O poder local

Uma das poucas expressões do poder local é o Iapar: a identificação desse órgão público e a cidade justifica plenamente a manifestação havida semana passada pleiteando mudanças no projeto de fusão. Da mesma forma que Paranaguá vê o porto, agora mais do que isso, já que se abriu para concessões mais amplas, como instituição sua, Londrina se alinha como Campinas faria com seu instituto agronômico. Isso vai muito além da geografia, caso de mera localização, para traduzir fusão de interesses e de convívio.

Ao longo da história do Iapar não poucas vezes a comunidade londrinense fez a defesa daquilo que vê como seu pelas raízes fincadas e cultivadas. E não seria capaz da omissão diante da proposta que tem como deficiência a ausência de estudos que impeçam, por exemplo, a existência de dois pareceres, um revelando perdas e outro ganhos, e justamente em cima da autoproclamada intenção governamental de baixar custos.

Não estamos muito acostumados com esse aprofundamento do viver democrático no sentido da participação e a reação de 26 entidades públicas e da sociedade civil, ali expressa, é, antes de tudo, um teste para a nossa história.

Licença-prêmio

O governador Ratinho Junior se posicionou contra a licença-prêmio e essa é uma batalha bem mais aguda do que a representada por uma fusão de repartições. Incorporada à nossa cultura funcional, ainda que estabelecida sem violar direitos adquiridos, já que voltada para os novos servidores, será alvo de possível judicialização, de vez que a expectativa de sua inserção no estatuto pode ser invocada. Se mal se consegue ordenar a questão salarial com o pessoal do Executivo pagando penitência que não atinge outros poderes, dá para imaginar a resistência desse pessoal privilegiado com relação à mudança estatutária.

A licença-prêmio é uma evidência de que até na inércia a folha de pagamento cresce na semeadura de quinquênios, cuja desproporção se torna clara em crises fiscais. Há ainda múltiplos penduricalhos que poderiam ser alvo de debate e remoção. O receio é o de que cheguemos à situação anômala de estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Minas sob ameaça de um colapso incontornável.

Por exemplo, a renúncia fiscal do Paraná ano passado, como essa FOLHA mostrou ontem, desde 2012 cresceu 35,7% e no ano passado no ICMS chegou a 30,4% de R$ 30,205 bilhões. Essa uma ponderável explicação para a crise fiscal na renúncia de R$ 9,169 bilhões. Não há como esperar que as contas fechem e que nisso tudo haja racionalidade.

Caminhonaço

Embora o adiamento do exame da constitucionalidade dos pisos mínimos da tabela de frete, que estava marcado para o dia 4, alguns sindicatos anteciparam a anunciada greve no exercício de pressão. Essa antecipação dos autônomos de São José dos Pinhais acredita em reação em cascata. O governo federal, que solicitou o adiamento, deve ter um Plano B para a hipótese de crescimento da parede.

Reprovado

Segundo o último Datafolha continua crescendo a reprovação do governo Bolsonaro, com o registro de 38% de ruim ou péssimo, a aprovação que era de 33% em julho caiu para 29%. A rejeição no Nordeste subiu de 41% para 52%. 44% dos brasileiros não confiam em sua palavra. Sua comunicação, via redes sociais, se mantém com a claque mais alinhada.

Logomarcas

O Santos cogita, mas há reação interna, de inserir uma coroa no escudo para homenagear Pelé, num momento de rara afirmação dividindo a liderança do brasileiro com o Flamengo. Das mudanças nos símbolos a do Athletico foi uma das que melhor pegou na medida em que se distancia do uniforme original, muito próximo de outros rubro-negros, uma delas com a faixa vertical, lá atrás, na primeira ruptura, com leve jeitinho de Milan. A identificação atual tende à consolidação, posto que no início tenha rendido comentários negativos. O agá no nome pegou, mas o forte é a modernidade da logomarca.

Saque

Liberação dos R$ 500 do FGTS começa dia 13 e, segundo o Datafolha, 45% pretendem sacar e a grana cai na conta dos trabalhadores que têm poupança na Caixa Econômica.

Folclore

Pedro Lauro Domaradski foi candidato a vereador em Curitiba dezenas de vezes e não se elegeu, mas acabou premiado numa avalanche do MDB como deputado federal. Quis mexer na bandeira brasileira e pregou a tomada na Amazônia das Guianas. Para não agredir o ambiente fazia mensagens a giz no meio-fio. Aí um correligionário estranhou o outdoor no meio-fio e ele deu a explicação claríssima: para um povo que por todos os motivos anda de cabeça baixa é a localização mais apropriada.

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