"Palhinha" para Bolsonaro

Nem tudo do exterior e inteligente é contra Bolsonaro, como se viu no bloqueio à premiação de "homem do ano" de Nova York. Pois agora uma vanguardista do feminismo, Camille Paglia, que apoia a inssureição contra o ensino da teoria segundo a qual o gênero e a orientação sexual são construções sociais e não determinações biológicas, um dos axiomas do consenso brasileiro, esse mesmo do pensamento único. Apoia, portanto, a posição de Jair Bolsonaro e diz que o tema ajudou a desenvolver a homofobia, consequência direta dos erros da esquerda. Paglia não é uma pensadora de conveniência e de nível acadêmico bem superior ao do guru Olavo de Carvalho, que tenta ser um Carlos Lacerda do momento ou até um Paulo Francis, sem a coragem de um e o talento sofisticado do outro.

Fez, no entanto, uma observação à declaração do presidente de que preferiria ter um filho morto num acidente do que "pareça com um bigodudo por aí". Ela diz que se ouvisse essa frase de qualquer pessoa, "não apenas do líder do Brasil, diria: essa pessoa demonstra uma ansiedade em relação à homossexualidade por causa de uma possível atração." Silogismo também de alto risco para uma acadêmica.

Entre suas declarações está a de que a ideia de que a homossexualidade é universalmente aceita é absurda e o tipo de pregação da moda dá exatamente isso como premissa. Quando esse tipo de observação segura um pouco da pretensão de verdade declarada é que se capta o sentido da observação da mestre e doutora na visão de que os progressistas e a esquerda são a causa eficiente, operacional, da homofobia de hoje. Junte-se esse tipo de reflexão à roubalheira dos políticos, devassada na Lava Jato, e saber-se-á por que a direita de apenas embrionária que aparentava em meio às confabulações da governabilidade se transformou nisso que está aí e que pode ser algo mais difícil do que a inflação que superamos com o Plano Real de um governo, o de Itamar Franco, de que tão pouco esperávamos.

Exemplo pessoal

Ratinho Junior já escolheu a arma de um suposto sacrifício pessoal para enfrentar a rebelião dos servidores estaduais pelo reajuste de 16%, delírio estatístico do momento: congelar seus salários em R$ 33.763 até dezembro de 2022 e também dos seus secretários, conforme a proposta de nove parlamentares da Comissão Executiva. É uma jogada de xadrez a desafiar a cuca do Fórum dos barnabés, prova no entanto que não haverá nada fácil no tabuleiro das negociações sem qualquer chance de xeque mate de parte a parte.

Obviamente, não estamos numa olimpíada de sacrifícios pessoais, até porque nesse item o pessoal do Executivo, somente ele, o que é uma afronta ao princípio da isonomia, é que padeceu, já que os demais poderes, durante esses três meses, tiveram seus ajustes automaticamente. Tudo isso aí implica não apenas em confronto político, mas também jurídico no caso das funções de Estado que contam com um certo nível de equiparação com a hierarquia salarial como o caso de procuradores, advogados, defensoria pública e outras carreiras com ajustes isonômicos.

Cabe ao Fórum, que conta hoje com assessoria de alto nível na área econométrica e também de Contabilidade Pública, fazer aquilo que os deputados não podem fazer: devassa nas contas para dimensionar possíveis ganhos com esses sacrifícios (corte de secretarias e de salários) no contexto geral. Quando você não conta com oposição, numericamente saudável, só há um caminho - o dos sindicatos e associações, como se deu, à certa altura do regime militar, quando entidades como a OAB, a CNBB e a SBPC, os chamados entes intermediários, exerceram tal papel mal cumprido por Arena e MDB.

Ponderação inviável

A mediação de Santos Cruz (Secretaria do Governo) por uso minimamente disciplinado das redes sociais. o que é um pleito razoável em escala mundial, vide o que dá no caso específico do STF contra fake news, mas para ambiente civilizado e não energizado ideologicamente como o governo central. A ala olavista deitou e rolou e o presidente da República entrou na onda e com um tom de campanha eleitoral: "Em meu governo a chama da democracia será mantida sem qualquer regulamentação da mídia, aí incluída as sociais. Quem achar o contrário recomendo um estágio na Coreia do Norte ou em Cuba". Santos Cruz simplesmente tentou ponderar sobre a questão, o que é impossível no fermento brasileiro. E foi ainda chamado de merda pelo Olavo de Carvalho, comandante a distância do clima de torcida organizada.

Folclore

O Paraná é a política da mediania: depois das fases épicas de Munhoz da Rocha, Ney Braga, Paulo Cruz Pimentel, Pedro Viriato Parigot de Souza, de José Richa e de Jaime Canet e Lerner, este com o impacto das montadoras, aquele com o feito dos 5 kms de rodovias subpavimentadas, entramos em solavancos como o de ultrapassar o Rio Grande do Sul em renda interna e voltarmos a perder posição, apesar da crise de Estado e não da economia dos gaúchos. No ranking da corrupção também não estamos entre os primeiros lugares, cuja palma é do Rio de Janeiro com Sergio Cabral. Se ficar entre os cinco mantém a linha do potencial da renda interna, mas celebrar isso é do campo da autoflagelação. E também precipitação porque há mais investigações em andamento e a medalha de bronze não é impossível.

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