Mudança de ciclo


Mudança de ciclo 

Dificilmente os métodos processuais da Lava Jato serão mantidos como prova de que a revisão não veio apenas do pacote anticrime, mas também dos desgastes da operação. A liberdade de Lula foi juntada à tese da derrubada da prisão pós segunda instância, isso é ganho de um dado político que se sobrepôs aos ordenamentos jurídicos. Seria impensável depois de tudo o que se apurou em relação aos azes do MDB como Eduardo Cunha, Sérgio Cabral e Geddel Vieira Lima, aquele dos R$ 51 milhões no apartamento emprestado na Bahia, qualquer medida suavizadora ou que implicasse em liberdade. 


Há forças muito organizadas que lutam por esses absurdos. Se no caso deles é impossível o uso do argumento de perseguição, que é absurdo, mas funcionou em favor de Lula e tanto que se insiste na operação ONU que venha a ter um destaque como o obtido pelo documentário cinematográfico de Petra Costa "Democracia em vertigem", concorrente ao Oscar e que trata do impeachment de Dilma Rousseff, ato político normalíssimo e bem mais claro do que o movido contra Trump. Ademais, o julgamento popular da ex-presidente foi a esmagadora derrota para o Senado em Minas, como se deu aqui com Beto Richa e Requião. 




A prisão sem prazo teve novas regras com a imposição revisional a cada 90 dias e fatos contemporâneos a embasá-las. Imaginemos sua aplicação em casos como os dos emedebistas referidos mais aqueles outros com Renato Duque e o mítico Paulo Preto das negociatas em governos tucanos em São Paulo. E temos ainda para complicar a vigência do juiz de garantia.


Fila interminável 

O engarrafamento de quase dois milhões de pleitos não atendidos na fila do INSS é uma perturbadora anomalia para o governo central na medida em que acaba mostrando efeitos perversos da reforma previdenciária. Há questões infraestruturais graves como o baixíssimo índice de digitalização dos serviços e também os entraves da interpretação dos efeitos da nova lei. O fato é que o ministério da Economia tem um plano para reduzir a espera de aposentadorias e pensões que custará R$ 9,7 bilhões para que se ajuste a demanda aos pedidos dentro do prazo regular de 45 dias, hoje uma utopia. 


Mínimo regional 

Desde Requião, e na sequência com Beto Richa, tivemos um ganho extraordinário no que se refere ao salário mínimo regional. E isso vai se dar novamente, em que pese as circunstâncias do momento, com Ratinho Junior (aumento de 5,86%) e que eleva o piso para R$ 1.383,80 a categoria 1. 


Inflação e câmbio 

A inflação quase sai da meta em função do aumento despropositado da carne, atribuído às exportações massivas para a China, cujo preço caiu em dezembro e agora em janeiro com 3%. Tende, pois, a normalizar-se, como se dá também com as cintilações constantes do dólar. É sempre bom recordar do alertamento de Mario Enrique Simonsen de que a inflação aleija e o câmbio mata. A propósito a exportação do agronegócio em 2019 - queda de 4% em relação ao ano anterior - assegurou um volume de receitas acumuladas em dez anos em US$ 1 tri. 


Radiografia do DPVAT 

Uma auditoria nas contas da Líder, administradora do DPVAT, revelou inconsistências de traço financeiro e administrativo de 2008 a 2017 em despesas com médicos, advogados e até em restaurantes, em total que deve superar R$ 1 bi. Já o presidente da Líder, Ismar Torres, desafia os órgãos de controle a encontrar atos de corrupção ou fraudes na companhia. Quanto aos gastos referidos, argumenta que os recursos da empresa são privados. Quem processou a auditoria foi a KPMG. A questão do DPVAT foi levantada por Bolsonaro e atribuída a sua incompatibilidade com ex-correligionário político.


Doria em Davos 

A ausência do presidente Bolsonaro no Fórum Econômico vai facilitar a promoção que o governador de São Paulo, João Doria, fará do seu programa de concessões a investidores internacionais. Na agenda haverá reuniões com Masayoshi Son, do Softbank, com fundos de pensão canadenses como o CPPIB e com bancos britânicos. O governador paulista leva versão renovada dos vídeos de privatização que usa desde a sua gestão na prefeitura da capital. Para emparelhar com o governo federal só uma força como a do governo paulista. 


Folclore 

Uma das ideias-força de Paulo Pimentel era a de fazer do Paraná o segundo maior estado da União e se valia do apelo "Aqui se Trabalha", decalcado do triunfalismo de Mussolini. Aí a guerra esportiva com catarinenses funcionou com a anedota de que nossos vizinhos, ao ver a placa, desistiam de entrar no território. Já naquela época indicadores sociais - educação, saúde, expectativa de vida - dos catarinenses eram superiores aos nossos e debochavam da piada.  

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