O revide
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de março de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Desenham-se no horizonte efeitos possíveis das últimas decisões do STF, a mais imediata ligada à província beneficiando Beto Rica, o irmão Pepe e agora o contador da família Dirceu Pupo Ferreira, este com ordem recente de liberação, e a manutenção do salvo-conduto já deferido que os protege de forma abrangente no voto de Gilmar Mendes.
Quem se vale da queda da Lava Jato é o grupo derrotado na eleição, o do lulopetismo e que busca surfar nessa atmosfera com a milonga de que o homem foi perseguido e é inocente e explorará pendências nos tribunais superiores, a principal delas a questão da prisão pós decisão de segunda instância a ser decidida em abril.
Manifestações de fim de semana em todo o Brasil em defesa da Lava Jato também mostraram que a causa acabou atingida pelas derrotas no STF e percebe-se que a força pela sustentação dos limites fixados é maior do que a disposição das massas para protestos como ficou nítido. Como se afirma que Lula não venceu a eleição porque estava preso e que isso fere de morte o fundamento da democracia teremos a esquerda, ainda que limitada ao monotema, em ação na busca de revitalizar-se.
O acampamento lulista deve agora fortalecer-se depois das crises de desânimo e de falta de perspectivas e os mudos da bancada, entre eles a presidente do PT, deputada Gleisi Hoffmann, retomam a falação, agora em plena ofensiva, enquanto o governo se dilui nas inconsistências que cria, revelando dificuldades para uma articulação com menos acidentes na votação da salvacionista reforma.
Indispensável que o outro lado, o da força-tarefa, dê respostas consistentes antes que o pior aconteça com a total desfiguração de tudo o que foi alcançado em feito civilizatório.
Ainda o consenso
Uma das conquistas do Brasil, que se firma ao longo do tempo, é a da miscigenação, atacada no manifesto do terrorista Brenton Tarrant, autor do massacre nas duas mesquitas na Nova Zelândia. Essa conquista, tão forte em nossa identidade, é um dos temas de consenso do País ao lado de tantos outros contestados na última eleição.
Felizmente as resistências não chegaram a tal ponto, ainda que visíveis na oposição aos LGTB e em outras manifestações de diversidade, isso sem falar no que é jurisprudencial em política externa de na discussão jamais encerrada do papel que cabe ao Estado na economia, ora sob forte questionamento dirigido à uma exasperada privatização fragilmente enunciada no leilão dos aeroportos e com Paulo Guedes, embalado, afirmando que tem que vender o máximo das estatais.
Esse consenso, o da miscigenação, é alçado à condição de valor absoluto. Tanto Gilberto Freire quanto Buarque de Holanda se ocuparam da temática e aqui no Paraná tive o prazer de ouvir do geneticista Newton Freire-Maia a sentença de que seríamos, cada vez mais, morenos.
É verdade que temos minorias entre negros que levam o radicalismo da exaltação da negritude à condenação dessa interação. Supremacistas brancos volta e meia aparecem entre fundamentos em grupos terroristas como se fez de tal bandeira uma das chaves do nacional socialismo germânico na Segunda Guerra Mundial.
Discutir, colocar em xeque, consensos é indispensável à democracia. Há muitos deles, como os que se referem ao convívio democrático, indispensáveis porque insuperáveis.
Guru insatisfeito
Partícipe das crises no Ministério da Educação, durante a qual atacou os militares, Olavo de Carvalho afirmou, sábado, no Trump International Hotel, num encontro com expoentes da direita norte-americana, que se o governo Bolsonaro seguir como está acaba em seis meses.
Muito festejado, o filósofo brasileiro é visto como estrela da constelação internacional de direita em países como Brasil, EUA, Hungria e Itália. É o tal populismo de direita traduzido mais por impulsos do que por uma ideologia estruturada. Carvalho diz desconhecer as ideias políticas de Jair Bolsonaro, mas afirma que vai ao jantar oferecido pelo embaixador do Brasil “para comer”.
Atacou o vice-presidente, Hamilton Mourão, como oportunista e golpista e o citou como integrante da equipe que faz mal ao governo.
Assunto importante que não fará parte da estada do presidente e do jantar é a mais recente pressão dos EUA contra vantagens comerciais que beneficiam países em desenvolvimento como o Brasil e isso foi reivindicado na Organização Mundial do Comércio.
Pedágio
Num momento em que o pedágio é desmascarado no andamento das investigações da Lava Jato e com ramificações em outras unidades federativas, o Ministério de Infraestrutura enuncia a disposição de reajustar tarifas em função do preço do asfalto, o que de certa forma vai em sentido contrário à disposição interna de Ratinho Júnior de adotar novo modelo de concessão com baixa de pelo menos 50% das tarifas.
Folclore
Quando o general presidente Eurico Gaspar Dutra foi aos Esteites, como se dá agora com Jair Bolsonaro, choveram as piadas como aquela em que alguém do governo bateu à sua porta e ele teria respondido “between”.


