A esperança gerada pela Lava Jato caminha para a desolação: é possível que a carreata do fim de semana, para consagrá-la, seja um dos últimos atos de glorificação. Com as perdas no campo judicial (as amarras da segunda turma com o afastamento de Celso de Mello), ela não se presta a constituir-se em fator intimidativo, tal a euforia da fauna política e de outras áreas de poder com o retorno à normalidade da corrupção e da impunidade.

Como a pandemia ainda não autoriza o retorno à normalidade (Curitiba sai do amarelo para a laranja, menos restritivo) no campo sanitário, temos a consagração do normal na política, recuperados os sinais das articulações sem qualquer vislumbre de receio de um retorno à perseguição dos ladrões do patrimônio público. No país sempre existiu a tese de acomodação no combate aos males: como existia na luta contra a inflação um segmento que defendia como necessário um pouco de inflação para equilibrar a economia, temos uma área que vê como incontornável uma certa medida de corrupção. O problema é apenas de dimensionamento.

Bronze

Na olimpíada mórbida da Covid-19 estávamos até outro dia com a medalha de prata, ora apropriada pela Índia, na frente com o ouro os EUA, assumimos o bronze. No Paraná 3.513 mortes e 141 mil casos de infecção; no Brasil 126,6 mil mortos, 4,1 milhões de casos.

Autocrítica

O PT sempre rejeitou a ideia de fazer a indispensável autocrítica sobre sua trajetória no poder. Pois Fernando Henrique Cardoso resolveu fazer a sua e aponta que a sua reeleição foi erro. Na hora do bem bom não chiou e agora até admite que tenha havido abusos. Defende o fim da reeleição e prega uma forma mais distritalizada de voto.

O racha

Governo que mantém mais de um candidato leva a pior. Foi esse raciocínio que levou Ratinho Junior a afastar Ney Leprevost da parada em choque com Rafael Greca. Há um exemplo histórico, o de 1955, quando o governo Munhoz da Rocha se habilitou com três postulantes ao Palácio Iguaçu – Mario de Barros, Othon Mader e Luiz Carlos Tourinho -, o que acabou trazendo Moisés Lupion de volta até porque aquela época não havia segundo turno. A tolerância de Bento jamais se daria com Ney Braga, menos liberal e mais ajustado ao sentido clânico da sua composição partidária, de cujo comando não abria mão. Munhoz da Rocha respeitava tanto as posições pessoais como o demonstrou na defesa dos mandatos comunistas que rendeu celebrados discursos, posto que fosse uma das maiores lideranças democráticas que desaguariam no golpe militar de 1964.

Folclore

O gestual em política é sempre um risco: um grupo de estudantes cercava o Palácio São Francisco no governo Munhoz da Rocha para se manifestar contra violência policial por causa da alta da carne que levou multidão às ruas com ataque aos açougues. Seu chefe da Casa Militar, professor de Medicina na Federal, Milton Carneiro, sugeriu que o governador recebesse os manifestantes. Bento teria feito, cruzando os braços, uma "banana" ao seu amigo e consultor. Resultado: a oposição explorou que a "banana" era para os estudantes.

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