Maxi colher de chá
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de abril de 2019
Luiz Geraldo Mazza
Já se cogitou de leiloar a Copel, como todos se recordam, e em meio à forte reação popular, e só não foi consumada pela ocorrência do ataque às torres geminadas nos Esteites e em função de um apagão no Brasil que bloqueou interessados. Agora em meio às promessas de Ratinho Júnior fala-se genericamente em privatização, e uma delas é a da subsidiária Copel Telecom, lucrativa, sem o que certamente não se pensaria em sua venda.
Jamais se falou em privatizar a Sanepar, o que tem seus fundamentos políticos na prestação de um serviço menos complexo, alvo de muita demagogia como a baixa das tarifas sob Requião e hoje com um mando consular dos acionistas em sua orientação, o que deputados até da situação pretendem rever para buscar o reequilíbrio nessa relação. Transbordou-se tanto que anunciaram na Globo que acionistas opinariam sobre o reajuste salarial dos seus servidores. Para que os polos se ajustem, é indispensável que o legislativo opine sobre lucros da empresa e o racha dos seus dividendos. Tudo em nome da transparência.
Lula, agora no STF
Depois da derrota unânime no STJ da tese de levar os casos do ex-presidente à justiça eleitoral e que foi mal compensada pela redução da pena (8 anos, dez meses, 20 dias), as esperanças de sua defesa repousam na velha pendenga que divide ao meio o STF no exame da prisão pós decisão de segunda instância, protagonismo que envolve muita doutrina e jurisprudência, mas também a carga política do preso mais ilustre do Brasil. A seguir, por exemplo, a hermenêutica do caso de Zé Dirceu, que está solto, em que pese as penas mais exacerbadas do que as do companheiro da hierarquia, Lula poderia estar livre, o que acentua a diversidade olímpica de juízos de valor da suprema corte e o peso dos chamados (e pela frequência absurdos) votos monocráticos, imperiais como os raios de Zeus, de duração imprevisível como se viu no de Luis Fux sobre o auxílio-moradia que teve força de lei enquanto durou com enorme prejuízo à imagem do Judiciário. A redução da pena de Lula é relevante pela esperança de vir a ser beneficiado no semiaberto ainda este ano, todavia tudo sob ameaça de novas condenações a partir do caso do sítio de Atibaia, já condenado em primeira instância, e dos demais.
Fatores que poderiam aquecer a campanha do ´´Lula livre´´ perderam o embalo e o pior ainda com a sensação de deserção do PT, como maior força de esquerda, nos debates nacionais. Há na agenda cotidiana motivos múltiplos para que o partido, até em nome de seu maior líder. mostre a sua cara e sua força, ainda mais com o desequilíbrio hoje à direita.
Ambivalência conveniente
Essa ambivalência, conivente e conveniente, que marca o estilo Bolsonaro, não é rompida com o seu desejo de encontrar um ponto final na guerra entre o filho Carlos, olavista de carteirinha, e o vice presidente Hamilton Mourão. Ao afirmar que sempre estará ao lado do filho deixa claro que manterá o clima que parece ser, antes de tudo, do seu interesse pessoal, posto que preocupe sobremaneira a ala militar. Em lugar de ponto final, teremos retiscências, enquanto o país aparenta dar passos não muito seguros na reforma previdenciária.
Rádio Patrulha em ação
A sexta turma do STJ determinou a retomada da Operação Radio Patrulha, que estava trancada desde 31 de janeiro, na 13ª Vara Criminal de Curitiba. Isso bloqueou 62 audiências de acusados e testemunhas, entre as quais uma acareação entre Beto Richa e o delator Toni Garcia. Nesse rolo estão o ex governador, seu irmão Pepe, secretários Deonilson Roldo e Ezequias Moreira, ex diretor do DER, Nelson Leal, Jorge Atherino e Luis Abi, o hoje realmente primo distante porque fugiu. Chuncho em série por meio de contratos fraudulentos nas vias rurais e envolvendo também fornecimento de máquinas com algumas empresas em acordo judicial.
Como notícia ruim para a turma do Beto Richa nunca vem só um dia depois da decisão do TRF4 que baixou tarifas da Viapar e da Caminhos do Paraná a força tarefa da Lava Jato no Paraná anunciou a homologação do acordo de leniência com Rodonorte com baixa nas tarifas de pedágio em 30%, fruto das manipulações propineiras da Operação Integração, herança perversa da fase mais corrupta de nossa história, pelo menos a descoberta pós Lava Jato e ofensiva do Ministério Público estadual que desvendou a roubalheira dos fiscais e desvios nas construções escolares que a ladroagem não respeitou.
Eleição renhida
O pleito municipal na Capital vai ter pega de primeira com Rafael Greca tentando reeleger-se, Ney Leprevost, Fernando Francischini e Gustavo Fruet no páreo, além de outros. Curiosamente a 29 de abril, dia do massacre do Centro Cívico, haverá greve do funcionalismo estadual por reajuste e porá em evidência um episódio comandado por Francischini. Ocorre que apesar daquilo foi o federal mais votado com 427 mil votos, dos quais 140 mil em Curitiba, o que pode transformar o evento ironicamente em promoção pessoal, comício indireto.
Folclore
29 de abril tem greve de barnabés que depois de três anos querem 16% de reajuste e a data celebra o massacre com mais de 200 feridos. Como as bombas de efeito moral de Alvaro Dias contra os professores em 1988 já foram esquecidas essa agora será lembrada com o empenho igual ao de Bolsonaro pela celebração do golpe em 31 de março. Como sempre um lado festeja e outro abomina.