O jeitinho como norma
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quarta-feira, 09 de dezembro de 2020
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Teme-se nos desdobramentos da decisão do STF sobre a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado dificuldades crescentes para o convívio dos ministros. Incrível é que há cobrança de um suposto pacto que não foi cumprido, falando-se, até nas especulações, de traição no descumprimento do previamente acertado. Problemas formais e pequenos abusos fizeram com que a maior operação contra a corrupção e a impunidade entrasse num ciclo de declínio como se deu com a Lava Jato ao ponto de ser vista como "maldita", enquanto se acata como normal o havido na Corte em torno da relação pactual entre votantes e que teria sido assim burlada.
A distância entre o discurso, a doutrina, e a práxis é uma constante no plano deontológico e que em episódios como o da última decisão do STF ganham força de expressão.
Vacina politizada
Nos EUA o presidente Trump pretendia que a vacina do país fosse a primeira na corrida entre as farmacêuticas e no Brasil João Doria fazia o máximo esforço para encaixar a chinesa diante da qual o governo central se mostrava indeciso. Na emulação, a Inglaterra levou a melhor, mas no Brasil, numa reunião do ministro da Saúde, Pazuello, com os governadores, tivemos a mais aguda das tensões em torno da campanha de imunização na qual o governador paulista queria sair na frente, inclusive, valendo-se da data do aniversário de São Paulo, a 25 de janeiro. Mas havia o veto da Anvisa que exige etapas a serem cumpridas antes da liberação do produto,
Como o ambiente está excessivamente tóxico tudo é submetido ao filtro político e deturpado por força de motivos até supostamente ideológicos. Pior do que isso é o exercício de desenfreada corrupção na compra de respiradores e outros equipamentos e insumos.
No limite
O agravamento dos números da Covid-19 está projetando um cenário, até aqui o quanto possível discreto, de pânico e falta de rumos. Ativam-se leitos, como se fez na capital, mas o sistema aparenta estar à beira da exaustão. Unidades de pronto atendimento estariam com dificuldades de equipamento e equipes reduzidas e com espera nas filas de no mínimo quatro horas. Tudo se alinha num momento de ascensão de casos e óbitos (no Brasil 376 mortes em 24 horas, agora com total de 177.388, Curitiba com mais 11 mortes no total de 1.851, no país mais 25.123 infecções) e há o empenho repressivo, com multas que vão de R$ 5 mil e R$ 150 mil a infratores das normas de distanciamento, fechamento de comércio, cassação de alvarás. O prefeito Rafael Greca acerta com Doria a aquisição de vacinas. Num quadro desses até a serenidade é suspeita.
Galopante
A inflação é galopante e o IPCA chegou a 0,89%, o maior desde 2015 quando chegou a 1,01%. A pressão dos alimentos se junta a outros fatores. No meio disso, a falta de componentes ameaça parar as montadoras.


