O "golpe" do golpe


A pregação golpista foi intensamente testada e nutrida, de lado a lado, por bravatas como diagnosticou com precisão o presidente da Câmara Federal, Arthur Lira. Entre os que acreditaram no "golpe", caminhoneiros que ficaram mais dois dias boqueando estradas. A resposta ao golpe veio mais forte nos discursos dos ministros Luiz Fux, presidente do STF, e o ministro Barroso, presidente do TSE. Acuado, Bolsonaro respeitou o ritual diplomático diante do dirigente da China e elogiou nosso maior parceiro. E daí, o golpe foi afastado ou pode retornar a qualquer momento? O golpe é tradição nossa, basta lembrar a proclamação da República. Vamos fingir que o risco passou e que urdiduras de golpe não doem nada como a picadinha da vacina. Os que aparentam coragem seriam heróis como tentam fazer crer ou porque sacaram as novas circunstâncias?  


Empresários entraram para valer ante a queda de 3,78% da Bolsa, a maior desde a anulação das condenações de Lula pelo STF, e querem que o governo mire retomada e não a Corte Suprema.  


Inflação  

Inflação acumulada em 12 meses é de quase 10%, ou para ser mais preciso 9,68%. Isso aí mais a escalada dos preços, desemprego e sinais recessivos, nem parece que tivemos a contemporaneidade do Plano Real, que espantou a bruxa. O IPCA sobe 0,88%, o maior em 20 anos, que em julho chegou a indecorosos 0,96%. A realidade faz milagres: o PSDB desceu do muro, disse que está na oposição e com um pedido de impeachment engatilhado. Há cálculos de que esse teatro consumiu mais de R$ 190 bilhões em valor de mercado. Nosso sadomasoquismo é notório.  


Queda  

O Paraná e a maioria dos estados aparecem no mapa sanitário em azul, em queda livre da Covid. Entre terça e quarta tivemos 250 novos óbitos e 14.320 infecções em 24 horas. E ficamos sem saber se o bloqueio à Coronavac para terceira dose é ciência ou a possível política. São Paulo se mobiliza para defender a excelência do  Butantan, subestimada pelo governo federal. O metrô de SP soma até agora 7.692 alertas de falta de máscaras, o que revela descaso e desobediência.  


Promessas  

Foi assinado quarta-feira em Guarulhos contrato pela ligação de trilhos entre a região central de São Paulo e o aeroporto de Cumbica num prazo de 24 meses, acordo entre o governo federal e a concessionária GRU Airport. O valor de R$ 270 milhões será descontado do que a concessionária deveria pagar à União pela outorga do aeroporto. Essa precisão na promessa faz lembrar novelas anteriores, como a do super trem entre Rio e São Paulo e a novela bufa da Linha Verde de Curitiba, exemplarmente o reverso das eficiências do urbanismo da terra.  


Transas  

Enquanto mantém resistência a processos de impeachment contra Bolsonaro,  o presidente da Câmara, Arthur Lira, e mais o ministro Ciro Nogueira, Casa Civil, lideranças do Centrão, tiveram reunião na quarta feira, fora da agenda, com o ministro Gilmar Mendes para tentativa de restabelecer o diálogo com o STF, fortemente turvado pelo presidente da República. Ministros em maioria veem com ceticismo a iniciativa.  


Invasão  

No meio das articulações golpistas caminhões fecharam a Esplanada e tentaram invadir acesso ao STF. Como a sarna, tudo começa com cócegas e de coceira em coceira chega-se lá. E entre intimidados e intimidantes a notícia positiva de que o Congresso deve devolver a Bolsonaro a MP das fake news. 


Folclore 

A busca da oposição e de independentes é agora a de produzir provas do uso de dinheiro público nas manifestações de 7 de Setembro e isso deve ser preocupação do Tribunal de Contas da União. A oposição sonha sempre com as burradas do governo e jamais enxerga as suas, o que não a impede de sobreviver.     

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