O judas da moda
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de junho de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
Sergio Moro paga duramente agora por ter submetido a fauna política a constrangimento e a provar que era honesta. De um lado advogados -muitos deles viram sua carreira ameaçada com a Lava Jato - pretendendo impedi-lo do exercício da advocacia, o Tribunal de Contas da União para que se explique se firmou contratos de trabalho depois que deixou o governo, outros querem a suspensão do que recebe na quarentena, enfim, uma carga pesadíssima. É o revide pelo fato de ter conduzido a maior campanha contra a corrupção no país. Mas é também a cobrança por ter aderido ao governo como ministro, concedendo-lhe a aura da honestidade. A reversão do processo com os exageros interpretativos da Vaza Jato, na qual a classe política tudo apostou, está aí para transformar o herói em vilão.
O pior é que há necessidade de andamento dos processos, ora interrompidos, para que se sinta, outra vez, o clima de benesses na condenação de figuras do primeiro time e que se dizem perseguidas.
Pró democracia
Amanhã está programada uma ação virtual pela democracia reunindo todos os matizes da direita à esquerda, ex- presidentes como FHC, Sarney e Michel Temer, em movimento igual ao das diretas já como intervenção saneadora no processo político brasileiro. Lula já disse que não participará, uma vez que adotou o isolacionismo, o que afasta a representação mais forte da esquerda brasileira. O Paraná estará representado? Beto Richa não parece disposto, mas figuras municipais como Rafael Greca e Ney Leprevost pegariam bem. Moro não foi convidado, mas é candidato presidencial do Fábio Aguayo, presidente nacional da Abrabar (Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas) num tempo -o da pandemia - de bares e casas noturnas fechados.
Confusão
O presidente voltou a mudar a narrativa oficial retificando a data da demissão de Weintraub do ministério e estabeleceu que a exoneração passou a valer um dia antes do que constara anteriormente. O mesmo teria se dado com a saída, essa tumultuária, de Sergio Moro.
Pressão
Fundos que administram US$ 4.1 trilhões enviaram carta a embaixadas para discutir Amazônia, enquanto investidores e deputados da União Europeia aumentam pressão contra desmatamento no Brasil. Em evento da CBI (Climate Bonds Initiative), a ministra Tereza Cristina, da Agricultura, afirmou que o país pode produzir mais sem cortar uma árvore. Ela disse que apenas 8% do território brasileiro é ocupado por lavouras que não atingiram a plenitude de sua produtividade. Roberto Campos Neto, do Banco Central, declarou que o Brasil precisa participar mais do mercado de títulos verdes, que negocia US$ 541 bilhões, enquanto a nossa participação é de apenas US$ 1,5 bilhão.
Folclore
De 27 de setembro a 12 de novembro teremos a campanha de prefeito e vereadores, o que pode ajudar nesses agitados 45 dias, a pensar menos na pandemia e mais nos rumos que a cidade tomará.


