O lulopetismo não vê ainda em Fernando Haddad a garantia da transferência de votos
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 27 de agosto de 2018
Luiz Geraldo Mazza 
Posição correta
Corretíssima, sob o ponto de vista ético, a manifestação de apoio unânime da Câmara Municipal de Curitiba à ação civil pública movida pelo Ministério Público estadual para rever a licitação do transporte coletivo da capital. Muitos dos questionamentos foram feitos pelos vereadores na CPI, isso sem falar na auditagem do Tribunal de Contas que também apontou restrições graves. E isso se dá num momento de boas relações entre o poder concedente e as permissionárias, o que cria condições excepcionais para o livre exame do tema em seus aspectos institucionais e de econometria.
É a chance de abrir a caixa preta para que não se mantenha um clima de suspeita claríssima de envolvimento que sempre decorreu desse tom esotérico no trato do assunto. O oligopólio que cuida do sistema é tão desigual que as empresas de menor calibre, quando não podiam pagar um adiantamento, facilitavam a greve de motoristas e cobradores, com o que exerciam mais pressão sobre o sistema. Por vezes o Ministério Público viu na encenação grevista nada mais nada menos do que um locaute, algo comprometedor no relacionamento trabalhista.
Empresas de maior porte têm meios de baixar custos operacionais que as menores não têm, e um deles está nessa maior capacidade em escala de adquirir insumos, matérias primas, peças e acessórios a preços mais baixos com a central de compras. Isso favorece especialmente as que detêm o serviço em outras cidades e outros estados, sem falar de outros fatores locacionais como garagens e oficinas de sustentação. Aliás, elementos como as garagens, oficinas e centrais de compras sempre favorecem em concorrência os beneficiários. Essa a causa também de o problema se estender às linhas intermunicipais e interestaduais que garantem a vitaliciedade, e o uso da expressão licitação se torna uma farsa.
Uma certa garantia ao capital acumulado é até compreensível, já que seria inimaginável que um empresário de fora pudesse chegar aqui para enfrentar interesses acumulados a não ser que adquirisse o controle das existentes. A compra de empresas e respectivas concessões é o que mais acontece como se deu com várias das nossas. A Nossa Senhora da Penha, por exemplo.
OAB unida
Também a direção regional da Ordem dos Advogados do Brasil está envolvidíssima na questão de submeter seu caixa ao Tribunal de Contas da União. É a retomada de uma batalha antiga e a OAB alega não lidar com recursos públicos, razão pela qual não se enquadraria no que está sendo pretendido. Ela não se confunde com instituições de registro e controle do exercício profissional. O problema é que a diretoria técnica do TCU deu longo parecer sobre a devassa, ainda neste ano, das suas contas.
Transferência
O lulopetismo não vê ainda em Fernando Haddad a garantia da transferência de votos, apesar de um dos indicadores do Datafolha assegurar que 31% dos eleitores votariam em nome indicado pelo ex-presidente e que talvez uns 18% também o fizessem. O jogo de "mostra e esconde" Haddad fragiliza um dos melhores quadros do partido, mas o sentido da resistência é para manter, o quanto tempo for possível, a mística da vítima e da perseguição e, é claro, o messianismo, mais para padre Cícero do que para Sebastião.
Mais um
Mal absorvido o impacto das três mortes de soldados no Rio, houve mais um caso na madrugada de domingo: o segundo sargento do Exército Gilson Alberto de Souza Amaral,, assassinado a tiros em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Foi atingido quando estava num bar. Parece que somente agora se consolidou essa visão de que se está numa guerra e de características desiguais, notadamente pela mobilidade dos traficantes e sua inserção nas comunidades.
O trem
Nossa relação com o trem é de amor e ódio: vereadores de Curitiba retomaram a discussão sobre a perturbação do sono dos curitibanos pelas buzinas das composições. Muita gente tem se mudado das áreas próximas à linha férrea e nunca mais se falou no projeto de retirada das linhas que precedia a privatização do sistema. Não apenas o sossego está em jogo porque há ainda a questão da segurança nas passagens de nível onde seguidamente há acidentes.
Kikito
Premiado com o Kikito de Ouro um filme curitibano no festival de cinema de Gramado, o longa de Aly Muritiba, "Ferrugem", sobre bulliyng virtual. O filme ganhou kikitos de roteiro e som. Muito agito no festival de restrições a um edital de fomento da Ancine e pelo coro de "Lula livre" por Osmar Prado, premiado como melhor ator pelo filme "10 segundos para vencer".
Folclore
O gay "Gilda" era tão nacionalista que costumava explicar que seu nome não derivava da Rita Hayworth, a estrela americana, e sim da Gilda de Abreu, escritora, cantora e mulher de Vicente Celestino.


