O desespero em ação

Uns acham que o desespero sempre foi do lado da Lava Jato e seus policiais, promotores e juízes no esquema punitivo, mas se percebe claramente que tudo pode ser dito de seus alvos, menos que sejam inocentes. Juntam-se agora aos alegados controles ilegais de conversação entre advogados as revelações do Portal Intercept Brasil no sentido de que Moro teria orientado investigações do Ministério Público. Moro e promotores confirmam conteúdo do papo e dizem que não há ilegalidade.

O sonho da classe política, de um modo geral, é o de ao fim do processo de queda da ação judicial – fato inegável, decorrente também de estresse, fadiga do material- uma anistia, daquelas geral e irrestrita de tudo o que se relacionar com o Caixa 2, notadamente depois de definida a competência para o juízo eleitoral. Da mesma forma que a defesa do ex-presidente Lula entende que a quebra de sigilo na conversação entre seus advogados é suficiente para anular integralmente o processo do tríplex, o único até aqui, dentre os dez, muitos ainda em início, com ratificação decisória em segunda instância.

Como aceitar essa ideia de que tudo pode ser anulado com os ex-governadores do Rio, Sergio Cabral, e Pezão, agora pertinho de Eduardo Cunha, todos acalentando uma absolvição juntamente com as centenas de executivos de empreiteiras transnacionais. A Lava Jato pode ter cometido seus erros – uns por abuso até de confessionalismo e outros por excesso de zelo na luta contra a hidra da corrupção em metástase neste país- mas será impossível conter e obstar tudo o que apurou e denunciou.

Má vontade

É manifesta a má vontade da mídia em relação ao presidente. Claro que ela decorre das incongruências do personagem e a linha autoritária, mas dá para perceber o nenhum destaque, afinal é informação, ao aumento no nível de carteira assinada no mercado de trabalho e agora, mais recente, a queda nos preços dos alimentos, ainda que possivelmente gerada pela demanda precária, isso é, ausência de consumo, porém fortalecendo a retaguarda da inflação.

A aliança fanática que o apoia nas redes sociais tenta o possível e o impossível para exaltar seus atos, embora sua preocupação doentia se volte preponderantemente aos adversários reais ou imaginários. Não se pode alegar que estejamos sem diálogo e as declarações dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, de que eles e Jair Bolsonaro têm de se aturar, algo como aquela clássica do Zagallo, "vocês vão ter que me engolir!" Afirmam que o governo não tem base sólida, mas deve sobreviver e o trâmite da Previdência, em meio a tantos vacilos, indica progressão.

Lobbies em ação

Como na Carta de 1988, o lobby está em ação no fato de que as corporações interessadas têm conseguido emendas à reforma previdenciária, o que aliás sempre foi assim. Acredita-se que pelo menos dez parlamentares apresentaram como suas emendas de autoria das entidades. Há muito perdemos excesso de pudor sobre o lobismo, presente no dia a dia dos governos e das ações políticas. Por sinal que várias tentativas de regularizá-lo em leis nacionais e até mesmo regionais foram implementadas. E pelo que foi revelado na Lava Jato, se capta a relevância do antes encabulado, hoje soltinho, sistema de sua mediação nos negócios. Um exemplo de lobby perfeito em nossas práticas: a reserva de mercado obtida pelo sindicato de motoristas e cobradores contra a maior amplitude da bilhetagem eletrônica no sistema de transporte coletivo de Curitiba. O avanço tecnológico, que baixaria as tarifas, foi contido para segurar, ainda que parcialmente, os empregos.

Alarme

Seguidas vitórias do prefeito Rafael Greca contra sindicatos, como no caso da opção por terceirizados na assistência médica e agora na contratação de servidores temporários, tem demonstrado que o segmento anda enfraquecido em termos de representação. Sequelas de todo esse processo se manifestam em formas de precarização do trabalho. Percebe-se que o mesmo se dá no plano estadual, mas aí funcionam tanto a APP como o Fórum dos barnabés e que tentam fazer a barragem das iniciativas.

O teste do sindicalismo se dará agora no governo Ratinho Junior, que alega não ter como dar os quase 5% de reajuste ao pessoal do Executivo, o que pode ser respondido com greve, pelo menos na intenção dos dirigentes.

Folclore

Luis Claudio Romanelli, deputado, volta ao tema que já o levou ao radicalismo de transpor na marra a barreira do pedágio e sem sofrer qualquer punição. Agora ele e o prefeito Neto Haggi, de Cambará, ingressaram com ação popular contra a cobrança de pedágio e o fechamento imediato da praça entre Cambará e Andirá, na BR-369, pela Econorte na semana passada. Pelo jeito desistiu da ação direta por acreditar na justiça, que exige menos esforço.

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