Pandemia e endemias


Não bastasse a pandemia da Covid-19 temos no Paraná as endemias da dengue, e agora, também evidenciada na morte de 32 macacos, a febre amarela silvestre. Nunca tivemos tantos desafios sanitários acumulados. Enquanto isso em nível nacional segue a politização extrema em cima da pandemia com o presidente Bolsonaro lançando a culpa pela tragédia a prefeitos e governadores na diluição de responsabilidades, mas se saindo mal nas explicações como "e daí?" a expressar um distanciamento da tragédia, da qual tenta e não consegue fugir. O pior componente para a crise está na sua dimensão política, o abominável populismo. 


STF questionado 

O veto à posse de Alexandre Ramagem na Polícia Federal pelo STF comprova que o fluxo político se dá independentemente da tragédia maior, a mortandade da pandemia, e a AGU, Advocacia Geral da União, decidira pelo não ingresso de recursos, respeitando rituais, com o que não concordou Bolsonaro, exigindo, no argumento de que ele é quem manda, a medida contestatória. Postura da AGU foi a de não agravar o clima de crise, como se dá também com o presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia, ante dezenas de pedidos de impeachment contra o presidente da República e que se recusa a acionar. 




Há certo tipo de omissão – como o da Advocacia Geral da União e o do presidente da Câmara - que leva em conta a noção do mal menor de São Tomás de Aquino.

 

Pouco adianta 

A suspensão da atividade comercial em Londrina, por decisão do Tribunal de Justiça, a partir de ontem terá recurso da prefeitura e diante das circunstâncias e afrouxamento de rigores, já instalado em nível nacional, dará mínima contribuição, apesar do avanço representado pelo uso obrigatório das máscaras, imposto em lei. E isso ocorre num momento em que a luta entre isolamento radical e flexibilização tem tudo de política, e até de bandeira ideológica, e menos de ciência, como no debate sobre o achatamento da curva, segundo Jair Bolsonaro uma responsabilidade de governadores e de prefeitos e não dele.


36 horas sem água 

A estiagem submete a teste o sistema da Sanepar, tido e havido sempre como exemplar e um dos melhores do Brasil. Ocorre que a suspensão de suprimento de água por 36 horas é algo que reclama aprofundamento de análise, valendo aí o senso de previsão de ocorrência de tal porte. A criação das barragens desde a do rio Caiguava situado nos mananciais da Serra e de algumas (Miringuava) que foram cercadas de incidentes bem como a malograda exploração do carst na Grande Curitiba emolduravam um complexo ora afetado, de forma violenta, pela ausência de chuvas que poderiam assegurar melhores condições operacionais. Como o havido em São Paulo, anos passados, com a crise hídrica a calamidade exige uma explicação menos superficial quanto à previsibilidade e formas de enfrentá-la. 


Num momento em que se faz a reengenharia da agência reguladora é adequado esse tipo de aprofundamento e o exame de questões mais imediatas como a da fiscalização do respeito à integração dos domicílios, à área atendida pela rede de esgotos e mal acessada ou em questões mais graves como a acusação pelo Ibama de lançamento de resíduos não tratados diretamente na bacia hidrográfica do Iguaçu.

 



Folclore  

Setor mais ideológico do governo (Educação e Relações Exteriores) volta e meia cria problemas na sua ânsia em tirar partido dos acontecimentos e rubricando-os em bandeiras inadequadas como provocações com a China e agora na analogia de Ernesto Araújo entre o isolamento e campos de concentração nazistas que irritou lideranças judaicas.  

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