O beijo gay

Há muito tempo tivemos intensa polêmica em torno de um beijo gay em novela global: criou-se expectativa e no fim o ósculo não entrou no ar. De lá para cá tivemos decisões judiciais que confirmaram essa contemporaneidade como o reconhecimento da unidade homoafetiva e, mais recentemente, a identificação do preconceito a LGBT e homossexuais como crime. Como tais decisões não estão sujeitas a um referendo percebe-se que grande parte da população discorda dessa abertura, vista por alguns grupos como arrombamento.

Agora na Bienal do Livro no Rio o prefeito Marcelo Crivella mandou apreender livros com temática LGBT e acabou levando a pior em decisão do STF. O móvel do caso em história em quadrinhos havia o beijo de dois rapazes e que virou no fundo de toda questão e o veto do prefeito apoiado na guarda municipal para recolhimento dos livros. Houve reação forte e compensada pela decisão judicial. Efeito mediato: editoras registraram aumento na procura por títulos do gênero.

O prefeito, inconformado, entrou com recurso contra a decisão do STF e que deve contar com apoio franco do bolsonarismo, cuja ideologia mais forte é o combate aberto ao consenso no país tanto em questões políticas como morais, tudo aquilo que se cristalizou como norma do nosso convívio.

Feminicídio

A Folha de S.Paulo, compulsando números do Sistema de Informação de Agravos de Notificação, concluiu que no Brasil a cada quatro minutos há uma agressão a mulher. Um levantamento do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em 2017, revela que 4.396 mulheres foram assassinadas. Acredita-se que os números reais são mais altos, já que persiste alto índice de sub-notificação. Com leis como a Maria da Penha, generalização de delegacias da mulher, há mais informações, embora questões culturais assentadas no machismo contribuam para que não se conheça a extensão do problema.

Anomalia

Ficar de olho na Pnad contínua do IBGE equivale a uma radiologia da nossa realidade. É norma a ascensão contínua dos indicadores favoráveis, razão pela qual quando se detecta um negativo é necessário botar uma lupa e qualificar essa investigação. Pois acabamos aparecendo como a unidade que mais acumulou analfabetos nos últimos anos de 2016 para cá em 13,47%, enquanto em termos nacionais celebrava-se queda.

Embora nem tudo que vem da área da educação seja positivo – e temos aí o escândalo da operação "Quadro Negro" a confirmá-lo – essa é uma questão que exige aprofundamento de análise. No Brasil, houve queda de 11,671 milhões para 11,253, e no Paraná os que não sabiam ler e muito menos escrever houve acréscimo de 401.510 para 454.491. Sério demais para que venha a ser subestimado.

Meteram a mão

Ficou claro que os reservas do Athletico mereciam ter vencido o Santos em seus domínios por um a zero não fossem o árbitro e o Var inventando penalty em jogada fora da área convertido por Carlos Sánchez. Analistas de rádio e televisão condenaram o esbulho. O time paranaense buscou descansar os titulares para a final da Copa Brasil contra o Inter. Nesse torneio, o Coxa leva vantagem sobre o rival, pois já disputou duas finais contra Vasco e Palmeiras e o rubro-negro encarou apenas uma, em que perdeu do Flamengo. O Coxa leva vantagem também em número de semifinais, mas se o Athletico levar essa a estatística é toda sua.

Medo

Vizinhos de carceragens aqui ou em Londrina vivem em permanente preocupação com a rotina das fugas. Ocorre que o primeiro espaço de fuga é justamente o casario próximo. Assim a proximidade da Segurança em vez de favorecer os moradores coloca-os sob intenso risco.

Sem reação

As mais recentes degravações do Brasil Intercept animaram as hostes lulistas tanto no caso da investigação arquivada sobre o aparelho de escuta na cela do doleiro Yousseff quanto o traço seletivo dado a conversas telefônicas do ex-presidente. Os defensores do lulopetismo querem pressionar o STF a se manifestar sobra a conduta de Sergio Moro como juiz. No momento atual a Lava Jato se encontra sob ataque e não mostra disposição para enfrentamento.

O pior é que o processo de fritura do Ministro da Justiça segue em fogo lento.

Folclore

Houve um tempo em que a imprensa paranaense era tocada a jipe, na verdade a jeep na acepção mais correta. Um dos maiores editorialistas da praça era o Jeep, José Eduardo Ericksen Pereira, autor do livro "Uma história de caminhos" em torno da saga dos tropeiros entre Viamão e Sorocaba. Ericksen Pereira foi o primeiro chefe de redação de "O Estado do Paraná", jornal que veio para dar cobertura ao governo de Munhoz da Rocha, já que os demais jornais tinham muita influência de Moysés Lupion como dono ou acionista importante.

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