O baixo nível de arregimentação sindical está favorecendo o governo estadual e a prefeitura da capital no corte sistemático de cargos e funções. Agora o legislativo estadual cortou cargos em comissão nas sete universidades estaduais e hospitais universitários na expectativa de uma economia anual de R$ 16,5 milhões. Já no município de Curitiba o facão mais agudo: extinção de 32 cargos, nos quais havia 2.500 vagas, um tesouro para políticos.

A questão das universidades vinha sendo empurrada com a barriga sob a alegação de que prezavam por sua autonomia, embora o alimentador do cofre, o governo, padecesse com infrações seguidas à Lei de Responsabilidade Fiscal. Esse front, o da universidade, é símbolo da nossa fragilidade política, pois tivemos vários ministros de Educação e não federalizamos nenhuma delas, enquanto isso se dava no Rio Grande do Sul, Minas e outras unidades.

Desencontro

Ao incluir academias, salões de beleza e barbearias no rol das atividades essenciais, Bolsonaro surpreendeu seu ministro da Saúde, Nelson Teich, que tenta afinar o planejamento da área. Isso vai dar choque jurídico, já que tanto prefeituras quanto estados, escorados em decisão do STF, alegam que essa prerrogativa não é da União. O presidente frisa que a definição das essencialidades é do ministério da Economia. Falta um mínimo de coordenação, enquanto o afrouxamento da quarentena aumenta o número de infectados e mortos. Nas últimas 24 horas tivemos 396 óbitos no país, e no Estado 1.840 infectados e 111 mortos. Rodízio de placas em São Paulo, ao tirar meia frota de circulação, sob intensa contestação judicial, ativa o transporte público e reduz congestionamentos, esforço para melhorar as taxas de distanciamento e prevenir a Covid-19, que já matou na capital paulista 2.305 pessoas.

Há quem acredite que ontem foi dia d do choque Moro-Bolsonaro com a apresentação do vídeo da reunião ministerial e depoimentos de vários ministros e delegados, como Alexandre Ramagem, que negou ter amizade com o presidente e sua família, como no dia anterior Maurício Valeixo tinha afirmado que se desejava afinidade com o comando da PF. Demissão de pessoas que atuaram na Lava Jato parece decorrer da aliança recente com o centrão.

Décadas em questão

A taxa de crescimento da década que encerra este ano, conforme o Banco Central, acumulará uma alta do PIB de 1,9% e só neste ano encolherá 4,1% em função da pandemia. Curioso é que na chamada década perdida (1981 a 1990) houve crescimento de 16,9% numa inflação em disparada e calote da dívida externa.

Em função da crise, 1 milhão e meio de trabalhadores formais pediram seguro-desemprego, já 7 milhões tiveram jornada reduzida ou suspensa. No trimestre, encerrado em março, havia no Brasil 33,1 milhões de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, segundo IBGE.

Folclore

Manoel Ribas virou Maneco Facão por fazer cortes de gastos e dispensa de pessoas. Ney Braga demitiu em massa os nomeados no fim do governo Lupion e renomeou a metade, em doses homeopáticas, dando a impressão de que salvara a todos. Seguiu o conselho de Maquiavel: o mal se faz de uma vez e o bem aos pouquinhos, quase sem notar.

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