Não há mais dúvida para a Organização Mundial de Saúde: os níveis do coronavírus são de uma pandemia. Ontem em manchete a FOLHA registrava o primeiro caso de covid-19 no Paraná e pela manhã o Ministério de Saúde confirmava seis casos no território, cinco em Curitiba e um em Cianorte, os da capital de pessoas que estiveram na Europa, e o outro de viajante no Oriente Médio.

Projeções indicavam que o número de casos no Brasil chegou a 69 e que esse referencial entra em progressão geométrica para 4 mil em 15 dias e cerca de 30 mil em 21 dias. Excelente ontem o trabalho de prevenção pelos secretários de saúde estadual e municipal. O vírus circulante é importado no caso paranaense, mas já existem episódios de contágio em São Paulo e outras unidades O pregão foi suspenso na Bolsa, caiu 7,6%, e a desvalorização, em duas semanas, é de R$ 1 trilhão.

Comemoração imprudente

O governador Ratinho Junior não é um impulsivo como seu líder maior Bolsonaro, mas cometeu algo parecido ao festejar "que no Paraná servidor público não é mais obrigado a pagar sindicato". Mesmo que o saque indevido seja mais polido, ele amplia a desconfiança com relação ao recadastramento dos descontos em folha num caso de ato falho, revelando o sentido da medida, o de dificultar a arregimentação sindical e associativa.

A ação se insere entre as que precarizam o trabalho e que já apareciam na reforma de Michel Temer como a que acabou com o Imposto Sindical e mexeu na CLT. A APP respondeu com força e acentuou que a sindicalização é espontânea e tanto que dos 100 mil servidores da área educacional ela conta com 70 mil sindicalizados.

O fato é que o poder representativo da força de trabalho nunca esteve tão fragilizado.

Dividida em curso

A dividida entre Executivo nacional e o Congresso persiste: derrubada de veto presidencial à ampliação do BPC, benefício assistencial a idosos carentes e deficientes, eleva gastos em R$ 20 bi e isso emperrou, junto com o coronavírus, o acordo para fatiar o racha de R$ 30 bi.

Mau momento

Quando o curso da Lava Jato era visto como salvador (e era mesmo) a operação não sofria abalos como o de transferência de casos de Curitiba para outras unidades como se deu agora no TRF-4 tirando o evento Lulinha do Paraná, como já havia ocorrido com o de Paulo Preto por não terem vínculo com a Petrobras. O fluxo judicial era incontestado e ratificado na instância superior, que agora passou a rever esse posicionamento.

Sanepar em questão

Curitiba caiu cinco posições no ranking de saneamento e está agora em 17º, Londrina subiu duas e aparece em 15º. Maringá (3ª), Cascavel (7ª) e Ponta Grossa (9ª) são destaques. Na capital houve aquele flagra, anos passados, do Ibama no lançamento de esgotos crus no rio Iguaçu. No geral é festa, mas a Sanepar gastou entre 2010 e 2017 em salários 139,2% bem mais do que na melhoria de serviços (121,67%). Recentemente, o Tribunal de Contas segurou tarifas e alegou que elas serviam mais a acionistas do que aos usuários. Nos dois casos enfim há desequilíbrio, necessidade portanto de maior fiscalização, tema para a Agepar.

Folclore

Munhoz da Rocha nomeou apenas um filho, Caetano, em seu gabinete, e Ney Braga, o irmão Lacerda Braga na Fundepar. Exemplos de austeridade, raríssimos.

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