Mística forte
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quinta-feira, 08 de outubro de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
Há mais empenho em liquidar a Lava Jato e tudo o que representa do que em realçá-la. Antes não tinha tantos adversários nos vários poderes como agora e atacá-la virou boa causa. Ainda ontem deu para percebê-lo que nem todos se entregam no empenho de liquidá-la e que houve mais uma fonte em diretoria da Petrobras de desvio de R$ 45 milhões investigada pela República de Curitiba. É a evidência de que a força-tarefa precisa de mais prazo para agir antes que a condenem pela inércia.
Primeiro turno
Tanto Rafael Greca na capital como Marcelo Belinati em Londrina revelaram nas pesquisas que podem levar a eleição no primeiro turno. O Ibope mostrou Greca com 47 pontos, seguido de Francischini, com 6, Goura, com 5, Christiane Yared, com 3, e João Arruda, com 3. O impacto foi de tal ordem que Francischini prometeu acionar o instituto, inconformado com os números.
Em Londrina, Belinati cravou 53, seguido de Boca Aberta, com 28,5, Barbosa Neto, com 5, Tiago Amaral, com 4,5, de acordo com a sondagem do Instituto Multicultural. Os dois maiores centros urbanos - justamente onde é mais comum a força de oposição- apresenta cenário tranquilo, posto que haja tempo, curtíssimo, para avaliar melhor os candidatos. Boca Aberta tem uma rejeição de 40,9, Barbosa Neto de 12,5 e o próprio prefeito (Marcelo) de 5. Um dado cético é o de que 36% dos consultados não votariam em nenhum dos candidatos listados, revelação forte de humor afetado pelo cenário.
Na pesquisa espontânea, 53% dos eleitores dizem não saber em quem votar, Marcelo crava 34%, Boca Aberta 6%, Barbosa Neto 1,7%, Carlos Scalassara 1,3%, Tiago Amaral 0,5%. A margem de oportunidade só desponta nessa elevadíssima proporção de omissão.
Teste vigoroso
Teremos hoje um teste importantíssimo no STF, com o julgamento da questão se o presidente dá depoimento à Polícia Federal por escrito ou se é subordinado ao depoimento aberto. De novo o plenário se dividirá em blocos maciços como em todas as situações-limite. Face à firmeza do ministro Celso de Mello é que foi possível abrir a reunião ministerial que o governo queria manter sob censura e de certa forma esse procedimento policial é uma sequência daquela rumorosa reunião e que colocou sob exame as versões de Sergio Moro, então ministro da Justiça, e de Bolsonaro. Para comodidade do governo é claro que o de menor pressão seria o depoimento por escrito, como se deu anteriormente com Michel Temer. O exame aberto da questão completaria e daria unidade à obra de seu clareamento se o presidente interveio ou não na Polícia Federal. É mais complicado, mas necessário em avanço relevante pela independência dos poderes e seus limites.
Folclore
A questão do depoimento de Bolsonaro à PF é delicada, mas não contundente. Pior foi a situação do jurista Nelson Hungria, ministro do STF, provocado por medidas cautelares da oposição em 1955, ao constatar que os tanques e carros blindados do exército estavam na rua em nome de um movimento de "retorno aos poderes constitucionais vigentes" comandado pelos generais que negavam a posse do presidente da Câmara na vaga de Café Filho.


