela é o poder de sanção e se ganhar capilaridade na área militar o estrago está feito.

O sul de novo

Em recente levantamento o sul do país obteve maior percentual de desenvolvimento que a média nacional. Não é novidade como de resto o próprio Paraná, volta e meia, supera o desempenho nacional. O principal estado do sul é o Rio Grande do Sul, embora seu aparato público esteja pra lá de quebrado, como de resto isso se dá com unidades econômicas como o Rio de Janeiro, segunda do país, e Minas, terceira. O referencial serve para mostrar que o mau desempenho de uma unidade federativa não afeta, como se imagina, a sua economia, o PIB, o que deveria levar o pessoal do marketing político a usar com mais parcimônia seus feitos na economia. Quando o estado não atrapalha, o que normalmente ocorre, já serve. Claro que esse tipo de promoção é de grande valia para a autoestima do seu povo, mas nem sempre justo e equilibrado para exaltar o governo. Aqui, fizemos isso não apenas com Beto Richa, já que se trata de tradição que vem desde Moysés Lupion e alcança seu ponto máximo com Ney Braga. Fica estranho botar banca e não dar aumento aos seus funcionários, como se dá nesse preciso momento.

Folclore

Carlinhos Pereira era um mitológico brigador de rua da capital dos anos 40-50. Levava uma vantagem: a de ser lutador de catch, uma espécie de UFC mitigada, no ringue do Circo Queirolo. Para provocar o chefe de polícia chamava o seu cão policial, um capa preta que o acompanhava, de Pinheiro Júnior para mexer com o titular do cargo, advogado e jornalista, Alfredo Pinheiro Júnior.

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