O grito primal
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quinta-feira, 25 de julho de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
O grito primal
Lulopetistas andam a exibir botton com a expressão "Moro canalha". É a prova maior num momento de alta fermentação política ante os desvarios da direita no poder do estado de letargia das nossas oposições, imitando o adversário em irracionalidade. A opção pelo instinto e o impulso deixa de ser característica de quem está no governo e passa a configurar o estilo dos opositores, que ao xingarem o ex-juiz Sergio Moro optam por essa maluquice e estupidez ao mantra "Lula livre", certamente preferindo agredir o condutor da Lava Jato a pleitear a saída do ex-presidente da cadeia, o que também não será uma revolução como não foi a sua prisão, apesar da advertência de Gleisi Hoffmann de que iria morrer muita gente, um banho de sangue.
Em psicologia há a constante referência ao grito primal: o paciente dá o uivo como se isso o libertasse da compressão que o aprisiona. Nesse episódio, tal qual na eleição quando a direita se sobressaiu por reflexo da esquerda exaurida, assumem e se engajam numa postura que em primeiro plano destrói a intelectualização dos processos e os iguala na animalidade.
Segue a trilha
Como é visível que a maior parte das universidades estaduais se recusa a aderir à Meta 4, submetendo-se ao programa de Recursos Humanos do governo, estamos já diante de novos atritos em função agora da suspensão da contratação de servidores temporários para as cinco unidades que se recusam ao ajuste de contas. A Comissão de Política Salarial declara que houve gastos de R$ 20 milhões com serviços extraordinários e condiciona a liberação de tais contratações ao enquadramento na Meta 4, já aceito pela Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná) e a Unicentro (Universidade Estadual do Centro Oeste).
Ponham na cabeça, reitores e professores, o Estado quebrou e isso está visível na hibernação de salários tanto de servidores como do governador e seus secretários. Para andar na areia movediça é indispensável algum método e menos discurso de autonomia que não leva a lugar algum. A economia é de guerra, chegaremos em pouco ao racionamento.
Perdas
De olho nos rankings de saneamento, do Instituto Trata Brasil, que analisa os níveis de suprimento de água e tratamento de esgotos no país, Londrina percebeu a perda de duas posições, figurando agora em 15º lugar, e seu jornal, esta FOLHA, foi atrás das causas, já que seu povo reage imediatamente a qualquer queda estatística. Entre as melhores classificadas há cinco cidades paranaenses: Maringá em 4º, Cascavel em 6º, Curitiba em 12º, Londrina em 15º e Ponta Grossa 17º. Um dos problemas pertinentes é o das ligações clandestinas, que estariam a exigir maior rigor nos convênios entre a Sanepar e os municípios para combater a anomalia, aliás frequente principalmente na capital à vista de todos. O posto de Maringá é histórico por ter sempre lutado por essa hegemonia e ter um dos mais avançados sistemas. No passado remoto houve uma dúvida em Londrina se ela poderia ser abastecida pelo aquífero Guarani de águas subterrâneas e termais, com alto índice de flúor, ou pelo rio Tibagi, afinal a opção adotada. Na região, Ibiporã teria seguido orientação diversa. Não poucas vezes a concessão desses serviços pela Sanepar esteve sob discussão numa perspectiva política de melhor atendimento e há cidades no Paraná, como Paranaguá, que estiveram sob os cuidados da iniciativa privada.
Busca incessante
Finalmente a Polícia Federal (São Paulo, Araraquara, Ribeirão Preto) prendeu suspeitos de hackear integrantes da Lava Jato. Esses conseguiram pegar dados do aparelho de Deltan Dallagnol, mas não de Moro. Não há confirmação de que esse grupo tenha ligação com o vazamento das mensagens pelo The Intercept Brasil. É o mínimo que se possa esperar: vigilância e investigação no aparato que afeta as instituições e as compromete.
No STF, o diretor geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, afirmou que não há nenhum inquérito em andamento para apurar a conduta do jornalista Glenn Greenwald, editor do Intercept. O que também é positivo pelos riscos que a liberdade de imprensa corre no ambiente tóxico das ideologias neste preciso momento.
Quinhentão
Em que medida um saque máximo de R$ 500 ativará o consumo? É o que se pergunta diante das providências adotadas para liberar contas ativas e inativas do FGTS. Aliás, o ministro Paulo Guedes, da Economia, anunciou que isso se dará todos os anos. Para um país de famílias endividadas e inadimplentes somente saques maiores, como os que se deram sob Michel Temer, drenariam para o consumo. Não está fácil destravar a economia. Além da escassez de opções há muita bateção de cabeças.
Folclore
Quando Rafael Greca, em seu primeiro mandato, reinaugurou a Vicente Machado, ele e a mulher, Margarita Sansone, pareciam imitar, em carro aberto, o casal Kennedy-Jackline, e aí sugeriu-se que o implacável perseguidor de prefeitos, o saudoso jornalista Cândido Gomes Chagas, estaria, do alto de um edifício, com espingardinha de rolha dando tiros alegóricos nos personagens, imitando o cara que atirou de verdade no presidente americano.


