O pequeno é belo
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terça-feira, 04 de fevereiro de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
Pelo jeito voltamos ao culto de anos passados quanto ao potencial das chamadas micro e pequenas empresas. É claro que há uma instituição empenhada em destacar tal papel: o Sebrae, às vezes projetado como ministerial. Esse setor micro teve saldo positivo de 731 mil vagas de trabalho, indicador 22% maior que em 2018 e melhor desempenho dos últimos cinco anos.
Contrapondo-se a isso, as empresas médias e grandes tiveram saldo negativo de 88 mil vagas, o dobro de 2018, quando fecharam 48 mil postos. Esse tipo de análise , que não se refere em qualquer momento à mortalidade das micro e pequenas empresas, ainda muito elevada, como se sabe, pode levar ao equívoco de que se pode viver num universo minimalista, ainda por cima fortemente marcado pela virtude.
Leilão no racha
Mostra a divisão do leilão do pré-sal no Paraná que municípios de porte médio, diferenciados em suas economias, receberam R$ 4,1 milhões, entre eles Colombo, Cascavel, Guarapuava, Foz do Iguaçu, Londrina, Maringá, Ponta Grossa e São José dos Pinhais, e para 199 cidades houve a cota de R$ 488 mil. Já a capital ficou com R$ 16,5 milhões no racha dos recursos livres da cessão onerosa. O secretário de Fazenda de Londrina, João Carlos Barbosa Perez, conta que a expectativa era de que Londrina recebesse R$ 14 milhões, o que não aconteceu em vista do fracasso do megaleilão. A equipe econômica projetava arrecadação de R$ 106,5 bilhões, R$ 36,5 bi a menos do arrecadado.
O pré-sal gerou utopias especialmente nos governos Lula e Dilma, como se ele resolvesse todos os nossos problemas, e nas projeções formuladas e na baixa adesão ao leilão obriga a contenção nesse imaginário ainda não abandonado de todo.
Cracolândias
Curitiba está condenada a abrigar cracolândias ironicamente naqueles espaços de hibernação histórica que consagraram as intervenções de Jaime Lerner. É que esses espaços ocupados por variadas formas de narcotráfico aparecem mimetizados como normais como se a sua patologia estivesse oculta. Apurou-se agora que a maior cracolândia do país, a de São Paulo, se sustenta em 1.680 usuários no centro paulistano e que arrecada R$ 9,7 milhões por mês, forma terrível de autossustentação. O fato é que quase metade dos dependentes químicos, 46%, compra a droga com dinheiro oriundo de roubos. Qual será a situação das já formatadas na capital, ainda que diluídas em seu porte?
O fato é que as intervenções urbanísticas se revelam impotentes para mudar esse cenário, e ao contrário, buscam mantê-lo dissimulado, ainda que sua dramaticidade eloquente fique, por vezes, voltada para aspectos sociais generalizantes como o dos moradores de rua e de questões decorrentes como o de retirada forçada e com internação ou mediada sempre por educadores, respeitando a vontade dessas pessoas.
Feminismo
Bonitas e eloquentes as manifestações pela morte da bailarina Magô, especialmente a havida em Maringá na carga coletiva contra o feminicídio, hoje uma deformação que as leis, tipo Maria da Penha, não deram a resposta adequada e exigem essas mobilizações, o quanto possível, mais frequentes. As celebrações de Curitiba e Londrina revelaram que a sociedade está muito consciente do papel a desempenhar. Uma das vulnerabilidades por exemplo das mulheres perseguidas pelos ex-maridos e ex-namorados está na fragilidade dos rituais das medidas protetivas quase sempre burladas pelos potenciais agressores, alguns reincidentes, como se a justiça não pudesse contê-los. A prisão em caso de burla deveria ser imediata, pois ficaria nítido que as ressalvas e advertências não se mostram suficientes.
Folclore
Irritado com o tom policial dos discursos de Carlos Lacerda, a denunciar suposta corrupção do governo de Getúlio Vargas, um dos seus desafetos chamou-o de Sherlock Holmes, ao que o orador respondeu: "Elementar, meu caro Watson!"


