O porteiro, o foco

Afinal já está provado que quem autorizou a entrada de Élcio Vieira de Queiroz no condomínio onde mora o presidente Bolsonaro foi Ronnie Lessa, tido como matador da vereadora Marielle. A referência ao nome do presidente foi do porteiro, que a partir de agora será alvo de inquérito anunciado pelo ministro Sergio Moro. Por que teria cometido equívoco tão grave ao vincular o presidente, ainda que de forma indireta, à trama? A reação do presidente foi fulminante em relação à Rede Globo, com a promessa de dificultar ao máximo a renovação de licença da emissora. Uma ameaça já ouvida, anteriormente, à esquerda, por parte de Leonel Brizola em função de uma tentativa de manipular eleição de governador no Rio no episódio da Proconsult em favor de Moreira Franco.

Brizola virou um espantalho para a Vênus Platinada e não foi pequeno o seu esforço para que o caudilho ficasse fora do segundo turno e que se cristalizou em Collor, concessionário da Rede em Alagoas, e Lula. O empenho global foi de tal ordem que mesmo Lula levando a pior no debate com Collor, a Globo fez uma edição escandalosamente capciosa para favorecer o sócio nordestino. Que efeitos teremos dessa novela ainda não sabemos, mas esclarecer o equívoco do porteiro reclama aprofundamento e também "distanciamento" para que não acabe contaminando o andamento das investigações da morte de Marielle, aparentemente num momento, tecnicamente bom, de sua apuração.

A alusão ao presidente é grave demais e foi levada ao presidente do STF, que determinou, ante os esclarecimentos, que fosse arquivada, porém Sergio Moro, ministro da Justiça, pede inquérito sobre a questão.

Juros

O terceiro corte na taxa básica de juros na gestão Bolsonaro foi adotada por unanimidade, o que faz crer que outra redução da Selic cai de 5% ao ano para 4,5% em dezembro. Algumas agências projetam para início de 2020 o registro de 4%. Em cenários de desaceleração da economia é uma tendência mundial esses cortes. O Banco Central tem condicionado os cortes à continuidade das reformas e que tem contribuído para a queda do risco-país e evitado alta do dólar.

Lava jato ativa

Ações recentes voltadas para os feitos de Paulo Preto em São Paulo e agora a prisão de Nelson Meurer em Francisco Beltrão juntamente com seu filho por ordem do ministro Edson Fachin, do STF, recoloca a Lava Jato em plena vitalidade e a afasta do clima de queda que vem ocorrendo com as notícias do Intercept Brasil. Meurer está sendo preso – vejam os rituais judiciais - 17 meses depois de sua condenação. Encaminhado para a Penitenciária da cidade para cumprimento da pena de 13 anos, nove meses e dez dias por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O filho dele, Nelson Meurer Júnior, foi condenado a 4 anos, nove meses e dezoito dias de reclusão em regime semiaberto. Conforme as denúncias, Meurer recebeu R$ 29 milhões do esquema de propina na Petrobras com repasses mensais de R$ 300 mil. Levou ainda R$ 4,5 milhões para sua campanha à Câmara Federal em 2010. Ele e o filho deverão ressarcir a Petrobras em R$ 5 milhões após o fim de todos os recursos.

Urge mais notícias do gênero – investigações e condenações - para que não permaneça a impressão de que tudo acabou e a hora é de sepultar a Lava Jato, como aliás quer a maioria da classe política. A demora da execução da pena no caso Meurer, quase um ano depois de condenado, dá bem a noção dos nossos ritos e que se pretende levar ao máximo com uma nova jurisprudência sobre a prisão pós segunda instância.

Enfim saiu

Finalmente publicado o edital que visa contratar empresa de consultoria que fará os projetos executivos de restauração e duplicação da PR-445 entre Irerê e Mauá da Serra. Seis empresas, pré selecionadas pelo BID, participam da licitação: duas brasileiras, duas portuguesas, uma espanhola e uma israelense. Envelopes serão abertos em dezembro, e a vencedora, conhecida até março de 2020. Essas obras permitirão ligação inteiramente duplicada de Londrina a capital e ao porto de Paranaguá.

Vida selvagem

Uma onça passeando em Campo Mourão ao lado de um parque, outra (menorzinha) em área semelhante em Inajá. Nada de surpreendente, pois não faz muito tempo um macaco quase arrancou o couro cabeludo de uma criança num playground de Araucária e cerca de um ano em Cascavel uma onça desfilava na avenida. Macaquinhos no parque em Maringá e alguns também em áreas de Curitiba onde convivem com saracuras. Isso é bem mais relaxante que as placas de petróleo nas praias nordestinas, aí, sim, uma invasão indesejável.

Folclore

O professor de Geografia José Figueiredo, no Ginásio Paranaense, tinha o hábito de colocar a palavra "viu?" no fim de uma frase, como se estivesse chamando à compreensão e os alunos faziam um concurso de apostas para ver quantos vius seriam anotados. Alguns achavam até que aprendiam mais com o brinquedo.

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