Paraná direitista?
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quinta-feira, 11 de abril de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Surpreendeu o fato de Jair Bolsonaro obter o melhor desempenho (64% de aprovação) nas pesquisas nacionais no Paraná. Foi o suficiente para que a sociologia de bolso registrasse o fato como evidência de que a região é de direita, o inefável classificador da moda, com a lembrança daquele feito de Plínio Salgado, chefe integralista, ter ganho em Curitiba e Ponta Grossa em 1955 a eleição presidencial. Em primeiro lugar não dá para comparar, embora o tamanho do feito, a direita atual com aquela que tinha uma doutrina, a democracia orgânica, centrada numa romântica volta às corporações de ofício da Idade Média que indicariam um ajuste comunitário das várias atividades e profissões num mutirão. Uma das habilitações desse pessoal era a oratória cultivada desde os jovens “águias brancas”. Na Constituinte local de 1947 fizeram dois deputados estaduais contra um do Partido Comunista.
Essa mística, a do ideário, era cultuada com rigor em todos os fronts, ainda que os valores dominantes estivessem configurados no pragmatismo do PSD, no moralismo radical da UDN e no populismo do PTB. O bolsonarismo é a negação de tudo que aí está, oposto à velha política, mas tem mistérios demais como os que fundamentam as religiões e até agora não deixou bem claro o que é e o que pretende no isolamento das redes sociais.
Felizmente há um setor, o militar especificamente, oposto ao predomínio de Olavo de Carvalho, o guru das ideias, como Paulo Guedes é o da economia e Sergio Moro da luta contra a corrupção e impunidade. Revelações recentes sobre a vida particular do preceptor presidencial a distância, suas várias mulheres e religiões, relações conflitantes com filhos, vínculo com ocultismo e astrologia, em pouco afetarão a sua posição, enquanto ela não for combatida no plano das ideias e aí é exasperante a deserção das nossas esquerdas.
Teteias e bibelôs
O Gaeco está pleiteando ao juiz da 9ª Vara Criminal de Curitiba autorização para vender pequenos objetos de grande valor (relógios, canetas, óculos de grife, abotoaduras, anéis, correntes, pulseiras, cintos) pertencentes a Beto Richa a pretexto de compensar os R$ 21 milhões, em valores ainda não corrigidos, dos desvios das construções escolares da operação “Quadro Negro”. A pretensão tem seus fundamentos técnicos e até simbólicos, mas nunca a expressão por exemplo do mostruário de joias do ex-governador do Rio, Sergio Cabral, e de sua esposa. De outro lado mantém a chama processual que no caso paranaense, pelo menos até aqui, é exemplar por sua fortíssima originalidade. Governador apanhado metendo a mão no jarro tivemos classicamente apenas um – e moralista radical da linha lacerdista –, o Haroldo Leon Peres, denunciado por um empresário que tentava achacar e obrigado a renunciar pelo regime militar pelo qual tanto se bateu como parlamentar.
Londrina, o polo
O governo está desde quarta-feira (10) em Londrina, sediado no Parque Ney Braga, e pelo jeito terá que encarar algumas demandas da região, entre as quais a questão da Sercomtel ameaçada de caducidade pela Anatel e alvo da remessa de uma mensagem recentíssima do prefeito Marcelo Belinati à Câmara Municipal propondo a sua privatização. A tese do prefeito é a de que a consócia Copel poderia injetar na empresa os R$ 120 milhões que, segundo auditagens, seriam suficientes para superar a contingência crítica. Com essa medida, Londrina pautou uma de suas fortes prioridades para esses dias de convívio governamental.
Paraná na frente
Entre seus colegas do Rio, São Paulo, Minas, Bahia, Alagoas e Pernambuco, o governador do Paraná está à frente com 78,4% de aprovação, conforme o Instituto Paraná Pesquisas. Já o índice de desaprovação é de 15,3%. Números bons também os do desempenho industrial do Paraná, que cresceu acima da média nacional. No bimestre a alta chegou a 3,41%, já no acumulado de doze meses acréscimo de 2,26 pontos percentuais. Pesou o lado mais moderno da economia, com destaque para veículos automotores, reboques e carrocerias (3,75), produtos alimentícios (3,49) e máquinas e equipamentos (2,85).
Reforma perde
Apesar de todo discurso salvacionista, a reforma da Previdência, segundo o Datafolha, é rejeitada pela maioria dos brasileiros, 51%, e 41% são favoráveis. Brasileiros querem regras próprias para professores e trabalhadores rurais, mas não para militares. Entre os que votaram em Bolsonaro, 55% defendem a reforma e dos que preferiram o petista Fernando Haddad 72% se postam contrários à mudança. O divisor é agudo e se revelará ainda no trâmite da reforma nas comissões da Câmara Baixa. Isso obrigará o governo a melhorar sensivelmente o processo, até aqui extremamente confuso, de articulação política.
Folclore
Uma colher de chá para infratores do trânsito estaria em cogitação pelo governo federal: o aumento de 20 para 40 pontos no limite da CNH e que suspende a habilitação. Especialistas discordam do agrado. Trombada na linha da austeridade já revelada em restrições aos pleitos do ministro da Justiça e da Segurança, Sergio Moro.


