Novela mal acabada


Novela mal acabada

Houve, novamente pelo voto de Minerva, a derrocada da prisão pós segunda instância, mas há ainda a esperança de seu retorno com emenda constitucional como os lavajatistas do Senado e da Câmara asseveraram aos ministros. Claro que é mais fácil o colegiado judicial do que qualquer das duas casas do Congresso tomar decisões como foi o caso do casamento homoafetivo, acertado por unanimidade e se fosse levado a um referendo iria dar pauleira bem mais intensa do que as até aqui vividas.


Por sinal que teremos prato cheio da política: o primeiro, a liberdade de Lula e consequências das atitudes que tomará que poderão fortalecer ainda mais a direita ou a prudência de só fazer pronunciamentos depois do exame da correlação de forças. Depois desse caso o exame das consequências da decisão do STF: quantos ficarão em liberdade e quantos ficarão presos preventivamente. Segue-se como tempestuoso o clima no parlamento com a análise do pacotaço e a certeza de que haverá batalha intensa com as matérias sociais abarcadas que neutralizam gastos obrigatórios com educação e saúde e aquela que mexe na jornada de funcionários para diminuir-lhes os salários. É prato cheio que pode dar cogestão, isso é, um mutirão pelo novo das reformas, ou congestão.




O que ganha?

Rompendo tradição de 27 anos, pela primeira vez o Brasil, junto com Israel e EEUU, votou a favor do embargo a Cuba. Isso teria sentido com a Guerra Fria que o governo insiste em recriar, já que as relações inclusive dos americanos com Cuba havia melhorado com o antecessor de Trump. O Departamento de Estado nas últimas semanas pediu duas vezes ao Itamaraty que mudasse o posicionamento histórico. O embaixador da ONU, Mauro Vieira, era contra o acatamento do pedido.


Tivemos várias decepções com medidas norte-americanas como a negativa ao ingresso na OCDE, que estava combinado, e o recente veto à carne brasileira. O curioso é que agora no megaleilão do pré-sal o Brasil pediu socorro à China para evitar o fracasso maior. Quem o atendeu foi o dirigente Xi Jimping.


A propósito as petroleiras estrangeiras bronquearam contra o preço que Paulo Guedes insistiu em bônus elevado para melhorar o combalido caixa do governo.


Um apelo

De todo o material do pacotaço o que mais mexeu com nossos deputados estaduais foi a questão da fusão dos municípios. E é matéria de forte apelo político e promocional. Dos que discutiram o tema um dos melhores pronunciamentos foi do Professor Lemos lembrando que a Alemanha tem 11 mil municípios e a França 35 mil e tudo funciona. O próprio presidente da Casa, Ademar Traiano, que foi prefeito de Santo Antônio do Sudoeste, sugeriu a mobilização de todas as forças contra a medida.


O fato é o seguinte: no Paraná há muitos municípios sem sustentabilidade, que é o que se visa em termos fiscais. Município quebrado, sem perspectiva de renda com economia deprimida, parece não ter solução na questão fiscal, que não é levada a sério por nenhum dos entes estatais como se vê na contingência real.


Haja engajamento

Roberto Alvim, o dramaturgo que detratou Fernanda Montenegro, foi escolhido para a Secretaria de Cultura, ora subpasta do Ministério do Turismo. Como a área é um dos focos em que a esquerda tem forte presença, nada mais indicado como um alinhado especialmente nas agressões como se dá com os ministérios do Exterior e da Educação. A linha de engajamento é expressa também por Sergio Moro, da Justiça e Segurança, e símbolo da dureza na luta contra a corrupção. Principalmente a dos outros, como sugere a oposição.


Bronca doméstica

A maioria dos ministros do Tribunal de Contas da União está querendo enquadrar o procurador de contas Júlio Marcelo por haver sugerido oficiosamente à Lava Jato que investigasse membros da corte. Dois ministros, Benjamin Zymler e Augusto Sherman, ficaram contra a maioria, mas todos foram favoráveis ao pedido para que o STF encaminhe cópia dos diálogos entre Júlio Marcelo e Deltan Dallagnol.


Copel diverge

A Copel aparenta divergir da linha da Aneel que pretende taxar operações da energia solar e isso em função da assistência que ela tem dado à experiência no ramo, inclusive assistindo de forma técnica à inovação em alguns condomínios. O líder do governo no Senado interveio junto à agência reguladora no sentido de pelo menos adiar a taxação sobre consumidores que aderirem à energia solar. Incrível é que está restabelecido o conflito entre várias formas de energia durante os dois choques do petróleo que foi um momento adequado para testarem novas formas de energia. Da Copel, sempre voltada para a hidroeletricidade, lidou um tempo com o carvão da Utelfa, cuja usina acabou fechada, e cuidou da experiência com os moinhos em Palmas da opção eólica, ainda que tenha descoberto, mais tarde, áreas ao sul com maior intensidade de ventos.


Vacina

Londrina tem assistido a episódios típicos da exacerbação psicossocial com os conflitos na Igreja Católica, que deram margem à mediação de hierarcas do Vaticano por causa de choques entre visões à esquerda e à direita, e agora na questão da peça teatral "Quando Quebra Queima", no Colégio Estadual Hugo Simas, e que trata do episódio da ocupação das escolas. Debate, contestação, tudo é válido se não descambar para a agressão e a irracionalidade. Não há vacina para essa intoxicação e não há outro jeito se não a de enfrentá-la.


Folclore

Mais uma vez entra na pauta oficial a privatização da Eletrobras: ameaçam, ameaçam e acaba não saindo. Paulo Guedes a inclui como uma das prioridades. Foi em Curitiba, em 1953, que eu vi, numa reunião da Comissão Interestadual da Bacia Paraná-Uruguai, Getúlio Vargas anunciar pela vez primeira a criação da Eletrobras. Essa comissão era integrada pelos governadores dos estados dessa bacia pegando sudeste e sul. Estavam lá Lucas Nogueira Garcez, de São Paulo, Juscelino Kubitschek, de Minas, e o nosso Bento Munhoz da Rocha. O impacto do discurso nas comemorações do centenário do Paraná foi muito grande e um executivo do cartel das energéticas, que pescava trutas no Canadá, tentou contestar o presidente e ouviu, como sempre, o repique nacionalista.

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