Não será no grito, com certa dose de terrorismo, que a economia se reativará, mas antes de tudo precisamos de ter noção, centrada em números, do tamanho da coisa que para Jair Bolsonaro teria transformado o Brasil em nível subsaariano com a fome e a quebra geral com o Estado mal podendo pagar seus funcionários. Vendas no varejo caíram menos em São Paulo em março com 0,7% superiores a fevereiro e 5,4% maiores que em março do ano passado. Talvez indicadores dessa ordem tenham levado o governador João Doria a afirmar que apesar da quarentena, ora desidratada, o nível de atividade econômica chegue a 74%. Vendas em farmácias e supermercados cresceram 14,6% de fevereiro para março. Já na de veículos e material de construção a baixa paulista foi de 11% em relação a fevereiro.

Bolsonaro falou ontem em diálogo com governadores e prefeitos, o que já vem tarde, mas, antes de tudo, identifiquemos o tamanho do rombo até porque o que Bolsonaro está pedindo já ocorre em vários estados e cidades no afrouxamento das medidas que os mais rígidos especialistas olham com aguda preocupação.

Óbvio ululante

Classes superiores se valem da pandemia para revelar nossos níveis de desigualdade como a constatação de que 40% dos candidatos ao Enem não possuem computadores e que é inimaginável normas de distanciamento em favelas como a de Paraisópolis e da Rocinha face ao limite de espaço domiciliar. Um exercício de consciência de culpa, embora um óbvio ululante, como aludia Nelson Rodrigues.

O remoto

Ainda não há condições, embora o desejo de muitos parlamentares, para sessões presenciais no legislativo, com o que cai o nível dos debates. De outro lado, uma decisão do TJ suspendeu o pagamento de diárias a deputados e assessores em viagens às cidades onde têm residência fixa. Trata-se da meia diária de R$ 380. A Assembleia aguarda a notificação para recorrer.

Exames

Depois de vários recursos, a Advocacia Geral da União forneceu os laudos dos exames de Bolsonaro que deram negativo (três deles) para coronavírus. Já na questão do vídeo da reunião ministerial não haverá tanto "fair play", tais as implicações politicas que apuram se o presidente interveio ou não na PF.

Mais um

Paranaenses estão engajados, como a nossa bancada no Senado, pela primeira vez unida na forma e no fundo, a de Sergio Moro como referência e mais a ministra dos Direitos Humanos, a parnanguara Damares, Francischini na CCJ da Câmara Federal e agora o londrinense deputado federal Filipe Barros (PSL-PR) acusando o STF de escalada autoritária vetando pautas importantes do governo.

Mini-Brasil

Carreata bolsonarista em Curitiba ontem foi enfrentada por panelaços e lançamento de ovos e muito papo radical. Um mini Brasil, enfim.

Folclore

Mais um Alexandre na tormenta da negativa do ministro Alexandre de Moraes contra a posse de Alexandre Ramagem: o delegado Alexandre Saraiva. Uma saraivada de Alexandres.

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