Meio normal, meio capenga
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de outubro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Meio normal, meio capenga
Como está o governo federal? Meio normal, meio capenga. E as instituições? Desafiadas, mas até aqui normais, posto que ameaçadas pelo autoritarismo que precisam enfrentar. Se o presidente Bolsonaro é citado em investigação da Polícia Federal como possível beneficiário do chuncho do laranjal de Minas que favoreceu o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, já indiciado, estamos diante da normalidade, a mesma dos tempos petistas, abaladas primeiro com o mensalão e depois com o petrolão. Há um clima um tanto quanto ruim pela forma como o governo pretende uma estrutura partidária para louvar o chefe, tese do guru Olavo.
Agora a Polícia Federal está pedindo investigação sobre o caixa dois nas contas de campanha do ministro Marcelo Álvaro Antônio. É um desdobramento da investigação que rola desde o começo do ano. Dias atrás tivemos a busca e apreensão no gabinete do líder do governo no Senado. Bolsonaro mantém o líder e o ministro, não se liga nos efeitos dos casos. É o estilo de mostrar o seu lado nessa conjuntura multifacetada.
Ranking
Saiu o ranking da "Folha de S.Paulo" da universidade brasileira com USP (98,02) e Unicamp (97,09) na frente. A Unicamp é primeiríssima estadual, a segunda é a Unesp (Paulista Júlio de Mesquita), com 92,67, a terceira a de Londrina, em 21º lugar, com 82,12, a quarta Maringá, em 22,º com 81,48. A Federal do Paraná figura em oitavo lugar, depois da de Santa Catarina, essa com 92,58 e a nossa com 92,02.
Uma das revelações nada surpreendentes é a de que só 6% das faculdades de direito conseguem aprovar mais da metade dos alunos nos exames da Ordem . Há quem deseje exames como os da OAB em outros cursos.
O fogo amazônico
Na abertura do Sínodo que discutirá a Igreja Católica na Amazônia, o papa Francisco disse que os incêndios foram ateados por interesses que destroem em contraposição ao "fogo de Deus", "que alimenta-se com a partilha, não com os lucros". Só falta sugerirem que o Vaticano está aberto ao marxismo cultural, o demônio da época.
O filtro
Jair Bolsonaro fez a observação de que era preciso um filtro nas manifestações culturais e o sinal disso veio na forma como a Caixa Econômica Federal tratará o tema. O diretor da Funarte atacou Fernanda Montenegro e na Virada do Livro, Theatro Municipal de São Paulo, ela replicou contra o embrião do obscurantismo, que aparenta estar com saúde de vaca premiada.
Sinal de que teremos como inevitável uma guerra cultural, instalada pelo governo, confuso e difuso no seu anti-intelectualismo.
Fake news
Nada mais apropriado do que ver nas promessas de governo a aura das fake news, as mentiras em série. Semana passada esta FOLHA mostrou que dos 14 presídios seguidamente anunciados pelo governo, há mais de oito anos, entre construções e ampliações, apenas dois deles se encontram em conclusão. Atualmente a conta não fecha: o governo tem 34,4 mil presos e capacidade para 26 mil. A previsão, portanto, de 7 mil vagas é menor do que o déficit atual. Volta e meia teremos nas rebeliões dos delegados de polícia, radicais adversários do que chamam de "guardismo", contra a superlotação das distritais e também das inevitáveis tensões nos presídios e cadeias a retomada do tema, da novela sem fim. É retrato fiel da incompetência dos governos de sua incapacidade de agir com um mínimo de eficiência.
Explicação inócua
Brasil, medalha de prata em spread bancário mais alto do mundo, tem um moto contínuo como explicação: a inadimplência. O fato é que a Selic caiu 61% desde outubro de 2016 e as taxas bancárias de pessoas físicas registraram redução de apenas 26%. Madagascar é a primeira no mundo e lá a diferença entre o quanto os bancos gastam para captar o dinheiro e quanto eles cobram para emprestar é de 45%. No caso brasileiro a diferença é de 39.6% .
O calote é uma das nossas evidências e o Banco Mundial destaca o fato de que na recuperação judicial de crédito de cada dólar emprestado somente 13 centavos são pagos, quando a média universal atingiria 34 centavos. Há hoje no país, segundo a Serasa Experian, 63,3 milhões de brazucas com as contas atrasadas. O número de inadimplentes de outubro de 2016 cresceu, exponencialmente, em quase 7%, e tudo isso sob o fogo lento da recessão e seus efeitos de longo prazo.
Atrito esperado
Volta à carga o Fórum dos Servidores Públicos contra o fim da licença-prêmio e hoje no legislativo teremos novas manifestações de resistência. Sindicatos alegam que direitos adquiridos serão atingidos também em relação aos funcionários atuais. O alegado passivo de R$ 3 bilhões é desídia do governo, já que desde Beto Richa não há acesso à licença e o que predomina é a arte de driblar da administração pública.
Folclore
Uma das artes na política é a de seduzir, se possível, o adversário. Políticos como Ney Braga tinham essa habilidade e a aliança que fez com a oposição (PTB) nos anos 60 garantiu a vitória da dupla Amauri Silva-Adolpho de Oliveira Franco para o Senado e a continuidade do plano de desenvolvimento do Paraná estribada num percentual do IVC, Imposto de Vendas e Consignações, como fundo de investimentos no setor público e no privado.


