Milico, ontem e hoje
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quinta-feira, 09 de maio de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Milico, ontem e hoje
Militares andavam fora do contexto nacional, o que não impedia que esquerdistas e liberais os agredissem diariamente por causa do passado recente da ditadura. Essa discrição estratégica projetava a instituição –forças armadas - como a mais respeitada do país, superando a hegemonia dos Correios e Telégrafos nas pesquisas nacionais, e isso muito antes daqueles lances sórdidos do mensalão que encurralou o lulopetismo em chunchos na estatal. Essas respostas das sondagens mostravam o mundo insensato da política de corpo inteiro.
Pois agora, ao incluir num governo de direita forte composição militar, a impressão que dá é para que se repita o cantochão anterior, isso é, que se continue a agressão aos milicos numa dialética de conveniência imposta por supostos ideólogos. Acabou a cerimônia da Páscoa, mas o Judas a ser malhado, diariamente, é o mesmo, sempre um militar, não importa a hierarquia.
O presidente da República bota panos quentes nos atritos numa espécie de aliança entre o sim e o não, que deixa como opereta bufa algo incomparável com a ambivalência de Hamlet às voltas com o ser e o não ser e intrigado ao captar a existência de método na loucura.
E no meio de tanta contradição percebe-se que a ala militar é a esperança do comedimento e da mediação, como são vistos o vice-presidente e tantos outros, daí a atoarda mais truculenta com um código verbal de parede de WC de rodoviária velha para manter acesa a ira da torcida organizada vocalizada pelo guru.
Otimismo partilhado
A Acil (Associação Comercial e Industrial de Londrina) está também otimista (não tanto quanto a Confederação Nacional do Comércio, que projeta um "boom") com as vendas do Dia das Mães de domingo próximo, prevendo um movimento semelhante ao do ano passado que pode chegar a R$ 72 milhões. Há contradição nos informes nacionais a respeito dessa previsão, e tanto que algumas associações de lojistas aconselham associados à baixa dos preços para adensar a demanda.
Saúde saturada
Não apenas as unidades de atendimento básico municipais de saúde estão sob colapso na capital: tanto o atendimento no Evangélico Mackenzie quanto no modelar Pequeno Príncipe, um dos maiores do país em pediatria, que se viu obrigado a suspender atendimentos ante à exaustão dos seus recursos. Pior é que isso se dá no tempo dos cortes orçamentários, um dos quais atingindo um terço dos remédios fornecidos ao INSS no Paraná pela pasta da Saúde. E a rotina não para: estamos na pior das fases no enfrentamento da dengue, com registro de 10 casos de mortes, cinco em Londrina, três em Cascavel e duas em Maringá.
O sigilo
O secretário de Infraestrutura, Sandro Alex, também como os deputados, se insurge contra o sigilo imposto nos acordos de leniência, alegando pretender indenização das pedagiadas, posto que a pretensão parlamentar é mais louvável e que cobra obras comprometidas e no acerto esquecidas. E do Beto e do Pepe Richa e mais o seu respectivo estafe nada se cobra? A questão não está sendo discutida só na aldeia, pois tanto a Advocacia Geral da União, AGU, como a Controladoria da União, CGU, são as mantenedoras do sigilo a pretexto de proteger negociadores de críticas no balanço entre benefícios obtidos e concessões feitas. Isso tira a credibilidade dos acordos, da mesma forma que houve aquele espanto quando a força-tarefa da Lava Jato foi flagrada tentando montar aquela sociedade de dois bilhões.
Velha saída
Não é da nova política a saída encontrada por Bolsonaro para facilitar a tramitação da reforma previdenciária, com a criação dos ministérios de Cidades e de Integração Nacional, cujos titulares serão indicados pela cúpula do Congresso e centralizarão a partilha de grana entre bancadas. Fala-se em liberação de R$ 4 bilhões até o fim do ano. Dando, afinal, se recebe.
Há um foco de resistência no Centrão, que certamente quer algo mais.
Temor do Coaf
Pretende-se manter o Coaf sob o comando do Ministério da Justiça na maioria parlamentar, mas os que se enrolaram na Lava Jato pensam o contrário e apostam noutra celebridade do governo, Paulo Guedes, passando tal responsabilidade à pasta da Economia. Fogem da prensa.
Decomposição
Embora fortalecido com a vitória de Doria em São Paulo, o PSDB se decompõe em escala nacional como se vê no caso paranaense, em que há falta de densidade de postulantes, já que Beto Richa imperava, e buscou-se a "solução jovem" com a presidência entregue a Paulo Litro. E a escassez de quadros é tamanha que num estado politizado como Minas Gerais não se afasta a possibilidade de apostar até em Aécio Neves, altamente credenciado pelas investigações da Lava Jato e levado a disputar espaço na Câmara Federal para não ser derrotado no Senado, como fez aqui a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann.
Folclore
Para um país que já teve ideólogos como Gustavo Capanema, Osvaldo Aranha, Jaguaribe e Alberto Pasqualini, não é fácil habituar-se ao estilo de Olavo de Carvalho.


